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Joias que moldaram gerações: símbolos de poder, desejo e identidade

Um novo livro da Phaidon, The Jewelry Book, surge como um tributo à arte da joalheria e à sua força transformadora ao longo dos últimos duzentos anos. A publicação, editada por Melanie Grant, propõe uma reflexão sobre o que torna uma peça verdadeiramente icônica. Mais do que o valor dos metais ou o brilho das pedras, a resposta está na capacidade de uma joia de influenciar, deslocar paradigmas e contribuir para a evolução do ofício.

Grant, reconhecida por seu olhar curatorial aguçado, reuniu no volume nomes consagrados e vozes emergentes, construindo uma narrativa visual e histórica que atravessa culturas, movimentos artísticos e épocas. De casas lendárias como Van Cleef & Arpels, Cartier e Tiffany & Co. a designers contemporâneos que desafiam convenções, o livro propõe uma leitura abrangente da joalheria enquanto expressão de identidade e liberdade criativa.

Entre os destaques modernos, aparecem as correntes de argilito de Joe Sheehan e os colares de John Moore, feitos com Morphit, um material inovador que combina argila e papel reciclado, evidenciando uma nova geração de artistas que unem sustentabilidade e estética. O livro também reserva espaço a criadores que transitaram entre as artes plásticas e a joalheria, como Louise Bourgeois e Salvador Dalí, demonstrando como o gesto artístico pode ser traduzido em metal, pedra e forma.

Melanie Grant explica que a seleção buscou abarcar diferentes escalas e origens, contemplando desde grandes marcas até artistas independentes, bem como todas as categorias do fazer joalheiro: da alta joalheria à fantasia, do histórico ao contemporâneo. Essa diversidade cria um diálogo entre épocas e estilos, revelando um fio condutor de criatividade que atravessa os séculos.

O livro também presta homenagem a ícones que transformaram o uso da joia em linguagem pessoal. Imagens marcantes como a de Diana Vreeland com seus emblemáticos braceletes de guerreira ou os anéis escultóricos de Johnny Nelson usados por Aurora Anthony evocam a dimensão performática da joalheria, símbolo de poder, expressão e arte.

A publicação inclui ainda peças únicas de casas que continuam a desafiar os limites da técnica, como o colar da coleção ME, de Nikos Koulis, com 9,13 quilates de diamantes em forma de pera engastados em ouro amarelo escovado, e o bracelete da Hemmerle, elaborado em ferro e ouro branco com um diamante de mais de 16 quilates. Obras que unem tradição, experimentação e uma busca incessante pela beleza.

Grant encerra com uma reflexão sobre o papel da joalheria em um mundo em constante mutação. Para ela, o mercado pode ser desafiador, mas sua essência permanece cíclica. A profundidade simbólica das joias, diz, deriva justamente de sua longevidade e de seu poder de atravessar o tempo como arte material.

The Jewelry Book, publicado pela Phaidon, é mais do que um compêndio de peças extraordinárias. É um retrato da humanidade em sua forma mais adornada, onde o brilho não está apenas no ouro, mas na história, no gesto e na ideia que cada criação carrega.

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