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Bentley Continental GTC S: o conversível que equilibra elegância e adrenalina

Dirigido na Califórnia, o Bentley Continental GTC S junta V8 4.0 biturbo e motor elétrico para 680 cv, roda cerca de 80 km só no elétrico e custa cerca de 321 mil dólares nos Estados Unidos.

O Bentley Continental GTC S é um exercício de contenção. Elegante sem exibicionismo, rápido mas discreto, silencioso até o momento em que o acelerador desperta os 680 cv do conjunto híbrido. Essa dualidade é o seu argumento: um conversível que transita entre o conforto e a emoção esportiva sem obrigar o motorista a escolher.

O S existe em duas carrocerias: o GT, cupê de grand touring com estrutura mais rígida, e o GTC, conversível de capota de lona. A personalização é profunda, e o tom da declaração fica por conta do dono, a começar pela paleta de cores, que vai do verde Barnato ao azul marroquino.

O significado do “S”

O “S” que aparece discretamente nas laterais dianteiras e no painel do passageiro não quer dizer “special”, e sim “Sport”. A Bentley tomou emprestado do Continental Speed, a versão de 782 cv, o acerto de chassi esportivo e o aplicou a esta versão de entrada da linha esportiva.

Dirigi o GTC S na costa da Califórnia, num exemplar azul marroquino com interior de couro em dois tons, cinza Brunel e bege Newmarket. Um botão abaixa a capota em movimento, em baixa velocidade; outro a levanta e fecha a cabine quando a neblina do mar toma a paisagem.

Potência híbrida como filosofia

Em 2024, a Bentley encerrou a produção do W12, o motor de 12 cilindros que era seu símbolo de potência. Puristas lamentaram a perda do ronco. Mas a marca encarava uma pergunta simples: com 12 cilindros já no limite, para onde ir?

A resposta foi a eletrificação. O GTC S usa um sistema híbrido plug-in que junta o V8 4.0 biturbo, de 519 cv, a um motor elétrico de 190 cv. Como os picos de cada motor não acontecem na mesma rotação, a potência combinada não é a soma dos dois: são 680 cv e 94,8 kgfm de torque, segundo a Bentley. O modo padrão é o B, meio-termo entre conforto e esporte. O carro sai em silêncio, no elétrico; quando o pé afunda, o V8 entra com um ronco que se sente tanto quanto se ouve. No modo Sport, o V8 assume o comando e o motor elétrico passa a reforçá-lo.

A bateria, de 25,9 kWh, permite rodar cerca de 80 km só no modo elétrico, segundo a marca. O sistema preserva ao menos 20% de carga e a recompõe com o próprio motor durante a condução, de modo que o carro funciona mesmo sem ser ligado à tomada. Na semana ao volante, não senti falta de um carregador: o próprio carro gerencia a energia.

Preço e personalização

Nos Estados Unidos, o posicionamento do Continental GT S é estratégico: entrega quase o desempenho do Speed e custa cerca de 62 mil dólares menos. Quem dispensa a personalização mais extensa mantém o preço abaixo de 300 mil dólares. A capota conversível acrescenta 29 mil dólares, levando o total a cerca de 321 mil. Detalhes clássicos da marca, como as calotas com o “B” que se mantém sempre na vertical (785 dólares) e a tela central giratória (7.615 dólares), fazem a conta subir depressa.

O exemplar que dirigi, com bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem, pacote Touring com projeção no para-brisa, visão noturna e piloto automático adaptativo, além de forros de porta com costura em diamante, custava 394.500 dólares, incluindo frete e entrega.

Requinte discreto em movimento

Nas rodovias congestionadas do sul da Califórnia, a projeção no para-brisa e o piloto automático adaptativo tornaram o trânsito tolerável, e a massagem dos bancos abreviou as esperas nos semáforos. Quando a pista se abriu, o conjunto respondeu na hora: potência disponível sem espera.

Na orla, de capota abaixada, passei o seletor para conforto e o motor a combustão calou. Eu queria ouvir o vento, as ondas e as gaivotas, não o V8. Pelas ruas residenciais de Del Mar e La Jolla, o modo elétrico fez o Continental GTC S se integrar à paisagem e passar quase despercebido.

Contenção, de novo. O GTC S tem 680 cv à disposição e passa boa parte do tempo sem usá-los, ouvindo o mar de capota aberta, à espera do momento em que o acelerador o desperte.

Ficha técnica: Bentley Continental GTC S
Motor: 4.0 V8 biturbo a gasolina, 519 cv, mais motor elétrico de 190 cv (híbrido plug-in)
Potência combinada: 680 cv
Torque combinado: 94,8 kgfm
Bateria: 25,9 kWh
Autonomia elétrica: cerca de 80 km, segundo a Bentley
Tração: integral
Preço: a partir de cerca de 321 mil dólares nos Estados Unidos (maio de 2026); exemplar dirigido, 394.500 dólares

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