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Ferrari Luce inaugura uma nova era elétrica para a marca

A Ferrari entrou oficialmente em um novo capítulo de sua história. A marca de Maranello revelou o nome de seu primeiro modelo totalmente elétrico, Ferrari Luce, e, junto com ele, apresentou uma visão inédita sobre como tradição, tecnologia e sensibilidade estética podem coexistir em um automóvel movido a eletricidade.

O nome Luce, que em italiano significa luz, não foi escolhido por acaso. Ele traduz a ideia central do projeto, que busca leveza visual, clareza de uso e uma nova relação emocional entre o motorista e o carro. Mais do que um exercício tecnológico, o Luce nasce como um manifesto de design e experiência, reafirmando a Ferrari como referência na interseção entre forma e função.

Para esse projeto, a Ferrari firmou uma de suas colaborações mais ousadas deste século ao se unir à LoveFrom, estúdio de design liderado por Sir Jony Ive e Marc Newson. Ambos são nomes fundamentais do design contemporâneo, conhecidos por uma abordagem que valoriza materiais, tato e simplicidade funcional. A parceria marca um movimento pouco comum na história recente da marca, que tradicionalmente desenvolve seus interiores de forma interna, sob a liderança do Centro Stile Ferrari.

O interior do Ferrari Luce foi o primeiro elemento revelado ao público de forma mais detalhada. Em vez de seguir a lógica predominante dos veículos elétricos, que privilegia grandes telas e interfaces totalmente digitais, o projeto propõe um equilíbrio cuidadoso entre o analógico e o digital. A cabine foi pensada para ser intuitiva, física e emocionalmente conectada ao motorista, recuperando sensações que fazem parte da memória afetiva dos Ferraris clássicos.

O painel de controle se destaca como um dos pontos centrais dessa filosofia. Ele abriga um display multifuncional capaz de alternar entre relógio, cronógrafo, bússola e indicadores de performance, mas com ponteiros reais em alumínio anodizado, acionados por motores independentes. Essa solução cria um diálogo raro entre tecnologia de ponta e relojoaria tradicional, algo que remete diretamente ao universo de precisão e artesanato associado à marca.

Outro elemento-chave é a ergonomia. O painel pode ser girado levemente em direção ao motorista ou ao passageiro, facilitando o uso em movimento. A presença de uma alça integrada funciona como apoio para a mão, permitindo que os comandos sejam acionados pelo tato, sem a necessidade de desviar o olhar da estrada. É uma solução simples, mas profundamente pensada, que reforça a ideia de controle intuitivo.

O conjunto de instrumentos também segue essa lógica híbrida. Totalmente digital, ele utiliza tecnologia OLED desenvolvida em parceria com a Samsung, mas sua apresentação visual faz referência direta aos mostradores clássicos Veglia e Jaeger que equiparam os Ferraris do século passado. Camadas sobrepostas de telas, lentes convexas de vidro e molduras em alumínio criam profundidade e sofisticação, transformando informação em experiência visual.

O volante mantém o icônico formato de três raios, reinterpretado para acomodar novos módulos de controle. Nele estão integrados os modos de condução elétrica, os ajustes de performance e o tradicional manettino, tudo organizado de forma discreta e funcional. Fabricado inteiramente em alumínio reciclado, o volante simboliza a união entre herança, sustentabilidade e inovação.

Materiais desempenham um papel central na narrativa do Luce. Vidro Corning está presente em botões, telas e no console central, reforçando a sensação de precisão e refinamento. A chave do veículo, feita em vidro com tecnologia de tinta eletrônica, muda de cor ao ser encaixada no console, ativando os sistemas do carro em uma sequência quase cerimonial. O seletor de marchas, também em vidro, exigiu milhares de microperfurações a laser para alcançar a iluminação ideal, além de meses de desenvolvimento para atingir a sensação tátil desejada.

Os bancos completam o interior com uma interpretação contemporânea dos assentos clássicos da Ferrari, como os do Daytona. Esculturais, elegantes e minimalistas, eles refletem a experiência de Marc Newson no design de mobiliário, trazendo conforto sem excessos visuais.

Para a Ferrari, o Luce não é apenas mais um modelo em sua gama. Ele representa uma ruptura consciente com fórmulas prontas e uma resposta autoral à eletrificação. Segundo a equipe de design da marca, a proposta foi imaginar um Ferrari verdadeiramente diferente, capaz de traduzir uma tecnologia inédita em uma linguagem estética igualmente singular.

A apresentação completa do Ferrari Luce está prevista para maio, quando o modelo final será revelado ao público. Até lá, o que já se sabe é suficiente para indicar que a Ferrari não pretende apenas acompanhar a transição elétrica, mas redefini-la sob sua própria luz.

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