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John Galliano revisita o arquivo da Zara em nova colaboração criativa

O estilista britânico John Galliano prepara um novo capítulo em sua trajetória ao anunciar uma colaboração criativa com a Zara. Após deixar a Maison Margiela em 2024, depois de uma década à frente da direção criativa da casa, Galliano retorna ao cenário da moda com um acordo de dois anos com a gigante espanhola do varejo, pertencente ao grupo Inditex.

A parceria surge após mais de um ano de especulações sobre o próximo movimento do designer, cujo trabalho sempre esteve associado a narrativas visuais intensas e desfiles de forte teatralidade. Durante seu período na Margiela, Galliano consolidou uma fase marcada por coleções profundamente experimentais e apresentações que misturavam referências históricas, fantasia e um olhar quase cinematográfico sobre a moda. O desfile Artisanal que marcou sua despedida da maison sintetizou essa estética: modelos caminharam ao longo do Sena iluminado pela lua, evocando figuras que lembravam ao mesmo tempo as pastoras de Jean-Honoré Fragonard e os personagens noturnos capturados pelas fotografias de Brassaï em seu célebre retrato da vida noturna parisiense.

Após sua saída da Margiela, circularam rumores de que Galliano poderia assumir novas posições em casas como Gucci ou Balenciaga, hipóteses que acabaram não se concretizando. Enquanto isso, a Gucci confirmou Demna para sua direção criativa, e a Balenciaga anunciou Pierpaolo Piccioli.

Agora, Galliano retorna à indústria com um projeto que aproxima o universo da alta-costura da escala global do varejo contemporâneo. Segundo comunicado da Zara, trata-se de uma “colaboração criativa” que envolverá uma releitura do acervo da marca, com o estilista reinterpretando peças e códigos visuais do arquivo para transformá-los em novas criações sazonais.

As coleções devem estrear em setembro de 2026 e prometem incorporar uma sensibilidade próxima da couture, reinterpretando silhuetas conhecidas com a assinatura dramática de Galliano. A proposta também dialoga com a abordagem que marcou seu período na Margiela, onde roupas eram frequentemente desconstruídas e reconstruídas como parte de um exercício conceitual sobre forma, memória e identidade.

A colaboração nasceu de conversas entre o estilista e Marta Ortega Pérez, presidente da Inditex e figura central na estratégia cultural e criativa do grupo. Ortega também dirige a MOP Foundation, instituição dedicada à fotografia que mantém um espaço expositivo em A Coruña e já apresentou obras de nomes como Annie Leibovitz e Helmut Newton.

Em entrevista à revista Vogue, Galliano confirmou que já iniciou o desenvolvimento da coleção em um ateliê em Paris. O estilista destacou o entusiasmo em trabalhar com uma plataforma de alcance global. Para ele, levar moda a uma audiência tão ampla e contar com os recursos de uma estrutura como a da Zara representa uma oportunidade estimulante.

Ainda não foram revelados detalhes sobre a apresentação das coleções, mas a expectativa é que a marca explore o potencial criativo de Galliano em um formato que dialogue com o calendário internacional da moda, possivelmente durante uma semana de moda.

Nos últimos meses, o legado de Galliano também voltou a ganhar destaque dentro da indústria. No início deste ano, Jonathan Anderson revelou que um buquê de ciclames presenteado pelo estilista serviu como ponto de partida para seu primeiro desfile de alta-costura para a Dior. Cada convidado recebeu o mesmo arranjo floral como convite para o desfile, um gesto simbólico que reforçou a influência duradoura de Galliano no imaginário da moda contemporânea.

Mais de duas décadas após sua ascensão meteórica na Dior no final dos anos 1990, Galliano continua sendo uma das figuras mais marcantes da moda moderna. Sua chegada à Zara sugere um encontro incomum entre a inventividade da alta-costura e a escala democrática do varejo global, um movimento que promete redesenhar as fronteiras entre criatividade autoral e produção de massa.

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