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50 Best 2026: Etxebarri é o novo nº 1 do mundo, e o Tuju, a surpresa de Lima

Fachada de pedra do Asador Etxebarri, no vilarejo de Axpe, no País Basco.

WAYFARER Gastronomia · Lima

O fogo venceu

O Asador Etxebarri é o número 1 do The 50 Best Restaurants 2026. O Tuju estreia em 16º com dois prêmios, o Lasai sobe a 25º e dezesseis nomes trocam de lugar entre os cinquenta.

Por Gabriel SilveiradoFotos The 50 Best Restaurants e divulgação
1ºAsador Etxebarri, Espanha
16ºTuju, entrada mais alta do ano
2brasileiros entre os 50, contra 1 em 2025
16nomes novos no top 50

Foram dois anos batendo na trave. Na noite de 4 de novembro, no Teatro Municipal de Lima, o Asador Etxebarri deixou o segundo lugar e virou o número 1 do The 50 Best Restaurants: uma casa de vilarejo basco, um chef há mais de trinta anos na brasa, nenhum truque. A surpresa veio de outro lugar. O paulistano Tuju saltou 54 posições, levou dois prêmios e ajudou a colocar o Brasil com dois nomes entre os 25 primeiros.

A noite em Lima

Teatro Municipal, 4 de novembro

Lima nem era o plano. A cerimônia foi anunciada em fevereiro para Abu Dhabi e mudou de endereço em julho, levando a premiação à América do Sul pela primeira vez em 24 anos. A marca também mudou: desde setembro, a organização se chama The 50. E o dono da casa ficou de fora por regulamento. O Maido, vencedor em Turim, entrou para o Best of the Best, o grupo de ex-campeões que não podem mais concorrer, e assistiu à sucessão na própria cidade.

A programação correu de 2 a 4 de novembro, com o fórum de debates e os jantares a quatro mãos em restaurantes locais. O ranking saiu dos votos de mais de 1.100 especialistas, divididos em 28 regiões, com auditoria da Deloitte. Cada votante aponta dez casas em que comeu nos 18 meses anteriores. A lista reuniu 28 territórios, contra 22 em 2025, e 14 cidades que não apareciam entre os cinquenta.

A ausência mais comentada foi a de Ana Roš, do esloveno Hiša Franko. Ela avisou no Instagram que não viajaria a Lima e disse que o sucesso no ranking depende cada vez mais da visibilidade dentro do próprio sistema. O detalhe: sua casa subiu mesmo assim, de 69º para 60º.

O vencedor

Asador Etxebarri, Axpe, País Basco

Etxebarri fica numa praça de vilarejo entre Bilbao e San Sebastián, a poucos passos da casa sem luz e sem gás em que Arguinzoniz cresceu. Não há cozinha molecular nem desconstrução. Há grelhas desenhadas pelo próprio chef, que passam por todos os 14 tempos do menu, da anchova sobre torrada ao sorvete de leite. O prato que todo mundo vai buscar é a costeleta bovina.

A casa só ficou fora da lista uma vez desde 2009. Com a vitória, a Espanha chega a quatro restaurantes diferentes no topo e nove títulos, somando elBulli, El Celler de Can Roca e Disfrutar. Na mesma noite, Ferran Adrià recebeu o prêmio Icon.

Costeleta bovina grelhada na brasa, prato central do menu do Asador Etxebarri.
O fogo como único argumento. Foto: The 50 Best Restaurants / divulgação

O alto da lista

Quem divide o topo

Prato à base de amêndoa verde do menu do Gaggan, em Bangcoc.2Gaggan, BangcocSobe do 6º lugar e leva o título de melhor da Ásia. Cozinha indiana progressiva e, desde 2026, celular proibido à mesa.
Interior do Alchemist, em Copenhague.3Alchemist, CopenhagueSobe do 5º. A partir de dezembro, fecha cinco meses por ano para pesquisa, em um período chamado Intermission.
Alfaces de Tepotzotlán em sikil pak com queijo e bushi de aipo-rábano, no Quintonil, Cidade do México.4Quintonil, Cidade do MéxicoCai uma posição, mas é o melhor da América Latina na lista, sem o Maido no caminho.
Sobremesa Theobromas Mater, do Kjolle, em Lima.7Kjolle, LimaA casa de Pía León sobe duas posições e é a melhor peruana da noite, jogando em casa.
Torta de sardinha do Kadeau, em Copenhague.8Kadeau, CopenhagueDe 41º para 8º: 33 posições e o prêmio de maior subida, com a despensa vinda da ilha de Bornholm.

