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Bulgari transforma peça vintage de seu arquivo dos anos 40 em proposta atual

Entre as assinaturas que definem a identidade da Bulgari, poucas alcançam o estatuto de reconhecimento imediato de linhas como Serpenti, Monete e B.zero1. Ainda assim, a maison romana demonstra que seu repertório histórico continua fértil ao apresentar Vimini, nova linha da coleção Eternal que revisita um desenho de 1942 com precisão quase arqueológica e ambição declaradamente contemporânea.

O ponto de partida é uma pulseira criada em plena década de 1940, inspirada nos cestos trançados da Roma e da Grécia antigas. A partir desse motivo, a casa desenvolveu uma construção geométrica em ouro maciço que explora volumes e vazios com rigor arquitetônico. O efeito é gráfico, estruturado e surpreendentemente atual. O olhar menos atento dificilmente associaria a peça a uma origem que remonta a mais de oito décadas.

A reedição é fiel ao modelo original, preservando proporções e desenho, mas elevando a execução técnica a um novo patamar. O trançado é recriado por meio de elementos de ouro em formato de losango, cuidadosamente sobrepostos para compor uma superfície que alterna ritmo e profundidade. O anel e o colar seguem a mesma lógica construtiva, enquanto os brincos surgem em duas interpretações. Uma versão pendente, articulada e de forte presença, reafirma o caráter escultural da linha. Outra, no formato ear climber, propõe uma leitura mais leve, adequada ao cotidiano sofisticado.

Na alta joalheria, Vimini avança para territórios ainda mais experimentais. Chokers e colares únicos recebem acabamento em DLC, sigla para diamond like carbon, material de alta tecnologia conhecido por sua resistência e dureza excepcionais, amplamente utilizado na relojoaria. A combinação de DLC negro, diamantes e ouro amarelo cria um contraste de intensidade gráfica que aproxima o design de uma estética quase futurista, sem romper com a tradição artesanal da casa.

Essa dualidade entre passado e futuro é sustentada por uma infraestrutura à altura. A manufatura de Valenza, na Itália, com mais de 33 mil metros quadrados, teve sua área recentemente ampliada para mais que o dobro, consolidando a estratégia de verticalização e excelência produtiva da marca. O plano inclui a contratação de centenas de novos artesãos e a formação de jovens talentos em uma escola dedicada dentro do próprio complexo, sinalizando que o investimento não se limita às peças, mas ao saber fazer que as torna possíveis.

Vimini nasce, portanto, como mais do que uma reedição. É a demonstração de que o arquivo, quando reinterpretado com domínio técnico e visão estratégica, pode gerar novos capítulos na história do luxo. Ao entrelaçar memória e inovação com a mesma precisão de seus losangos em ouro, a Bulgari reafirma que a modernidade, em sua forma mais convincente, muitas vezes começa no passado.

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