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Damien Hirst veste a Dom Pérignon com asas de borboleta

Para a edição limitada 2026, o artista britânico reinterpreta a série Kaleidoscope nos rótulos do Vintage 2018 e do Rosé Vintage 2010: um azul profundo e um rosa suave sobre o brasão da casa.

WAYFARER | Champagne · Edição limitada

O brasão da Dom Pérignon é simétrico ao centro. Damien Hirst olhou para ele e viu uma borboleta.

É a partir dessa leitura que o artista britânico assina a edição limitada 2026 da maison, recorrendo à série Kaleidoscope, de 2001. Os trabalhos originais nasceram de asas de borboletas reais, dispostas em padrões geométricos concêntricos, de cromatismo intenso. Nos rótulos, Hirst traduz essa linguagem num motivo colorido que multiplica, em miniatura, o brasão da casa. Transformação e repetição, temas recorrentes em sua obra, encontram ali um território natural.

A colaboração cultural é parte estrutural da identidade da Dom Pérignon. Desde que a maison iniciou a tradição, em 2005, com Karl Lagerfeld, passaram pelo projeto Lady Gaga, David Lynch, Lenny Kravitz, Tokujin Yoshioka, Björk, Chris Cunningham, Jeff Koons e Michael Riedel, cada um imprimindo sua leitura sobre o que significa vestir uma garrafa de champagne com autoria.

Garrafas de Dom Pérignon com rótulo assinado por Damien Hirst
KALEIDOSCOPE, DE 2001, NOS RÓTULOS DE 2026

“Soube na hora”, diz Hirst sobre a escolha. “O brasão icônico da Dom Pérignon é simétrico ao centro, e isso me saltou aos olhos como uma borboleta, virou meu ponto de partida. E até a palavra ‘assemblage’ surgiu, usada tanto na vinificação quanto na arte. Um vintage Dom Pérignon é uma assemblage de uvas, então a série Kaleidoscope pareceu um encaixe certeiro, porque também é uma assemblage de asas de borboleta recolhidas no mundo real.”

O desenho funciona, assim, como símbolo preciso do processo de assemblage da casa, técnica que busca harmonia entre as uvas de cada safra, apesar de seu temperamento imprevisível. É um lembrete de que o champagne vintage não se bebe apenas: se aprecia. A garrafa, o som da abertura, o ambiente em que é compartilhada, tudo compõe a experiência tanto quanto o líquido.

Sobre a parceria, Hirst é direto: “A Dom Pérignon faz um grande champagne. Não são apenas uma fábrica que produz para o mercado: são artesãos habilidosos, e eu gosto de trabalhar com pessoas nesse nível, que pensam sobre o que fazem e têm domínio do ofício.”

Duas paletas, dois vinhos

O artista apresenta duas paletas. Para o Dom Pérignon Vintage 2018, um azul profundo, associado a infinito e espiritualidade. Para o Rosé Vintage 2010, um rosa suave e quente. “Capturar o caráter de cada vinho foi uma preocupação inicial, mas acho que, no fim, com um conjunto mínimo de cores, conseguimos fazer isso muito bem”, diz Hirst. “É o encontro entre artesania e imaginação, entre tradição e reinvenção. Sempre amei estética, mas nunca às custas da função. E o brasão realmente parece uma das minhas borboletas.”

Garrafas de champagne com rótulo azul profundo da coleção Hirst
O AZUL PROFUNDO DO VINTAGE 2018
Rótulo rosa da edição Rosé Vintage 2010 assinada por Damien Hirst
O ROSA DELICADO DO ROSÉ VINTAGE 2010

Questionado sobre a quem presentearia uma garrafa, Hirst não hesita: “Eu daria a Jack White, como um cumprimento por sua exposição na Newport Street Gallery e por toda a música incrível que ele faz”, diz o artista, que é proprietário do espaço. “Espero que reconheça como aquela exposição foi, acima de tudo, um exercício de colaboração, em que precisei entender de onde vinha sua visão para ajudá-lo a fazê-la brilhar.”


Uma borboleta no centro do brasão, e a casa que sempre falou de simetria passa a falar de voo. É o padrão da Dom Pérignon: convidar artistas que tratam o ofício com o mesmo rigor, e deixar que essa disciplina compartilhada apareça, sem pressa, no vidro.

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