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Seis road trips pela América do Sul

Da Serra do Rio do Rastro aos Caracoles andinos, passando pelo litoral uruguaio, a Estrada Real e a Rota das Emoções: seis roteiros em que o caminho é a razão da viagem.

Nota editorial: publicada originalmente em 2020 e atualizada em setembro de 2026.

Há viagens que começam no destino. E há as que começam no primeiro quilômetro. A América do Sul pertence ao segundo grupo: um continente em que a estrada, de serras a desertos de dunas e passagens andinas, costuma ser a razão da viagem e não apenas o caminho até ela.

Os seis roteiros abaixo misturam trechos nacionais e internacionais, curtos e longos, fáceis e exigentes. Em comum, a mesma recompensa: paisagens que só se revelam a quem vai no próprio ritmo.

Serra do Rio do Rastro, SC-390, Santa Catarina

Entre Lauro Müller e Bom Jardim da Serra, a SC-390 sobe a escarpa em uma sequência de curvas fechadas que virou um dos cartões-postais do Sul do país. No alto, o mirante, a cerca de 1.460 metros de altitude, entrega a vista inteira do traçado serpenteando na encosta, especialmente bonita ao fim da tarde, quando a serra ganha sombra e as luzes da estrada começam a acender. A rodovia recebe interdições pontuais para provas esportivas e em dias de neblina densa ou chuva forte, então vale checar as condições antes de subir.

Litoral do Uruguai, de Chuí a Punta del Este

Para quem parte do Sul, o Uruguai é o destino internacional mais natural por terra. A entrada pelo Chuí leva direto ao litoral leste, com paradas em Punta del Diablo, José Ignacio e, por fim, Punta del Este. Na Playa Mansa fica o complexo que funcionou por anos como Conrad e depois como Enjoy, cuja venda ao grupo brasileiro JHSF foi anunciada em 2026, com planos de conversão para a bandeira Fasano. Casa Pueblo, a obra branca de Carlos Páez Vilaró sobre as pedras de Punta Ballena, é parada obrigatória ao pôr do sol. Com tempo, a estrada segue para Montevidéu e Colonia del Sacramento.

Estrada Real, de São Paulo a Paraty

A Estrada Real reúne os caminhos coloniais que ligavam as minas de Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro e de São Paulo, somando cerca de 1.630 quilômetros. Para uma viagem mais curta, o trecho paulista até Paraty é o mais indicado: passa por Guaratinguetá e Cunha, cidade de ateliês de cerâmica e de altitude amena, antes de descer a serra rumo ao mar. Em Cunha, o Lavandário, campo de lavandas aberto à visitação em datas e horários definidos no site da propriedade, rende uma pausa perfumada no meio do caminho.

Rumo a Buenos Aires, pelo Sul e pelo Uruguai

A viagem até a capital argentina pode ser, ela mesma, uma sucessão de destinos. No Rio Grande do Sul, a Rota Romântica atravessa cidades de colonização alemã do Vale dos Sinos e da Serra Gaúcha. Do outro lado da fronteira, o litoral uruguaio e Colonia del Sacramento preparam a chegada, feita pela travessia de balsa do Rio da Prata, com o carro a bordo. Ou, para quem prefere não sair do asfalto, pela fronteira terrestre argentina e a longa reta até a cidade.

Rota das Emoções, Maranhão, Piauí e Ceará

O circuito que liga os Lençóis Maranhenses, o Delta do Parnaíba e Jericoacoara é o grande roteiro de estrada do Nordeste. Parte dele se faz no asfalto, parte exige veículo 4×4 e guias locais, sobretudo nos trechos de areia e nas travessias do delta. As lagoas dos Lençóis estão mais cheias entre junho e setembro, e é essa janela que costuma definir a data da viagem.

Los Caracoles, Chile

No lado chileno do Paso Los Libertadores, principal ligação rodoviária entre Santiago e Mendoza, a estrada vence a cordilheira em 29 curvas em cotovelo empilhadas na encosta, até passar dos 3.000 metros de altitude perto da fronteira. É um trecho de caminhões pesados, pista estreita e tempo instável: no inverno, nevascas fecham a passagem com frequência, e a consulta ao boletim oficial antes de sair é indispensável. Na subida, a estação de esqui de Portillo, à beira da Laguna del Inca, merece a parada.

A estrada, no fim, é uma forma de tempo. Cada um desses roteiros pede o mesmo: janela aberta, pouca pressa e disposição para descobrir que, em certos lugares, o caminho é o próprio destino.

Redação WAYFARER

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