Os brasileiros

Dois entre os 50, quatro entre os 100

Tuju, 16º: a noite do Brasil

Em 2025, o restaurante de Ivan Ralston e Katherina Cordás ocupava o 70º lugar. São 54 posições em um ano, e dois prêmios: Highest New Entry, dado à entrada mais alta entre os cinquenta, e Art of Hospitality, anunciado antes da cerimônia. Na lista de vencedores deste último publicada pela organização, que remonta a 2016, nenhuma casa latino-americana aparecia até agora.

O ano já vinha forte. Em abril, Tuju e Evvai se tornaram os primeiros três estrelas Michelin da América Latina. No Jardim Paulistano, o Tuju ocupa um prédio de três andares: bar-pátio em torno de uma jabuticabeira, salão com cozinha aberta e terraço para o fim da noite. Atende um terço dos clientes do antigo endereço, na Vila Madalena, e organiza o menu pelas chuvas de São Paulo, em quatro estações: Umidade, Chuva, Ventania e Seca. Soa como conceito, mas é calendário de compras.

Retrato do chef Ivan Ralston, do Tuju.
Ivan Ralston, em imagem do arquivo da WAYFARER (2019)
Fachada do Tuju, edifício de três andares no Jardim Paulistano, em São Paulo.
Três andares para receber poucos. Foto: Alberto Ricci / The 50 Best Restaurants
Prato do menu sazonal do Tuju, em São Paulo.
Tuju. Foto: Rubens Kato
Outro prato do menu do Tuju, em São Paulo.
Tuju. Foto: The 50 Best Restaurants

Lasai, 25º: dez lugares e uma mudança

O Lasai de Rafa Costa e Silva e Malena Cardiel sobe três posições depois de ter sido, em 2025, o único brasileiro entre os cinquenta. O formato é radical na sua simplicidade: dez pessoas por noite, um balcão em L no Humaitá e cerca de 15 etapas guiadas pelas duas hortas da casa.

Retrato do chef Rafa Costa e Silva, do Lasai.
Rafa Costa e Silva, em imagem do arquivo da WAYFARER (2025)

O endereço está de saída. O restaurante está de mudança para o 21º andar do Sofitel Ipanema, na Vieira Souto. A imprensa diverge sobre a data, entre meados de novembro e dezembro, e o Seu Dinheiro fala em 24 lugares, mais que o dobro do balcão atual. A próxima votação vai julgar, na prática, outra sala.

Salada de abóbora e cúrcuma do menu do Lasai, no Rio de Janeiro.
Abóbora e cúrcuma. Foto: Rubens Kato
Copa-lombo de porco moura glaceada com ervas frescas, no Lasai.
Porco moura e ervas frescas. Foto: Rubens Kato

Nelita, 54º: a entrada silenciosa

O Nelita, de Tássia Magalhães, não aparecia entre os cem em 2025 e chega direto ao 54º lugar, o segundo melhor resultado brasileiro. A cozinha é conduzida por uma equipe de mulheres, tem sotaque italiano e oferece carta ou menus longos no balcão de mármore. Tássia foi eleita melhor chef mulher da América Latina em dezembro.

Evvai, 68º: três estrelas, outra régua

O Evvai de Luiz Filipe Souza sobe 27 posições, de 95º para 68º, com a cozinha que ele chama de oriundi, ítalo-brasileira. A distância entre as três estrelas de abril e o 68º lugar diz mais sobre as listas do que sobre a casa: o guia manda inspetores, o ranking conta votos de quem viajou e comeu.

Imagem do Nelita, restaurante da chef Tássia Magalhães em São Paulo.
Nelita. Foto: Guia Michelin
Imagem do Evvai, restaurante de Luiz Filipe Souza em São Paulo.
Evvai. Foto: 50 Best / divulgação

O Brasil tem menos nomes na lista e mais peso nela.

Brasil, 2025 e 2026

Cinco nomes viraram quatro

RestauranteCidade20252026Movimento
TujuSão Paulo70º16ºsobe 54
LasaiRio de Janeiro28º25ºsobe 3
NelitaSão Paulofora54ºentra
EvvaiSão Paulo95º68ºsobe 27
OtequeRio de Janeiro81ºforasai
A Casa do PorcoSão Paulo83ºforasai

O saldo pede leitura dupla. No conjunto dos cem, o país perde uma casa. Entre os cinquenta, dobra, e o melhor colocado sobe de 28º para 16º. O recuo também tem história: em 2024, A Casa do Porco e o Oteque estavam em 27º e 37º, e no ano seguinte caíram para a lista estendida. Agora saíram dela, e a organização não comenta os motivos. O 16º do Tuju tampouco é um recorde: A Casa do Porco chegou ao 12º lugar em 2023.

