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O herdeiro da Ed Hardy escolhe a noite de São Paulo para estrear a própria marca

Filho do designer que transformou Ed Hardy e Von Dutch em fenômenos globais, Dylan lança a Baby Audigier com uma festa no Teatro Mars, neste sábado, 17 de outubro. Rap, funk paulistano e eletrônico, das 22h às 6h.
Dylan Audigier, Audigier Party em São Paulo Dylan Audigier, Audigier Party em São Paulo
Foto: Divulgação

WAYFARER · Eventos | São Paulo

Há sobrenomes que abrem portas. E há sobrenomes que pesam. Dylan carrega um dos dois, talvez os dois ao mesmo tempo, e decidiu resolver a questão do jeito mais direto possível: apagando as luzes de um teatro em São Paulo e deixando a pista falar por ele.

Neste sábado, 17 de outubro, o filho de Christian Audigier apresenta a nova coleção da sua marca, a Baby Audigier, numa festa que começa às dez da noite e só termina com o dia claro. O endereço é o Teatro Mars, na Bela Vista. O convite não é para ver roupas penduradas, é para vê-las em movimento.

A noite em 30 segundos

  • O quê: festa de lançamento da nova coleção da Baby Audigier
  • Quem assina: Dylan, filho do criador por trás do auge de Ed Hardy e Von Dutch
  • Quando: sábado, 17 de outubro, das 22h às 6h
  • Onde: Teatro Mars, Bela Vista
  • Na cabine: Bassan, d.silvestre, DJ Keu, JOBSORATO e Vhulto

I. O pai

Quando a tatuagem virou vitrine

Para entender o filho, é preciso voltar aos anos 2000. Foi ali que o francês Christian Audigier fez o improvável: pegou o boné de caminhoneiro da Von Dutch e os desenhos do tatuador Don Ed Hardy, coisas que viviam à margem, e os transformou em objetos de desejo vestidos por meio mundo. Carpas, tigres, caveiras e rosas saíram da pele para as camisetas, e das camisetas para os tapetes vermelhos de Hollywood.

Era uma moda sem pudor de aparecer, construída sobre uma intuição simples e, na época, ousada: a de que a cultura de rua podia ser tratada como luxo. Christian morreu em 2015, aos 57 anos. A estética que ele empurrou para o centro, depois de anos tratada como excesso de uma década, voltou a circular com força na onda de nostalgia dos anos 2000.

Dylan cresceu dentro dessa engrenagem, nos bastidores de desfiles em Los Angeles, ao lado do pai. E fala da herança com a calma de quem já fez as contas. “Ele me ensinou que a arte de tatuagem e o streetwear poderiam ser itens de luxo se você acreditasse o bastante. Me ensinou que a moda é narrativa.”

“A Ed Hardy foi a rebelião dele. A Baby Audigier é a minha.”

II. A mãe

O Brasil como ponto de partida

Se o pai explica o ofício, a mãe explica o endereço. Ira, mãe de Dylan, é brasileira, e é por ela que a estreia acontece aqui e não em Los Angeles ou Paris. “O Brasil está no meu sangue. Sinto que estou voltando para casa.”

O afeto vem acompanhado de leitura de cena, e ela é afiada. Para Dylan, São Paulo vive agora o que Los Angeles viveu anos atrás: aquele momento raro em que música, moda e cultura urbana deixam de ser mundos vizinhos e passam a ocupar a mesma calçada. É na capital paulista, diz ele, que está surgindo a cultura de rua mais vanguardista do momento. O funk paulistano, o hip-hop e a música eletrônica não entram na marca como referência. Entram como matéria-prima.

“São Paulo agora tem a mesma energia que Los Angeles tinha anos atrás.”

III. A marca

Roupa que só existe depois da meia-noite

Um lançamento tradicional teria araras, catálogo e convidados com taças na mão. Dylan descartou tudo isso. A Baby Audigier, na definição dele, não foi feita para a vida doméstica nem para a fotografia de estúdio. “A moda vive na noite. Ninguém usa Baby Audigier para ficar em casa. Essas peças foram feitas para serem vistas.”

A festa, portanto, não é um acessório do lançamento. É o próprio lançamento. A ideia é colocar as peças diante de quem vai realmente usá-las, artistas, gente de moda, quem sai de casa disposto a ser notado, e deixar que o resto aconteça. “Uma marca não é só tecido num cabide, é um momento do qual você quer participar. Numa festa, as roupas fazem muito mais sentido do que nas páginas de um catálogo.”

No centro de tudo está a música. “Baby Audigier foi criada com música dentro dela”, diz. E resume a filosofia inteira em seis palavras.

“Moda é a imagem. Música é o coração.”

IV. A noite

Oito horas de pista, cinco nomes na cabine

O line-up foi escolhido pelo próprio Dylan, um por um, e funciona como um mapa sonoro da cidade que ele quer vestir. Bassan, d.silvestre, DJ Keu, JOBSORATO e Vhulto se revezam entre o rap, o funk paulistano e a eletrônica, as três frequências que, para ele, explicam a São Paulo de agora.

O palco é o Teatro Mars, na Bela Vista, um teatro que aprendeu a funcionar como pista. São oito horas de noite, das 22h às 6h, tempo suficiente para que as roupas façam exatamente o que o criador espera delas: sejam vistas.


“Não estou recriando o que ele fez. Estou provando que eu posso fazê-lo também.” O pai levou a tatuagem de Los Angeles para o mundo inteiro. O filho faz o caminho de volta: atravessa o continente até a terra da mãe, apaga as luzes de um teatro e espera, com a música alta, que o sábado amanheça. Sobrenomes pesam. Mas também dançam.

Para estar lá

  • Audigier Party, com Bassan, d.silvestre, DJ Keu, JOBSORATO e Vhulto
  • Quando: sábado, 17 de outubro, das 22h às 6h
  • Onde: Teatro Mars, Rua João Passalaqua, 80, Bela Vista, São Paulo
  • Ingressos: shotgun.live

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER. São Paulo.
Fotos: Divulgação / RED Assessoria

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