Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
Poucas figuras da moda são reconhecíveis pela silhueta. Donatella Versace é uma delas: o loiro platinado, a voz rouca, a postura de quem atravessou tragédias sem baixar os olhos.
Nascida em Reggio Calabria, em 1955, ela herdou a direção criativa da Versace em 1997, depois que o irmão e fundador, Gianni, foi assassinado na porta de sua casa em Miami. Da noite para o dia, passou a responder por uma marca que tinha vestido as supermodelos dos anos 1990 e definido uma década inteira de sensualidade italiana.
Foram quase 28 anos no comando criativo. Em março de 2025, Donatella anunciou que deixaria o posto e assumiria o papel de embaixadora-chefe da marca. Em dezembro do mesmo ano, o Grupo Prada concluiu a compra da Versace, até então do grupo Capri, e em fevereiro de 2026 anunciou o belga Pieter Mulier, ex-Alaïa, como novo diretor criativo, com início em 1º de julho de 2026. O capítulo mudou. A personagem continua.

Sete detalhes ajudam a entender quem é a mulher por trás do nome.
1. Uma família marcada por perdas
Gianni não foi a primeira perda da família. Os Versace tiveram uma irmã, Tina, que morreu aos 12 anos em decorrência de uma infecção de tétano mal tratada.

2. A moda veio de casa
A mãe, Francesca, era costureira e tinha uma boutique em Reggio Calabria. Foi ali, entre moldes e tecidos, que os irmãos aprenderam o ofício antes de levá-lo para Milão.

3. O loiro foi ideia de Gianni
O visual mais reconhecível da moda italiana começou quando ela tinha 11 anos: Gianni a incentivou a descolorir o cabelo em homenagem à cantora Patty Pravo, de quem era admirador. O platinado nunca mais saiu.
4. O vestido que inventou uma busca
No Grammy de 2000, Jennifer Lopez usou o vestido verde de estampa selvagem da Versace, o chamado Jungle Dress. A imagem circulou tanto que é frequentemente citada como uma das inspirações para a criação da busca de imagens do Google. Era exatamente a aliança entre marca e celebridade que Donatella buscava.

5. Uma canção com seu nome
Lady Gaga dedicou a ela a faixa “Donatella”, do álbum Artpop, de 2013. A relação entre as duas vai além da homenagem: a Versace assinou figurinos para a cantora ao longo dos anos.
6. Rosto de outra maison
Em 2015, Riccardo Tisci, então à frente da Givenchy, a convidou para estrelar uma campanha da marca francesa. Poucas diretoras criativas aceitariam posar para uma concorrente. Donatella aceitou, e o gesto disse muito sobre sua segurança.

7. A família como núcleo
Foi casada de 1983 a 2000 com o ex-modelo americano Paul Beck, com quem teve dois filhos, Allegra e Daniel. Por testamento de Gianni, Allegra herdou metade da empresa. Em 2018, a família vendeu a Versace ao grupo americano Capri, de quem a Prada compraria a marca sete anos depois.

O comando criativo passou adiante, a empresa mudou de dono, a Medusa ganhou outro guardião. Mas quando se pensa em Versace, a primeira imagem ainda é a mesma: o loiro platinado, a voz rouca, a postura de quem nunca baixou os olhos.
Redação WAYFARER
