Em setembro de 2025, a Polônia abre as portas para celebrar um de seus filhos mais ilustres, o arquiteto e designer Jorge Zalszupin. A exposição “Jorge Zalszupin: Warsaw – São Paulo – Warsaw” inaugura na Villa Gawrońskich, em Varsóvia, e marca a primeira retrospectiva individual do criador fora do Brasil. A iniciativa é fruto da colaboração entre a ETEL, a Casa Zalszupin e a Visteria Foundation, fundada por Kasia Jordan, responsável pelo lançamento da Vogue Polska.

A mostra oferece um mergulho na obra multifacetada de Zalszupin, reunindo mais de 25 peças de mobiliário, 40 desenhos originais e uma seleção de fotografias que retratam a trajetória de um criador que soube unir rigor estético, inovação técnica e sensibilidade cultural. O espaço escolhido, a Villa Gawrońskich, carrega em sua própria história o simbolismo da memória e da resiliência: construída nos anos 1920 em estilo neo-barroco, foi danificada na Segunda Guerra Mundial e reconstruída no pós-guerra, mantendo até hoje sua aura original.


A biografia de Jorge Zalszupin confunde-se com a história da migração e da reinvenção. Nascido em Varsóvia, atravessou Bucareste e Paris durante os anos de guerra, chegando ao Brasil em 1949. No país, encontrou um terreno fértil para desenvolver sua visão modernista. Ao longo de mais de seis décadas, consolidou uma linguagem autoral marcada pela integração entre modernidade e funcionalidade, traduzindo o espírito de um Brasil em transformação. O retorno de sua obra à cidade natal é, portanto, carregado de significado simbólico e afetivo.


A curadoria assinada por Maria Murawsky e Lissa Carmona reforça o elo entre a memória polonesa e a consolidação de Zalszupin como ícone do design brasileiro. Sob a direção de Etel Carmona e sua filha, Lissa, a ETEL tem desempenhado um papel fundamental na preservação e reedição das criações modernistas brasileiras, posicionando-se como guardiã da história do design no cenário internacional. A empresa resgata peças de forte caráter artesanal, elaboradas com matérias-primas nobres, sempre com olhar atento à sustentabilidade.

A exposição não apenas revisita a obra de um mestre, mas também traça uma ponte entre continentes, culturas e gerações. É um gesto de reconciliação entre origem e destino, memória e futuro, celebrando o legado de Jorge Zalszupin como intérprete singular do modernismo e como um dos maiores embaixadores da criatividade brasileira no mundo.
