A Jaguar encerrou oficialmente um capítulo central de sua história industrial ao concluir a produção do último Jaguar F-Pace em sua fábrica de Solihull, na Inglaterra. A informação, divulgada pela Autocar, marca o fim da era dos modelos a combustão da marca e abre espaço para uma transição definitiva rumo à eletrificação total de seu portfólio.

Lançado em 2016, o F-Pace tornou-se o modelo mais bem-sucedido da Jaguar em termos comerciais, com cerca de 300 mil unidades vendidas em mercados como Estados Unidos, China, Austrália e Europa. A decisão de descontinuá-lo faz parte de um plano anunciado em 2021, quando a empresa declarou a intenção de se tornar uma fabricante exclusivamente elétrica. Com o encerramento da produção de cupês e sedãs no início de 2024, a marca passa, neste momento, por um raro intervalo em que não mantém nenhum veículo em linha de produção para venda global.
A próxima fase, no entanto, já está delineada. A Jaguar prepara a apresentação da versão de produção de seu primeiro elétrico de nova geração, inspirada no conceito Type 00 revelado durante a Art Basel Miami. O projeto antecipa a nova linguagem estética e tecnológica da marca e sinaliza uma mudança profunda de posicionamento, com foco em desempenho, exclusividade e identidade visual marcante, desenvolvida sob a estrutura da Jaguar Land Rover.

Inicialmente previsto para estrear ainda em 2025, o modelo teve seu lançamento adiado para a próxima primavera no hemisfério norte. Em entrevista à imprensa internacional, o diretor executivo Rawdon Glover afirmou que o elétrico deverá ser o Jaguar mais potente já produzido, com início das encomendas previsto para coincidir com sua apresentação oficial e preço estimado em torno de 130 mil dólares. Detalhes técnicos seguem sob reserva, o que reforça a expectativa em torno do projeto.
O novo rumo da marca também vem acompanhado de movimentos internos relevantes. Recentemente, Gerry McGovern, diretor de design responsável pela identidade visual do Type 00 e por duas décadas de criações icônicas, deixou a empresa. A saída acrescenta um elemento de incerteza a um momento já decisivo, mas não diminui o peso simbólico da transição. Ao encerrar sua produção a combustão e apostar em uma nova geração de elétricos, a Jaguar sinaliza não apenas uma mudança tecnológica, mas uma redefinição completa de sua própria narrativa no cenário automotivo global.