Nas redes sociais, a Diet Coke ganhou um novo status cultural. Não é mais apenas um refrigerante de baixa caloria, mas um símbolo de hábito, prazer e, para muitos, um pequeno ritual cotidiano. No TikTok e no Instagram, vídeos ironizam o consumo da bebida como se fosse uma “pausa para o cigarro”, comparando a Coca Light ao que seria a “sigaretta dos millennials”. A analogia é provocativa, visualmente forte e fácil de viralizar. Mas até que ponto ela se sustenta fora do discurso digital?
Do ponto de vista científico, o consumo regular de bebidas dietéticas gaseificadas, como a Diet Coke, de fato levanta questionamentos. Não por causar danos imediatos ou comparáveis aos do tabagismo, mas por efeitos sutis e cumulativos quando ingeridas com frequência. Nutricionistas explicam que a bebida não contém açúcar nem calorias e tampouco eleva a glicemia ou estimula a produção de insulina. Também não há evidências de que o consumo moderado esteja associado ao desenvolvimento de câncer, o que desmonta uma das comparações mais alarmistas feitas nas redes.
O debate real começa quando se observa o impacto dos adoçantes artificiais, especialmente o aspartame, presente na fórmula da Diet Coke. Estudos recentes sugerem que o consumo frequente desses adoçantes pode estar associado a alterações cognitivas, envelhecimento celular acelerado e maior risco de complicações metabólicas em determinados grupos. Além disso, há indícios de que o uso constante de bebidas dietéticas pode influenciar a percepção do paladar, estimulando o desejo por sabores cada vez mais doces.
Outros efeitos também entram na equação. Inchaço abdominal, refluxo ácido, desgaste do esmalte dentário e alterações no sono relacionadas à cafeína são queixas recorrentes entre consumidores habituais. Em longo prazo, a presença de ácido fosfórico, sódio e cafeína pode interferir na absorção de cálcio, afetando a saúde óssea, especialmente em mulheres e jovens. No sistema digestivo, o consumo diário pode contribuir para desequilíbrios do microbioma intestinal, favorecendo desconfortos como gases, diarreia e irritação gastrointestinal.
Ainda assim, especialistas são categóricos ao afirmar que a comparação entre Diet Coke e cigarro é exagerada. Diferentemente do tabaco, que provoca danos diretos e progressivos desde o primeiro uso, a Coca Light não gera efeitos tóxicos imediatos nem alterações irreversíveis quando consumida ocasionalmente. Os adoçantes artificiais são rapidamente eliminados pelo organismo e, em doses consideradas normais, não apresentam toxicidade comprovada.
O ponto central, portanto, não está na bebida em si, mas na frequência e no contexto de consumo. A Diet Coke não deve substituir a água nem se tornar uma fonte diária de hidratação. Consumida de forma pontual, como um agrado eventual e consciente, ela pode coexistir com um estilo de vida equilibrado sem grandes prejuízos. A recomendação mais comum entre nutricionistas é limitar o consumo a poucas vezes por semana, preservando o caráter de exceção e não de hábito automático.
A ideia de que a Diet Coke seria a “sigaretta dos millennials” funciona bem como metáfora cultural, mas falha como diagnóstico de saúde. Mais do que demonizar a bebida ou transformá-la em vilã geracional, o debate convida a uma reflexão mais ampla sobre comportamento, moderação e a forma como pequenos prazeres cotidianos se acumulam ao longo do tempo. No fim, a ciência aponta menos para a proibição e mais para a escolha consciente. E, nesse cenário, saber quando e por que se abre uma lata talvez seja mais importante do que a lata em si.