Imagem do Oteque, no Rio de Janeiro.
Oteque, 81º em 2025. Foto: 50 Best / divulgação
Imagem d'A Casa do Porco, em São Paulo.
A Casa do Porco, 83º em 2025. Foto: 50 Best / divulgação

O que entrou e o que saiu

Top 50, de Turim a Lima

Dezesseis casas de 2025 deixaram os cinquenta, quase um terço da lista. Uma saiu por ter vencido, onze caíram para a faixa de 51 a 100 e quatro nem aparecem mais entre os cem. Entre os estreantes, a organização conta onze primeiras vezes e cinco retornos.

Entraram

  • 16 Tuju, São Paulo
  • 21 Meet the Bund, Xangai
  • 24 Al Gatto Verde, Modena
  • 26 Masque, Mumbai
  • 34 Le Coquillage, Saint-Méloir-des-Ondes
  • 35 La Colombe, Cidade do Cabo (retorno)
  • 36 Ru Yuan, Hangzhou
  • 37 Nuema, Quito
  • 39 Schloss Schauenstein, Fürstenau (retorno)
  • 40 Jordnær, Copenhague (retorno)
  • 41 Onjium, Seul
  • 42 Bozar, Bruxelas
  • 46 El Chato, Bogotá (retorno)
  • 47 Le Louis XV, Monte Carlo (retorno)
  • 49 Naar, Kasauli
  • 50 Saint Peter, Sydney

Saíram

  • Maido, Lima, era 1º: Best of the Best
  • Sézanne, Tóquio, era 7º: fora dos 100
  • Table by Bruno Verjus, Paris, era 8º: fora dos 100
  • Lido 84, Gardone Riviera, era 16º: fechou, fora dos 100
  • Orfali Bros, Dubai, era 37º: fora dos 100
  • Narisawa, Tóquio: de 21º a 59º
  • Le Du, Bangcoc: de 30º a 74º
  • Florilège, Tóquio: de 36º a 61º
  • Frantzén, Estocolmo: de 38º a 58º
  • Septime, Paris: de 40º a 81º
  • Belcanto, Lisboa: de 42º a 75º
  • Uliassi, Senigallia: de 43º a 51º
  • La Cime, Osaka: de 44º a 52º
  • Arpège, Paris: de 45º a 67º
  • Rosetta, Cidade do México: de 46º a 96º
  • Kol, Londres: de 49º a 70º

Quatro leituras do novo mapa

O Japão sumiu do alto. Eram quatro casas entre os cinquenta em 2025. Agora, nenhuma.

Paris encolheu. De quatro endereços para um, o Plénitude, em 10º.

A América Latina cresceu sem o campeão. Mesmo sem o Maido, a região passa de dez para onze casas entre os cinquenta. Lima fica com três, e Bangcoc, com cinco, segue como a cidade mais representada.

O topo mudou pouco, o meio mudou muito. Quatro dos cinco primeiros já estavam entre os seis de 2025. A oscilação está mais abaixo: Meet the Bund saltou de 94º para 21º, Al Gatto Verde de 92º para 24º e Jan de 50º para 19º, enquanto Potong caiu de 13º para 32º, Ikoyi de 15º para 48º e Don Julio de 10º para 44º.

Os prêmios da noite

Doze distinções, duas no Brasil

Highest New EntryTuju, São Paulo
Art of HospitalityTuju, São Paulo
Highest ClimberKadeau, Copenhague
Best Female ChefJessica Rosval, Al Gatto Verde
IconFerran Adrià
Chefs’ ChoiceJunghyun Park, Atomix
Best Pastry ChefDej Kewkacha, Bangcoc
Best SommelierLesley Liu, Odette
Sustainable RestaurantNaar, Kasauli
Champions of ChangeGhana Food Movement
One to WatchYiaga, Melbourne
ScholarshipDoris Lam

Como a imprensa leu

Cada lista, um país

A mesma lista rendeu manchetes diferentes. A Fine Dining Lovers, ligada à S.Pellegrino, patrocinadora do prêmio, destacou o Atomix no subtítulo, pensando no leitor americano. O El Comercio, de Lima, contou os peruanos. A Forbes Brasil e O Tempo, que acompanhou a noite no teatro, abriram com Tuju e Lasai. A Panrotas falou em dois restaurantes entre os 50.

