Nas passarelas de moda masculina da primavera de 2026, um tom chamou atenção com consistência incomum. Entre ternos, malhas leves e peças casuais, diferentes variações de rosa suave surgiram como protagonistas de coleções apresentadas por casas como Hermès, Loro Piana, Louis Vuitton, Zegna, Dior e Brunello Cucinelli. O tom, frequentemente descrito como dusty pink, aparece em versões discretas e sofisticadas que reposicionam a cor como um elemento essencial do guarda-roupa masculino contemporâneo.
Durante décadas, o rosa foi associado principalmente ao universo feminino. Nas coleções recentes, porém, ele reaparece reinterpretado em paletas suaves que transitam entre nuances de salmão, amaranto ou até o delicado tom que muitos designers comparam ao sal rosa do Himalaia. O resultado é uma cor que transmite leveza sem abrir mão de elegância, aplicada tanto a ternos estruturados quanto a polos de cashmere, suéteres finos e acessórios.

Para a stylist de celebridades Jeanne Yang, a ascensão desse tom não é exatamente uma ruptura. Ela observa que o rosa sempre teve espaço na moda masculina, ainda que em ciclos menos evidentes. Yang lembra de ter sugerido o tom para um look de Jason Momoa anos atrás, em um momento em que a ideia de ousadia cromática no tapete vermelho masculino ainda não era tão comum.
Na verdade, o vínculo entre o rosa e a moda masculina remonta a séculos. Durante o reinado de Luís XV, no século XVIII, pigmentos naturais obtidos da raiz de garança indiana e da madeira de pau-brasil eram amplamente utilizados para produzir tecidos rosados usados por homens e mulheres da aristocracia europeia. Pintores do período rococó, como Maurice-Quentin de La Tour, François Boucher e Jean-Baptiste Perronneau, eternizaram essas tonalidades em retratos que associavam o rosa à riqueza, ao poder e à sofisticação.
Essa herança histórica aparece de forma evidente em coleções recentes. No primeiro desfile masculino de Jonathan Anderson para a Dior, referências ao século XVIII surgiram reinterpretadas em peças de inspiração preppy, como suéteres de tricô com tranças e calças plissadas em tons rosados. Segundo Jian DeLeon, diretor de moda masculina da Nordstrom, o rosa sempre fez parte do vocabulário do estilo universitário clássico, presente em camisas oxford, polos e chinos bem usados.

Para quem deseja incorporar a tendência no dia a dia, especialistas sugerem começar com moderação. Jeanne Yang recomenda escolher versões mais suaves e combiná-las com peças neutras já presentes no guarda-roupa, como jaquetas pretas ou calças marrons. Um lenço rosa, uma camisa discreta ou um suéter leve podem introduzir a cor de forma natural.
No ambiente profissional, o efeito pode ser particularmente elegante. Segundo David Thielebeule, diretor de moda da Bloomingdale’s, uma camisa de popeline rosa claro sob um terno azul-marinho, uma gravata em tom blush com um conjunto grafite ou um suéter rosado usado sob o blazer são exemplos de como a cor pode transmitir modernidade com discrição.
Para os mais ousados, as passarelas também indicam outra possibilidade: o rosa usado de forma integral. Conjuntos completos apresentados por marcas como Zegna demonstram que a cor pode assumir um papel central no estilo masculino atual. Nesse contexto, vestir rosa deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a comunicar autoconfiança e abertura para experimentar novas formas de expressão.