A BMW inicia 2026 com um movimento que redefine sua própria história ao assumir integralmente o controle da Alpina, seu mais lendário preparador. A partir de 1º de janeiro, a relação que por décadas simbolizou excelência artesanal e desempenho refinado passa a ganhar um novo capítulo, agora sob a forma de uma marca independente dentro do próprio grupo BMW.
Fundada em 1965, a Alpina construiu uma reputação singular ao interpretar os modelos BMW com precisão quase cirúrgica. Inicialmente dedicada ao aprimoramento técnico, a empresa deu um passo decisivo em 1978, quando passou a produzir veículos completos baseados na linha da marca bávara. Desde 1983, é reconhecida oficialmente como fabricante de automóveis na Alemanha, responsável por criações que se tornaram ícones entre entusiastas, combinando performance elevada, conforto superior e um senso de exclusividade que sempre a manteve à margem do óbvio.
Embora seus carros fossem registrados como Alpina, a distribuição e o serviço sempre estiveram integrados à rede oficial BMW, reforçando uma simbiose rara no setor automotivo. Ainda assim, a identidade da Alpina nunca se confundiu com a da marca-mãe. Ao contrário, construiu uma aura própria, marcada por escolhas estéticas discretas, soluções técnicas sofisticadas e um entendimento profundo do que significa luxo orientado ao prazer de dirigir.
A aquisição anunciada em março de 2022 já indicava que essa relação evoluiria. O acordo, que estendeu a parceria até o fim de 2025, abriu caminho para uma reorganização estratégica que agora se concretiza com o nascimento da BMW Alpina como marca. O novo nome vem acompanhado de um logotipo inspirado no emblemático grafismo assimétrico usado pela Alpina nos anos 1970, posicionado no centro da traseira dos veículos, enquanto a dianteira deve manter o tradicional emblema da BMW. A escolha sinaliza equilíbrio entre herança e continuidade.
Segundo a montadora, os futuros modelos ocuparão o topo de suas respectivas gamas e trarão desempenho máximo aliado a um portfólio exclusivo de opções sob medida. A proposta é clara: preservar o caráter artesanal e o refinamento técnico que consagraram a Alpina, agora com acesso pleno aos recursos industriais, tecnológicos e estratégicos do grupo BMW.
Ainda não há datas confirmadas para o lançamento dos primeiros modelos sob essa nova configuração, mas a expectativa do mercado é de que a BMW conduza a Alpina de maneira semelhante à estratégia adotada pela Mercedes-Benz com a Maybach. Projeções indicam que o primeiro BMW Alpina poderá ser derivado da Série 7, seguido por uma interpretação igualmente exclusiva do X7, reforçando o posicionamento no segmento mais elevado do luxo automotivo.
Mais do que uma simples aquisição, a consolidação da BMW Alpina representa a institucionalização de um legado. É o reconhecimento de que, em um mercado cada vez mais orientado por escala e eletrificação, ainda há espaço para marcas que falam diretamente aos conhecedores, àqueles que valorizam não apenas números, mas a harmonia entre engenharia, conforto e identidade.