O Peugeot e-2008 aposta numa ideia pouco comum entre os elétricos: parecer o carro que o comprador já conhece. Por fora, o SUV compacto francês é praticamente igual ao 2008 a combustão. Não há grade fechada de efeito futurista nem proporções de laboratório. A mudança está embaixo do assoalho, e a Peugeot preferiu que fosse assim.


No Brasil, o modelo foi vendido em versão única, a GT, importada da França. A linha apresentada em outubro de 2024 trouxe motor elétrico de 115 kW, cerca de 156 cv, com 26,5 kgfm de torque, e bateria de 54 kWh no lugar da antiga, de 50 kWh. A autonomia homologada pelo Inmetro no ciclo PBEV é de 261 km. É um número modesto para a categoria, e foi justamente o ponto mais citado pela imprensa especializada ao comparar o Peugeot com rivais de preço semelhante.
A recarga segue o padrão do segmento. Em carregadores rápidos de 100 kW, a Peugeot declara cerca de 30 minutos para chegar a 80% da bateria. Em corrente alternada, o carregador de bordo aceita até 11 kW, o que permite completar a carga durante a noite em uma wallbox residencial: com uma de 7 kW, a recarga completa leva menos de oito horas. O câmbio e-Toggle oferece três modos de condução, Eco, Normal e Sport, e uma posição B que aumenta a regeneração nas desacelerações.
Ao volante, o e-2008 se mostrou suave e pronto nas respostas: o torque instantâneo favorece as retomadas no trânsito urbano, e a aceleração até os 100 km/h, em torno de 8,5 segundos, é suficiente para um SUV de proposta cotidiana. A direção é leve e precisa nas manobras, e a suspensão filtra bem as irregularidades em baixa velocidade, com firmeza controlada na estrada. O isolamento acústico abafa os ruídos de rodagem, e a cabine segue silenciosa mesmo em velocidades mais altas. Os freios cumprem o papel, embora a modulação do pedal cause alguma estranheza no início. A regeneração é discreta: na posição B, ganha intensidade sem obrigar o motorista a mudar a forma de conduzir.


Por dentro, o e-2008 mantém o i-Cockpit, a assinatura da marca: volante pequeno e baixo, quadro de instrumentos elevado, lido por cima do aro. A solução divide opiniões e pede ajuste cuidadoso do banco e da coluna de direção, sob pena de o volante encobrir parte dos mostradores. A central multimídia tem espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, e o porta-malas, de 434 litros segundo a ficha do modelo, é o mesmo da versão a combustão, porque a bateria fica sob o piso da cabine.
Na avaliação, os bancos ofereceram boa estrutura e apoio lateral adequado em trajetos mais longos. Quatro adultos viajam bem; o lugar central traseiro é o menos confortável, por causa do assoalho elevado. O acabamento combina materiais macios e detalhes em preto brilhante, mas a central multimídia peca pelas transições lentas e pela interface pouco intuitiva. No porta-malas, o fundo falso ajustável ajuda a organizar os cabos de recarga, e o banco traseiro rebate em 60/40.


A lista de assistências da versão GT inclui piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, leitura de placas, farol alto automático e detector de fadiga. O preço de lançamento, R$ 259.990, colocou o e-2008 numa faixa em que a concorrência, sobretudo a chinesa, oferecia mais autonomia por menos dinheiro. As vendas não acompanharam: em 2025, com poucas unidades emplacadas, o modelo deixou o catálogo brasileiro da Peugeot.

O e-2008 quis provar que a passagem para o elétrico podia acontecer sem mudar de carro, só de motor. A forma ficou de pé. A conta de autonomia e preço é que não fechou a tempo.
Ficha técnica: Peugeot e-2008 GT
- Motor: elétrico, dianteiro, 115 kW (cerca de 156 cv)
- Torque: 26,5 kgfm
- Câmbio e tração: redução única, tração dianteira
- Bateria: 54 kWh
- Autonomia: 261 km (PBEV/Inmetro)
- Recarga: até 100 kW em corrente contínua (cerca de 30 min até 80%); até 11 kW em corrente alternada
- Porta-malas: 434 litros
- Preço: R$ 259.990 no lançamento (outubro de 2024); fora de linha no Brasil desde 2025


