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Queen II retorna em edição deluxe com novas mixagens e gravações raras

Quatro décadas depois de sua criação, Queen II retorna ao centro da narrativa musical como um dos marcos mais decisivos da trajetória do Queen. O segundo álbum da banda britânica será relançado em 27 de março em uma edição deluxe abrangente, reunindo novas mixagens, gravações raras e registros ao vivo que revelam, com clareza inédita, o momento em que o grupo deixou de ser uma promessa para se afirmar como uma força criativa singular no rock.

Lançado originalmente em 1974, Queen II representou uma ruptura estética e técnica. Foi nesse trabalho que o quarteto formado por Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon passou a explorar plenamente sua própria linguagem, abandonando limitações externas e consolidando uma abordagem ambiciosa, marcada por sobreposições vocais elaboradas, estruturas não convencionais e uma teatralidade que se tornaria assinatura da banda. Para May, o álbum simbolizou o maior salto criativo do grupo até então, o instante em que a música finalmente passou a refletir sua identidade artística com liberdade absoluta.

A nova edição, intitulada Queen II Collector’s Edition, será lançada em um box com cinco CDs e dois LPs. Entre os destaques está uma mixagem completamente revisada em 2026, que amplia a profundidade sonora e evidencia nuances antes ocultas. O material inclui também gravações de sessões originais, demos raros, faixas de apoio isoladas e registros históricos feitos para a BBC entre 1973 e 1974, além de apresentações ao vivo captadas em momentos decisivos da ascensão da banda.

Mais do que uma simples remasterização, o projeto funciona como um documento arqueológico da construção estética do Queen. As sessões revelam versões embrionárias de composições que mais tarde se tornariam fundamentais em seu repertório, assim como fragmentos de processos criativos, conversas de estúdio e experimentações técnicas que ajudaram a moldar o som grandioso e multifacetado que definiria o grupo ao longo das décadas seguintes.

A estrutura conceitual original do álbum permanece um dos seus elementos mais emblemáticos. Em vez da divisão tradicional entre dois lados, o disco foi organizado em “Side White” e “Side Black”, refletindo a dualidade criativa entre os integrantes e a dimensão quase narrativa da obra. Essa abordagem antecipou o senso de dramaturgia musical que o Queen levaria a um novo patamar no ano seguinte com “Bohemian Rhapsody”, consolidando sua reputação como arquitetos de uma estética que transitava entre o rock, a ópera e o imaginário cinematográfico.

A capa, fotografada por Mick Rock, tornou-se uma das imagens mais icônicas da história da música. O retrato dramático dos quatro integrantes emergindo da escuridão não apenas definiu a identidade visual da banda naquele momento, como também se transformou em um símbolo duradouro de sua aura artística. A imagem seria posteriormente recriada em um dos videoclipes mais célebres do século XX, reforçando o vínculo entre Queen II e a construção da mitologia visual do grupo.

Para os fãs e para a história do rock, o relançamento oferece mais do que nostalgia. Ele permite revisitar o momento exato em que o Queen começou a transcender o formato convencional de uma banda e a construir um universo próprio. Ao revelar com precisão renovada a complexidade e a ambição daquele período, a nova edição reafirma Queen II como o ponto de origem de uma identidade que redefiniria os limites da música popular contemporânea.

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