Com uma abordagem que vai além da música eletrônica tradicional, Blondish se firmou como uma das figuras mais singulares da cena global. DJ, produtora e criadora de experiências sonoras que flertam com o espiritual, a artista construiu uma trajetória baseada em intenção, energia e conexão humana. Seus sets transitam entre house, techno melódico e influências orgânicas, mas recusam qualquer rótulo fixo. Para ela, a música é missão.
Presença constante em festivais internacionais e clubes icônicos, Blondish transformou a cabine em um espaço de troca energética. Cada apresentação é pensada como um momento de expansão coletiva. No Brasil, onde mantém uma relação especial com o público, sua passagem entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 reforçou esse vínculo. A artista se apresentou em São Paulo e seguiu para o verão brasileiro com datas em Trancoso e na Bahia, incluindo apresentações que atravessaram a madrugada e o nascer do sol. Antes de subir ao palco em São Paulo, conversou com a WAYFARER sobre propósito, processo criativo e a força do público brasileiro.

WAYFARER: Seus sets são frequentemente descritos como uma experiência, não apenas uma performance. Quando você entra no booth, que sensação quer criar na pista?
Blondish: Quero lembrar às pessoas que existe mais na vida do que aquilo que nos disseram que existe. A intenção da minha música é desbloquear a melhor versão da vida de cada um e plantar sementes. Espero que as pessoas levem essa energia para fora da pista e usem para algo positivo. Tenho o privilégio de viajar o mundo tocando e viver disso, construir uma família, mas também quero devolver. Plantar sementes para que cada um crie a própria magia.
WAYFARER: Você falou muito sobre energia. Como definiria o som da Blondish hoje em três palavras?
Blondish: Energia, energia, energia. É isso. Não quero ficar presa a um gênero. Não sou apenas uma DJ, tenho uma missão com a música. Precisa ser sobre energia, não sobre rótulos. Posso tocar techno ou ir para qualquer direção. Algumas pessoas entendem, outras não, mas todo mundo sente.
WAYFARER: Você já precisou abrir mão de algo criativamente para chegar a essa fase da sua carreira?
Blondish: Não precisei deixar nada para trás, mas adquiri muitas ferramentas ao longo do caminho. Tudo é energia. Relações são energia, palavras são energia, decisões são energia. Comecei a prestar atenção nisso. Parei até de usar certas palavras negativas. Acredito muito que intenção mais atenção gera manifestação. Criei meus próprios mantras e formas de pensar que me ajudam a trazer mais magia para o mundo.
WAYFARER: Quando está produzindo, o que normalmente vem primeiro: groove, vocal ou conceito?
Blondish: Muda sempre. Depende do momento. Ontem mesmo estava no estúdio e havia músicos e cantoras lá. Surgiu uma ideia com guitarra e vozes inspiradas em ritmos brasileiros. Pode começar com algo que você escuta na rua, uma melodia, uma voz. Se estou sozinha, geralmente começo pelo groove. Com outras pessoas, é a energia do encontro que define.

WAYFARER: O que te inspira mais hoje: cidades, culturas ou momentos específicos?
Blondish: O momento presente sempre. Pode ser uma conversa, um som, algo que acontece agora. Claro que viajar e conhecer culturas inspira muito, mas a verdadeira inspiração está no que está acontecendo aqui e agora.
WAYFARER: Você esteve no Brasil entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Como foram essas apresentações e o reencontro com o público brasileiro?
Blondish: Foi incrível. Toquei em São Paulo e depois voltei para o Brasil para datas de verão, incluindo Trancoso e festas na Bahia. O público aqui é muito intenso e verdadeiro. A energia vem do coração. É muito pura. Sempre que volto, sinto que a conexão fica mais forte. O Brasil me dá um motivo para fazer mais música.
WAYFARER: Existe algo que o público brasileiro tem de único na pista?
Blondish: Você sente que vem do coração. É real. As pessoas são muito presentes e autênticas. Existe uma pureza na forma como se conectam com a música e isso é muito especial para quem está tocando.
WAYFARER: Para encerrar: qual sentimento você quer que as pessoas levem depois de um show seu?
Blondish: Que nada é impossível. E que estamos todos na mesma vibração, criando algo juntos.
Entrevista por Melissa Schon para WAYFARER.