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Paris Fashion Week Men’s 2026: um olhar apurado sobre os desfiles principais

Paris voltou a assumir o papel de grande encerramento da temporada masculina de outono inverno 2026 com uma semana marcada por intensidade criativa, gestos simbólicos e narrativas que olharam ao mesmo tempo para o passado e para o futuro da moda. Depois de edições mais contidas em Florença e Milão, a capital francesa concentrou desfiles que combinaram espetáculo, rigor conceitual e emoção, reafirmando sua centralidade no calendário internacional.

O início foi emblemático. A sensibilidade silenciosa da Auralee abriu os trabalhos com uma coleção que buscava beleza nos pequenos gestos do inverno, enquanto a Louis Vuitton transformou seu espaço em uma casa contemporânea imaginada por Pharrell Williams em colaboração com o estúdio japonês Not a Hotel. Mais do que um cenário, o ambiente refletia uma ideia de permanência, em diálogo direto com uma coleção que revisitava clássicos do guarda roupa masculino por meio de materiais tecnológicos e soluções artesanais sofisticadas.

Na Dior, Jonathan Anderson apresentou seu segundo desfile masculino para a maison e deixou claro que sua proposta passa por tensionar códigos históricos com irreverência e liberdade criativa. Inspirado na figura de Paul Poiret, o designer construiu uma coleção que misturava exuberância, referências culturais e uma juventude aristocrática imaginada, consolidando uma nova linguagem para a Dior masculina, menos reverente e mais experimental.

Entre as estreias, a italiana Magliano marcou sua chegada ao calendário parisiense com uma presença que dialogou com a tradição sem perder um olhar autoral. Já nomes consagrados como Rick Owens, Comme des Garçons Homme Plus e Junya Watanabe reafirmaram suas identidades por meio de desfiles que exploraram silhuetas extremas, construções complexas e uma visão de moda como ferramenta de questionamento estético e social.

Se houve um momento de despedida capaz de sintetizar o espírito da semana, ele aconteceu na Hermès. Véronique Nichanian apresentou sua última coleção após 38 anos à frente do universo masculino da maison. Sem recorrer a nostalgia explícita, ela reafirmou os pilares que sempre definiram seu trabalho: elegância sem esforço, excelência de materiais e uma compreensão profunda do tempo como aliado da roupa. Peças clássicas como parkas, blusões e ternos de abotoamento duplo surgiram refinadas por meio de tecidos excepcionais e ajustes quase imperceptíveis, demonstrando que sofisticação verdadeira reside nos detalhes. O aplauso prolongado ao final do desfile selou não apenas uma carreira exemplar, mas uma filosofia de moda baseada em prazer, constância e longevidade.

Outros desfiles ampliaram o alcance narrativo da semana. Willy Chavarria levou para Paris um espetáculo musical que transformou a passarela em palco e reafirmou seu discurso humanista, enquanto a IM Men explorou a ideia de forma a partir de um único pedaço de tecido, dando continuidade ao legado experimental da Issey Miyake. Na Lemaire, o desfile ganhou contornos quase teatrais, com coreografia, objetos e roupas dialogando em uma atmosfera onírica que ampliou os limites da apresentação tradicional.

Ao final, Paris Fashion Week Men’s outono inverno 2026 mostrou que a moda masculina vive um momento de maturidade criativa. Entre grandes gestos e silêncios calculados, a temporada revelou designers dispostos a desacelerar, aprofundar discursos e pensar o vestir como algo que atravessa o tempo, resiste às tendências efêmeras e se conecta de forma mais sensível com quem o usa. Paris não apenas encerrou a temporada, mas reafirmou seu papel como espaço onde a moda encontra densidade, significado e visão de longo prazo.

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