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Milano Fashion Week A/W 2026: 14 desfiles que definiram a temporada

A temporada de outono/inverno 2026 da Semana de Moda de Milão chegou ao fim marcada por estreias aguardadas, reposicionamentos sutis e exercícios de linguagem que reafirmaram o papel da cidade como epicentro da sofisticação italiana. Entre debuts estratégicos e coleções que aprofundaram códigos já consolidados, o calendário revelou uma indústria em transição, atenta ao legado, mas determinada a reescrever seus próprios contornos.

Fendi

Maria Grazia Chiuri apresentou sua primeira coleção como diretora criativa única da casa sob o mantra “Less I, More Us”. A proposta resgatou a importância histórica das irmãs Fendi e sugeriu um guarda-roupa unificado, no qual masculino e feminino deixam de ser categorias opostas. Alfaiataria alongada, camadas de tule e renda e o retorno da pele, agora sob uma lógica de circularidade por meio do projeto Echo of Love, traduziram pragmatismo e consciência contemporânea.

Prada

Miuccia Prada e Raf Simons transformaram a dinâmica da passarela em narrativa. Quinze modelos desfilaram sessenta looks por meio de rápidas trocas de camadas, criando uma sensação de movimento contínuo. A coleção refletiu a construção diária da identidade feminina, combinando organza, cetim, alfaiataria utilitária e marcas propositais de desgaste em um estudo sobre proporção e presença.

Gucci

Demna buscou a essência da marca ao revisitar Florença e o legado cultural italiano. Em Milão, apresentou uma coleção marcada por sensualidade direta, silhuetas ajustadas ao corpo e referências ao glamour dos anos 1990. A alfaiataria enxuta e os vestidos cintilantes consolidaram uma visão que pretende transformar Gucci em um adjetivo contemporâneo.

Bottega Veneta

Louise Trotter reafirmou sua assinatura com uma coleção profundamente tátil. Casacos volumosos de shearling, formas esculturais e tecidos de textura marcante convidavam ao toque. O equilíbrio entre funcionalidade e magnetismo sensorial consolidou um novo capítulo para a casa, em que o luxo se manifesta também na experiência física da roupa.

Marni

Meryll Rogge inaugurou sua direção criativa com uma leitura que equilibra memória e atualidade. Estampas nostálgicas, joias gráficas e peças de couro estruturado dialogaram com o espírito irreverente da marca, propondo familiaridade reinterpretada e uma nova dose de firmeza estética.

Jil Sander

Simone Bellotti ampliou sua pesquisa sobre forma e movimento, afastando-se do minimalismo mais rígido para explorar fluidez e volume com maior liberdade. O resultado foi uma coleção que questiona se abandono pode, paradoxalmente, expressar contenção.

MM6 Maison Margiela

A ideia de trânsito e individualidade guiou a apresentação da linha contemporânea da maison. Sobreposições espontâneas, proporções deslocadas e referências utilitárias sugeriram um guarda-roupa que celebra o acaso e a expressão pessoal.

Max Mara

Inspirada por referências medievais reinterpretadas com precisão moderna, a coleção trouxe túnicas em suede macio, casacos longos de cashmere e silhuetas envolventes. A casa reafirmou seu domínio sobre uma elegância atemporal construída com rigor técnico.

Emporio Armani

Com a coleção intitulada Maestro, a marca combinou alfaiataria relaxada e elementos de inspiração estudantil em um tributo sensível ao legado de Giorgio Armani. O equilíbrio entre disciplina e suavidade marcou o retorno da etiqueta às passarelas em um momento simbólico.

Sportmax

Dinamismo e aerodinâmica definiram a proposta da marca. Silhuetas ajustadas, drapeados em movimento e tecidos de aspecto técnico sugeriram uma mulher em constante deslocamento, com leveza e assertividade.

Tod’s

O couro foi protagonista em uma coleção que celebrou a leveza artesanal. Técnicas tradicionais surgiram reinterpretadas com precisão contemporânea, reforçando a identidade da casa como referência em excelência material.

Ferragamo

Maximilian Davis aprofundou sua investigação sobre os anos 1920, evocando elegância libertária e deslocamentos culturais. Vestidos fluidos e alfaiataria refinada refletiram a herança da marca sob uma ótica renovada.

Dolce & Gabbana

O preto, a renda e os smokings estruturados reafirmaram uma identidade construída sobre presença e autoridade estética. A coleção reforçou códigos históricos da casa como linguagem viva e atual.

Giorgio Armani

Silvana Armani apresentou sua estreia no prêt-à-porter com uma leitura que preserva a essência da maison enquanto introduz maior leveza. Alfaiataria desestruturada, silhuetas fluidas e proporções contemporâneas apontaram para uma continuidade refinada do estilo Armani.

Milão encerra a temporada A/W 2026 reafirmando que tradição e reinvenção coexistem como camadas complementares. Fendi, Prada, Gucci, Bottega Veneta, Marni, Jil Sander, MM6 Maison Margiela, Max Mara, Emporio Armani, Sportmax, Tod’s, Ferragamo, Dolce & Gabbana e Giorgio Armani demonstraram que a capital lombarda segue ditando o ritmo de uma moda que equilibra herança, precisão e contemporaneidade.

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