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Matthieu Blazy apresenta sua segunda coleção para a Chanel na Paris Fashion Week

Durante a Paris Fashion Week, realizada no Grand Palais, Matthieu Blazy apresentou sua segunda coleção prêt-à-porter para a Chanel. A proposta reafirma um princípio central da maison desde sua fundação: oferecer às mulheres liberdade para expressar múltiplas facetas de si mesmas ao longo de um mesmo dia.

A coleção outono inverno 2026 percorre essa ideia de transformação. Do amanhecer ao cair da noite, Blazy imagina a mulher Chanel transitando entre diferentes estados de espírito e situações, evocando uma metáfora clássica de Gabrielle Coco Chanel. A estilista costumava dizer que a moda deveria acompanhar a metamorfose feminina, como uma lagarta que se torna borboleta.

Curiosamente, a conversa que dominava os corredores da semana de moda parisiense não girava apenas em torno dos desfiles ou das especulações sobre diretores criativos. O foco estava também nas lojas Chanel. Desde o início de março, as primeiras peças da coleção de estreia de Blazy, apresentada em outubro do ano passado, começaram a chegar às boutiques. O impacto foi imediato. Publicações como Vogue Business e The New York Times relataram a atmosfera quase competitiva nas lojas, com clientes disputando as novidades e algumas peças já aparecendo nas primeiras filas dos desfiles poucos dias depois.

Com esse pano de fundo, era inevitável que o segundo desfile de Blazy despertasse expectativas intensas. No Grand Palais, cerca de mil convidados acompanharam a apresentação, entre eles muitos dos principais clientes da maison. E havia muito a desejar.

A coleção surge como um verdadeiro mosaico de possibilidades. Sapatos de salto metálicos convivem com botas bicolores ajustadas ao tornozelo. O tradicional tweed Chanel aparece reinterpretado em proporções amplas, lembrando a silhueta de camisas lenhador, ou transformado em tecidos cintilantes com textura quase de tinsel. Em contraste, vestidos minimalistas de jersey preto trazem de volta um dos materiais que Coco Chanel ajudou a popularizar, valorizado pela leveza e pela liberdade de movimento.

Entre os acessórios, surgem bolsas macias em formato de meia lua que evocam croissants. Vestidos e saias de cintura baixa fazem referência direta ao espírito libertário da década de 1920. No encerramento, uma sequência vibrante de looks saturados de cor toma a passarela, alguns confeccionados em malha metálica quadriculada e adornados com flores aplicadas, rendas e bordados de contas. As modelos surgem com cabelos em tons pastel ou penteados para trás com acabamento metálico reluzente.

A reação do público sintetiza o impacto da coleção. Em determinado momento, uma convidada comenta em tom sonhador que gostaria de ser aquela mulher.

Esse desejo talvez explique o sucesso inicial de Blazy na maison. Seu trabalho não se limita ao desenho preciso de um sapato ou de uma bolsa. Ele busca despertar emoção. Em sua passagem pela Bottega Veneta, o estilista já demonstrava essa capacidade de provocar encantamento.

Momentos semelhantes marcaram seus primeiros desfiles para a Chanel. No lançamento de sua estreia na marca, a modelo Awar Odhiang encerrou a apresentação girando pela passarela em um vestido feito de organza em forma de plumas florais, em um gesto espontâneo que transmitia leveza e alegria. Em outra ocasião, a modelo Bhavitha Mandava fechou o primeiro desfile de alta-costura de Blazy com um vestido de noiva adornado por centenas de lantejoulas de madrepérola. Os cenários também reforçavam o caráter quase onírico das apresentações, com instalações que lembravam paisagens fantásticas ou representações monumentais do sistema solar suspensas sob o teto de vidro do Grand Palais.

No desfile desta temporada, embalado por um remix de Just Dance, de Lady Gaga, a narrativa visual acompanha a transição entre dia e noite. O estilista descreve essa passagem novamente a partir da metáfora da lagarta e da borboleta.

A coleção impressiona pela amplitude. São 78 looks cuidadosamente construídos e ricamente acessorizados, que transitam entre o cotidiano e o extraordinário. Cada peça parece pensada para dialogar com um guarda-roupa existente, mas também existe uma sedução evidente na ideia de vestir Chanel da cabeça aos pés.

Blazy define a coleção como uma homenagem direta à visão de Coco Chanel sobre a complexidade da vida feminina. Desde o início, a estilista concebeu roupas capazes de equilibrar glamour e funcionalidade, uma dualidade que permanece no coração da maison.

Em suas próprias palavras, Chanel representa simultaneamente função e imaginação. Representa o pragmatismo e a sedução. Representa o dia e a noite. Para Blazy, a moda deve oferecer às mulheres um espaço onde possam escolher, a qualquer momento, entre ser lagarta ou borboleta. Acima de tudo, seu objetivo é criar um território de liberdade onde cada mulher possa ser, sem pedir desculpas, exatamente quem é e quem deseja se tornar.

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