Desde sua estreia, The White Lotus tornou-se um fenômeno raro na televisão contemporânea. A cada temporada, a série de Mike White desloca seus personagens para um novo paraíso cuidadosamente escolhido, onde o brilho do luxo esconde fissuras profundas e onde cada fachada elegante esconde algo podre à espreita. Com a confirmação da quarta temporada, anunciada pela HBO em janeiro de 2025, o universo da série avança para um novo território: a França, cenário que promete ampliar ainda mais o contraste entre beleza, excesso, tensão e decadência emocional.

A terceira temporada, ambientada em um resort exclusivo na Tailândia, consolidou a força da antologia ao criar seu capítulo mais ambicioso até aqui. Com episódios mais longos, tramas entrelaçadas e personagens moralmente complexos, a temporada elevou os números da série a um novo patamar e alcançou uma média de 12,2 milhões de espectadores por episódio, resultado que demonstra a capacidade de The White Lotus de se reinventar sem perder sua assinatura. A produção explorou temas delicados como espiritualidade, culpa e o peso das escolhas, mantendo o equilíbrio entre sátira social, drama psicológico e um humor ácido que já se tornou marca registrada.

A HBO, que visitou o set na Tailândia durante as filmagens da terceira temporada, não demorou para dar continuidade ao projeto. Segundo executivos da emissora, Mike White já insinuava novos caminhos narrativos e, diante da receptividade do público e da crítica, a renovação parecia inevitável. A confirmação antecipada permitiu que a equipe começasse a mapear a próxima etapa da antologia, que deve começar a ser filmada em 2026 e, seguindo o ritmo das temporadas anteriores, possivelmente chegará ao ar em 2027.
O ponto de partida mais comentado entre os fãs, além de quem retornará ao elenco, é o cenário. As primeiras informações indicam que a quarta temporada será ambientada na França, com a Riviera Francesa como palco central. Locais icônicos como o Grand-Hôtel du Cap-Ferrat, em Saint-Jean-Cap-Ferrat, e endereços parisienses como o Ritz e o Lutetia teriam sido mapeados pela produção. Ainda que nenhuma propriedade tenha sido oficialmente confirmada, a escolha do sul da França parece alinhada ao estilo habitual de White, que prefere cenários banhados por sol, glamour e tensões escondidas atrás de sofisticações cuidadosamente coreografadas. A decisão também indica um afastamento da parceria anterior com a rede Four Seasons, abrindo espaço para novos hotéis e novas narrativas visuais.

Se o enredo seguirá a estrutura tradicional da série, com um mistério envolvendo um corpo desde o primeiro episódio, ainda não se sabe. Mike White tem indicado que deseja experimentar outras possibilidades e até brincar com as expectativas do público, sugerindo que a série não precisa ser escrava de seu próprio padrão. Essa abertura criativa permite imaginar uma narrativa que mantenha o suspense, mas que explore novas formas de conflito, novas camadas psicológicas e talvez novas construções de perigo moral.
Quanto ao elenco, nada foi oficialmente anunciado. Belinda e Greg, únicos personagens que sobreviveram por mais de uma temporada, poderiam reaparecer, mas a série já provou que prefere manter o público no escuro até o último momento possível. Rumores sobre uma temporada “all-stars”, reunindo figuras como Sydney Sweeney e Simona Tabasco, circulam nos bastidores, mas nada indica que esse será o foco imediato. Ainda assim, a possibilidade existe e só alimenta a aura de antecipação que cerca a produção.

O que se pode afirmar, por ora, é que The White Lotus continua a expandir seu universo com inteligência, ousadia e um domínio raro da estética do desconforto. A série sabe que o público está menos interessado em destinos paradisíacos e mais no que se esconde por trás deles. A cada temporada, o espectador assiste não apenas às viagens de personagens privilegiados, mas às ruínas emocionais que cada resort revela com precisão cirúrgica.

À medida que a França se prepara para receber esse novo capítulo, cresce a expectativa sobre como Mike White transformará o charme europeu em palco para mais uma história de excessos, segredos, rivalidades e tragédias envoltas em perfume e champagne. O quarto ano de The White Lotus ainda é um mistério em muitos aspectos, mas uma certeza permanece: as férias mais perigosas da televisão estão longe de terminar.