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Ray-Ban e Meta apresentam um novo capítulo da tecnologia para viajantes

Em um momento em que tecnologia e mobilidade se cruzam cada vez mais, um novo tipo de acessório começa a ganhar espaço entre viajantes curiosos. Os óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta Platforms em colaboração com a icônica Ray-Ban prometem unir design clássico e funcionalidades digitais capazes de registrar momentos, traduzir idiomas e reproduzir áudio sem a necessidade constante do smartphone.

A proposta pode parecer supérflua à primeira vista. Afinal, poucos itens parecem menos essenciais para uma viagem do que um par de óculos conectado à internet. Ainda assim, a curiosidade surge rapidamente diante das promessas do dispositivo. Entre os principais recursos estão a possibilidade de capturar fotos e vídeos sem usar as mãos, tradução em tempo real e pequenos alto-falantes integrados. Tudo isso incorporado em um objeto que, visualmente, continua sendo apenas um par de óculos escuros.

Para testar se essa tecnologia realmente faz diferença na estrada, o cenário escolhido foi um safári no Borana Lodge, no Quênia. A ideia era simples: descobrir se os óculos realmente ampliam a experiência de viagem ou se são apenas mais um gadget curioso.

Os óculos inteligentes da Meta foram desenvolvidos para parecer um modelo tradicional da Ray-Ban, mas com uma série de recursos tecnológicos discretamente incorporados. O dispositivo inclui uma câmera ultra-wide de 12 megapixels capaz de gravar vídeos em 3K por até três minutos, alto-falantes de ouvido aberto para música e chamadas, além da integração com a assistente de inteligência artificial da Meta. O comando de voz ativado pela frase “Hey Meta” permite fazer perguntas ou controlar funções básicas. Os óculos se conectam ao smartphone por meio do aplicativo Meta View, onde fotos e vídeos podem ser armazenados, editados e compartilhados diretamente em redes sociais.

Embora ofereçam uma série de funcionalidades ligadas à inteligência artificial e ao controle por voz, para viajantes os recursos mais relevantes acabam sendo outros. A câmera ultra-wide captura fotos e vídeos com boa qualidade para um sensor tão pequeno embutido em um acessório, e a gravação pode chegar a três minutos por vez. Os óculos contam ainda com 32 GB de armazenamento interno e são acompanhados por um estojo de carregamento que fornece até 48 horas adicionais de bateria.

Para quem não é especialmente entusiasta de tecnologia, o primeiro alívio vem do design. À distância, os óculos são praticamente indistinguíveis de um par tradicional da Ray-Ban. Não há aparência futurista ou volumosa, algo que frequentemente compromete dispositivos tecnológicos vestíveis. O modelo Wayfarer continua sendo o mais reconhecível e universal, mas a coleção também inclui as linhas Skyler e Headliner. Há ainda uma colaboração recente com a Oakley voltada para esportes, oferecendo uma versão mais esportiva para atividades ao ar livre. As lentes podem ser adaptadas para uso com grau e também existem versões fotossensíveis que funcionam tanto em ambientes internos quanto externos.

Durante o uso, os óculos são surpreendentemente leves e discretos. O módulo da câmera fica embutido nas hastes e passa praticamente despercebido. Muitas pessoas sequer percebem que se trata de um dispositivo tecnológico até serem informadas sobre a câmera integrada.

A principal curiosidade ao levar os óculos para um safári era descobrir se eles poderiam substituir o gesto quase automático de pegar o telefone para fotografar. A resposta é parcialmente positiva. A câmera de 12 megapixels entrega resultados surpreendentemente bons para um sensor tão pequeno embutido em um acessório. As fotos e vídeos registram cenas com nitidez suficiente para redes sociais e memórias de viagem. Ainda assim, ela não compete com as câmeras de smartphones atuais, que frequentemente ultrapassam 50 megapixels e oferecem zoom avançado.

Outro ponto é a ausência de visor. Sem uma tela para enquadrar a imagem, as fotos são capturadas de maneira espontânea. Isso limita o controle sobre composição e enquadramento, mas também revela uma nova forma de registrar momentos. É justamente nesse aspecto que os óculos se destacam. As gravações são feitas em primeira pessoa, criando vídeos imersivos semelhantes à perspectiva de uma câmera de ação. Durante o safári, isso permitiu capturar cenas únicas, como nadar em uma piscina de borda infinita ou registrar momentos inesperados enquanto o veículo atravessava a savana.

Situações em que usar um celular seria impraticável ou até arriscado tornam-se filmáveis com um simples toque na haste dos óculos. Para quem produz conteúdo para redes sociais, o potencial criativo é imediato. Mesmo sem experiência em filmagem, o dispositivo estimula novos ângulos e registros espontâneos que dificilmente seriam planejados com um telefone na mão.

Outro recurso interessante é a tradução automática. No momento, o sistema suporta espanhol, italiano, francês, alemão e português. Para utilizá-lo, basta manter o aplicativo aberto no smartphone e olhar para a pessoa que está falando. O texto traduzido aparece no telefone e, alguns segundos depois, os óculos reproduzem a tradução pelos alto-falantes integrados. A precisão da tradução é impressionante, embora exista um pequeno atraso que pode tornar conversas longas menos naturais. Para interações rápidas, como pedir direções ou recomendações em uma cidade estrangeira, o recurso pode ser bastante útil.

Os alto-falantes integrados também revelaram uma utilidade inesperada. Os óculos se conectam a aplicativos como Spotify e Audible e reproduzem áudio por meio de pequenos alto-falantes direcionais voltados para os ouvidos. O som é audível para quem está usando, mas quase imperceptível para quem está ao redor. A qualidade não substitui fones premium como os Bose QuietComfort II, mas supera expectativas. Em ambientes tranquilos, como um hotel ou uma caminhada pela cidade, é perfeitamente possível ouvir música ou podcasts sem precisar de fones adicionais.

Por não oferecer cancelamento de ruído, a experiência não é ideal em aviões ou ambientes muito barulhentos. Já à beira de uma piscina ou em uma espreguiçadeira, os óculos se tornam uma solução confortável para ouvir conteúdo sem interferir no uso de chapéus ou óculos escuros.

No fim, os óculos inteligentes da Meta e Ray-Ban não substituem o smartphone durante uma viagem. Ainda assim, revelam um papel interessante como complemento. A câmera em primeira pessoa cria registros espontâneos e criativos que dificilmente seriam capturados com um telefone. A tradução e os alto-falantes adicionam conveniência em situações específicas. E tudo isso vem embalado em um design que permanece fiel ao estilo clássico da Ray-Ban. Para viajantes que gostam de registrar experiências de forma mais imersiva, o dispositivo deixa de parecer apenas um experimento tecnológico e passa a funcionar como um novo tipo de companheiro de viagem. Um acessório que mistura moda, tecnologia e memória de forma surpreendentemente natural.

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