A CES 2026 deixou claro que os robôs deixaram de ser um exercício distante de engenharia para assumir papéis cada vez mais definidos no cotidiano. Da automação doméstica à companhia emocional, passando pela limpeza inteligente e pela vigilância ambiental, a nova geração apresentada na feira revela diferentes categorias de robôs, cada uma com ambições específicas e implicações culturais próprias.

Robôs domésticos multifuncionais
Os robôs pensados para atuar dentro de casa foram os grandes protagonistas do evento. Com estruturas móveis, braços articulados e sensores avançados, esses dispositivos prometem assumir tarefas repetitivas e monitorar o ambiente de forma contínua. A proposta vai além da eficiência operacional e se aproxima de uma ideia de cuidado permanente, com robôs capazes de circular pelos cômodos, interagir com outros aparelhos inteligentes e responder a estímulos como temperatura, qualidade do ar e presença humana. Ainda que a visão de uma casa totalmente automatizada pareça distante, esses modelos indicam um avanço significativo na tentativa de reduzir o trabalho doméstico manual.

Robôs de companhia e interação emocional
Uma das categorias mais reveladoras da CES 2026 foi a dos robôs criados para oferecer companhia. Diferentemente dos assistentes tradicionais, esses dispositivos apostam em linguagem corporal, respostas afetivas e aprendizado contínuo para criar vínculos com os moradores. Superfícies táteis, movimentos cuidadosamente coreografados e expressões visuais amigáveis ajudam a reduzir a sensação de estranhamento. O objetivo não é substituir relações humanas, mas ocupar um espaço intermediário entre objeto funcional e presença emocional, refletindo uma sociedade cada vez mais aberta a novas formas de convivência com máquinas.


Robôs de limpeza e manutenção autônoma
A automação da limpeza doméstica deu um passo além com robôs capazes de se adaptar a ambientes mais complexos. Modelos que caminham, superam obstáculos e até sobem escadas apontam para um futuro em que a manutenção da casa se torna quase invisível. Essa categoria se destaca pelo avanço em navegação autônoma e tomada de decisão em tempo real, áreas nas quais a robótica doméstica costuma servir como campo de testes para tecnologias que depois se espalham por outros setores.

Robôs assistentes integrados a ecossistemas inteligentes
Outra vertente apresentada na feira foi a dos robôs que funcionam como extensões de ecossistemas tecnológicos maiores. Integrados a fechaduras, iluminação, sistemas de segurança e dispositivos vestíveis, esses robôs atuam como hubs físicos da inteligência artificial, conectando dados e ações em um único ponto. A promessa é oferecer uma experiência mais fluida e personalizada, desde a gestão da casa até o acompanhamento da rotina dos usuários. Ao mesmo tempo, essa integração levanta discussões sobre dependência tecnológica e centralização de dados.

Robôs experimentais e conceituais
Por fim, a CES 2026 também abriu espaço para robôs de caráter mais experimental. Alguns ainda em estágio de protótipo, esses modelos exploram novas formas de mobilidade, interação e design, sem necessariamente ter aplicação imediata. Funcionam como laboratórios abertos de ideias, indicando caminhos possíveis para a robótica nos próximos anos e reforçando o papel da feira como um território de experimentação.

Ao separar os robôs por funções e propósitos, fica evidente que a robótica contemporânea não segue uma única direção. Ela se fragmenta em soluções específicas, adaptadas a diferentes necessidades e estilos de vida. A CES 2026 mostrou que o futuro não será dominado por um robô universal, mas por uma constelação de máquinas especializadas, cada uma redefinindo, à sua maneira, a relação entre tecnologia e cotidiano.