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Moncler e Oskar Metsavaht assinam o visual do Time Brasil para as Olimpiadas de Inverno

Desde o anúncio das Olimpíadas de Inverno de 2026, era evidente que a moda teria papel central nos Jogos. Realizadas entre Milão e Cortina d’Ampezzo, as competições acontecem em um território onde estilo, design e indústria criativa fazem parte do DNA cultural. Ainda assim, poucos imaginavam que um dos momentos mais comentados da cerimônia de abertura viria justamente do uniforme do Time Brasil.

A responsável foi a Moncler, que vestiu a delegação brasileira com uma proposta tão inesperada quanto simbólica. O projeto nasceu da colaboração entre o CEO da marca, Remo Ruffini, e o artista e designer brasileiro Oskar Metsavaht, e ganhou ainda mais força ao ser apresentado por um protagonista à altura: o esquiador alpino Lucas Pinheiro Braathen, porta-bandeira do Brasil na abertura dos Jogos.

Norueguês de nascimento e brasileiro por escolha esportiva, Braathen chega a Milão-Cortina como um dos nomes mais carismáticos desta edição. Favorito ao pódio no slalom, ele carrega a possibilidade inédita de conquistar a primeira medalha da América do Sul em Olimpíadas de Inverno. Fora das pistas, sua personalidade expansiva, marcada por gestos performáticos e referências à cultura brasileira, o transformou em um símbolo perfeito para um projeto que buscava ir além da funcionalidade esportiva.

O uniforme criado pela Moncler para o Time Brasil se constrói justamente nesse ponto de encontro entre mundos. A paleta combina branco óptico e azul-marinho, típicos do vestuário alpino, com acentos de verde intenso que remetem à identidade brasileira. O resultado não tenta tropicalizar a montanha nem europeizar o Brasil. Ao contrário, assume o contraste como linguagem estética e cultural.

O centro simbólico da coleção é a capa usada pelos porta-bandeiras. Escultural e inteiramente branca por fora, ela evoca a neve como elemento essencial dos Jogos de Inverno e imprime solenidade ao ritual olímpico. No interior, revelada apenas pelo movimento do corpo, surge a bandeira do Brasil trabalhada em intársia. Um gesto silencioso, porém poderoso, que transforma o caminhar em narrativa visual.

A inspiração vem de um ícone do arquivo da Moncler, a jaqueta Karakorum, criada em 1954 para a histórica ascensão italiana ao K2. O acolchoado volumoso, marca registrada da peça original, reaparece reinterpretado em shorts, saias e na própria capa, conectando passado e presente, performance e expressão.

A presença de Oskar Metsavaht no projeto adiciona camadas que vão além da moda. Médico, ex-snowboarder e fundador da Osklen, ele construiu sua trajetória transitando entre ciência, esporte, arte e sustentabilidade. Sua leitura do uniforme parte da ideia de que o design é uma linguagem cultural capaz de traduzir valores, território e modo de vida. Nesse contexto, a tensão entre cultura tropical e tradição alpina deixa de ser contraste e passa a ser discurso.

Para a Moncler, o retorno às Olimpíadas de Inverno carrega um significado estratégico e emocional. A marca tem uma história profunda ligada às montanhas e ao esporte, e Milão-Cortina marca sua volta aos Jogos quase seis décadas após Grenoble, em 1968. Ao escolher o Time Brasil e um atleta como Braathen, a maison evita o caminho óbvio e reafirma uma identidade construída a partir de autenticidade, relações de longo prazo e escolhas editoriais precisas.

Mais do que um uniforme de cerimônia, a proposta apresentada em Milão-Cortina transforma o vestuário em manifesto. Um manifesto sobre pertencimento, movimento e identidade em um mundo onde luxo e esporte já não se separam, mas dialogam. E, nesse diálogo, o Brasil surge não como coadjuvante exótico, mas como voz contemporânea, confiante e plenamente integrada ao cenário global.

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