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WAYFARER · PEOPLE

Gwyneth Paltrow compartilha seus rituais e escolhas para bem-estar em viagens

Gwyneth Paltrow fala de seus rituais de viagem, da caminhada à hidratação, dos verões na Úmbria e da instalação The Forest Within, que montou na Genesis House, no Meatpacking District de Nova York.

Por Gabriel Silveirado14 maio, 2025

Em tempos em que viajar parece cada vez mais uma maratona de estímulos, filas e notificações incessantes, Gwyneth Paltrow propõe uma abordagem distinta (quase meditativa) para se estar no mundo. Atriz, empresária e fundadora da Goop, ela tem transformado suas vivências em verdadeiros rituais de presença. Em sua mais recente colaboração, a instalação The Forest Within, montada no Genesis House no Meatpacking District, em Nova York, Paltrow oferece uma espécie de refúgio sensorial urbano, fundindo natureza, tecnologia e bem-estar em uma experiência imersiva.

Mais do que um exercício de estilo, a instalação reflete uma inquietação contemporânea. “Estamos em um momento de inflexão cultural, com excesso de informações o tempo todo. Nossos sistemas nervosos não foram feitos para isso”, afirmou, durante a inauguração. O projeto (adornado por peônias, pedras iluminadas por LED e o aroma de chuva na terra) convida à pausa, ao silêncio e ao reencontro consigo mesmo. Uma meditação guiada com sua voz conduz os visitantes a esse mergulho interior. “Mesmo em Nova York, é possível encontrar um espaço de quietude”, completa.

Essa busca pelo equilíbrio não se restringe aos projetos artísticos. Ela também permeia sua maneira de explorar o mundo. Para Paltrow, a chave está em aceitar a imprevisibilidade. “Entro na viagem com a mentalidade de que talvez nada saia como planejado, e tudo bem. Vamos tentar seguir o fluxo”, diz. Uma filosofia testada em situações pouco idílicas, como quando ficou seis horas presa no Eurostar com os filhos pequenos. “Você pode enlouquecer ou pode escolher manter a calma. Perder a cabeça, ali, não ajudaria ninguém.”

Sua forma de lidar com deslocamentos inclui o que chama de rituais de ancoragem. O mais importante? Caminhar. “Sempre prefiro andar. Uma vez, na França, um guia me disse: ‘A caminhada une o corpo e a alma’. Achei tão verdadeiro”, recorda. Caminhar, para ela, é mais do que deslocar-se: é a possibilidade de se perder para se encontrar. Foi assim que, num passeio despretensioso por Roma com o marido, Brad Falchuk, acabou descobrindo ruínas medievais escondidas sob fachadas modernas. “Foi um daqueles achados que parecem presentes do acaso”, diz, sorrindo.

Outro cuidado essencial é a hidratação constante, acompanhada da decisão de evitar excessos gastronômicos nas primeiras horas em um novo fuso horário. “Deixo para explorar os vinhos e comidas locais quando já estou ajustada ao tempo do lugar”, explica.

Mas é quando fala de lugares que considera verdadeiros santuários que seu tom se transforma. A Itália ocupa um espaço especial em seu imaginário. “Passamos os verões na Úmbria. É rústico, selvagem, e profundamente pacífico”, revela. A conexão com a natureza, ali, é quase espiritual. “Tem algo de indomado, com oliveiras e animais soltos pelos campos. Eu me sinto maravilhosamente insignificante naquele cenário.”

A atriz distingue com clareza os tipos de natureza que a tocam. “A floresta é gentil, silenciosa, acolhedora. Já a costa da Califórnia é quase hostil: as ondas são fortes, o mar é frio, e há uma beleza bruta nisso tudo. Gosto dessa força inóspita.”

Apesar do currículo de viajante experiente, Paltrow ainda guarda destinos na lista de desejos. “Nunca fui à Coreia, e morro de vontade. Amo comida coreana”, confessa. “E só conheço Tóquio. Quero muito explorar as ilhas do Japão.”

Sua instalação The Forest Within, aberta ao público até 29 de junho, é uma tentativa de traduzir essa essência, e um convite para que cada um crie seu próprio refúgio. “Basta um canto na natureza, uma música, um poema ou mesmo deitar-se na grama. Não custa nada e pode mudar tudo.”

E quando se trata de incluir os filhos nessas jornadas, ela oferece um conselho prático, moldado por sua própria infância. “Sempre levei meus filhos comigo, sem muita frescura. Meu pai dizia: ‘Você está no horário que está’. Estávamos caindo de sono, e ele decidia nos levar ao Pompidou. Isso me marcou.”

Para Gwyneth Paltrow, viajar é menos sobre o destino e mais sobre o estado de espírito. É estar aberta ao imprevisto, caminhar sem rumo, beber da cultura local com moderação e, acima de tudo, preservar a calma como uma escolha. Porque, como ela mesma diz, o caos é inevitável, mas a serenidade é uma decisão.

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