A leitura mais dura veio de fora das redações. O escritor Liam Collens, em sua newsletter, tratou o Japão como a grande baixa e tomou o partido de Ana Roš, descrevendo a lista como um concurso de popularidade movido por relações públicas, ainda que útil como mapa. É uma opinião, e ele declara ser coautor do livro do Trèsind Studio, um dos listados. A organização afirma que restaurantes não podem fazer campanha e que os votos são confidenciais. O debate acompanha a lista há anos, e 2026 não o encerra.

A lista completa

1 a 50, com a posição de 2025
2026RestauranteCidade2025
1Asador EtxebarriAtxondo2
2GagganBangcoc6
3AlchemistCopenhague5
4QuintonilCidade do México3
5WingHong Kong11
6The ChairmanHong Kong19
7KjolleLima9
8KadeauCopenhague41
9DiverxoMadri4
10PlénitudeParis14
11AtomixNova York12
12SornBangcoc17
13MéritoLima26
14SühringBangcoc22
15OdetteSingapura25
16TujuSão Paulo70
17MinglesSeul29
18NusaraBangcoc35
19JanMunique50
20Piazza DuomoAlba32
21Meet the BundXangai94
22BoragóSantiago23
23VynSkillinge47
24Al Gatto VerdeModena92
25LasaiRio de Janeiro28
26MasqueMumbai68
27RealeCastel di Sangro18
28Trèsind StudioDubai27
29EnigmaBarcelona34
30SteirereckViena33
31CeleleCartagena48
32PotongBangcoc13
33ElkanoGetaria24
34Le CoquillageSaint-Méloir-des-Ondesentra
35La ColombeCidade do Caboretorno
36Ru YuanHangzhouentra
37NuemaQuitoentra
38Atelier MoessmerBrunico20
39Schloss SchauensteinFürstenau52
40JordnærCopenhague56
41OnjiumSeulentra
42BozarBruxelasentra
43Le CalandreRubano31
44Don JulioBuenos Aires10
45MaytaLima39
46El ChatoBogotáretorno
47Le Louis XV, Alain DucasseMonte Carloretorno
48IkoyiLondres15
49NaarKasaulientra
50Saint PeterSydneyentra
51 a 100

51 Uliassi · 52 La Cime · 53 Ling Long · 54 Nelita · 55 Alcalde · 56 Sazenka · 57 Koan · 58 Frantzén · 59 Narisawa · 60 Hiša Franko · 61 Florilège · 62 Fu He Hui · 63 The Jane · 64 Seroja · 65 Fyn · 66 Willem Hiele · 67 Arpège · 68 Evvai · 69 Cocina Hermanos Torres · 70 Kol · 71 Salsify at the Roundhouse · 72 Eatanic Garden · 73 Chef Tam’s Seasons · 74 Le Du · 75 Belcanto · 76 Nobelhart & Schmutzig · 77 Caprice · 78 Mosu · 79 Huniik · 80 Txispa · 81 Septime · 82 Coda · 83 The Ledbury · 84 Le Doyenné · 85 Tim Raue · 86 Eliane · 87 Arca · 88 FZN · 89 Burnt Ends · 90 Baan Tepa · 91 Den · 92 Lamdre · 93 SingleThread · 94 Neolokal · 95 Mil · 96 Rosetta · 97 Khufu’s · 98 Labyrinth · 99 Fauna · 100 Aponiente

Serviço: os brasileiros
Tuju
Rua Frei Galvão, 135, Jardim Paulistano, São Paulo. @tuju_sp
Lasai
Largo dos Leões, 35, Humaitá, Rio de Janeiro, até a mudança para o Sofitel Ipanema. lasai.com.br
Nelita
Baixo Pinheiros, São Paulo. Chef Tássia Magalhães.
Evvai
Rua Joaquim Antunes, Pinheiros, São Paulo. Chef Luiz Filipe Souza.

Foram dois anos batendo na trave até o fogo de Axpe chegar ao topo. O Tuju levou um ano para ir de 70º a 16º. Em dezembro, a versão latino-americana da lista sai em Guadalajara, e o Lasai deve estar em outra sala. O Etxebarri, ao que tudo indica, seguirá acendendo a mesma grelha.

Com informações de The 50, PR Newswire, Fine Dining Lovers, Forbes Brasil, O Tempo, Seu Dinheiro, Panrotas, El Comercio, Tageskarte e Liam Collens.

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER. São Paulo.
Fotos The 50 Best Restaurants, Alberto Ricci, Rubens Kato, Camila Novoa, Soren Reed e Guia Michelin
WAYFARER Gastronomia · Novembro de 2026

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