WAYFARER · Estilo | Sneakers
Alguns objetos sobrevivem porque mudam. Outros, porque se recusam a mudar. O America’s Cup da Prada pertence à segunda família: desenhado em 1997 para a tripulação da Luna Rossa, chega às vésperas dos trinta anos com o mesmo perfil longo e aerodinâmico. Desta vez, troca o azul do mar pelo marrom da estação.
As duas versões novas, lançadas em 13 de outubro, se chamam Teak/Blue e Cacao/Bordeaux. A primeira junta o tom quente da madeira de convés a detalhes em azul frio, uma lembrança discreta da origem náutica. A segunda vai mais fundo: chocolate escuro com acentos cor de vinho, paleta que pede lã, camurça e dias mais curtos.
O tênis em 30 segundos
- Modelo: Prada America’s Cup
- Cores: Teak/Blue e Cacao/Bordeaux
- Construção: couro envernizado e malha técnica respirável
- A novidade: sola de borracha ultraleve
- Assinatura: Linea Rossa no calcanhar
- Lançamento: 13 de outubro de 2026, nas lojas e no site da Prada

I. A origem
Do convés de Auckland para a cidade
O nome não é decorativo. Em 1997, Patrizio Bertelli, então à frente da Prada, decidiu montar uma equipe italiana para disputar a America’s Cup, a regata mais antiga do mundo em atividade. A Luna Rossa estreou em Auckland, na edição de 2000, venceu a série dos desafiantes e enfrentou a Nova Zelândia na final. O tênis nasceu para aquela tripulação: leve, técnico, feito para quem passava o dia molhado e no limite do vento.
O que veio depois ninguém planejou. O calçado de regata desceu do barco, entrou nas ruas no fim dos anos 1990 e virou um dos poucos tênis de grife que atravessaram três décadas sem precisar de reinvenção. A faixa vermelha da Linea Rossa, a linha esportiva da casa, segue no calcanhar como uma senha para quem conhece a história.

II. A atualização
O que muda é o que não se vê
A Prada não mexeu nas proporções. O cabedal mantém o jogo de camadas entre o couro envernizado e a malha técnica, e os blocos de cor seguem as curvas dos painéis, alongando a linha do tênis em vez de redesenhá-la. Os tons mais densos na biqueira e no calcanhar dão ao par a profundidade de uma pátina, como se já tivesse atravessado algumas estações.
A mudança real está embaixo do pé. A sola de borracha foi refeita em uma construção ultraleve, pensada para o uso diário e não para o convés. É o tipo de atualização que só se percebe depois de um dia inteiro caminhando, e talvez por isso seja a mais honesta.

Há quase trinta anos, o America’s Cup foi desenhado para homens que disputavam centímetros contra o vento no Golfo de Hauraki. Hoje vai a museus, a jantares e a salas de embarque. A Prada entendeu que a melhor forma de manter um clássico vivo é deixá-lo em paz, e mudar apenas a luz que cai sobre ele.
Para ver de perto
Prada America’s Cup Teak/Blue e Cacao/Bordeaux, à venda desde 13 de outubro em prada.com e nas lojas da marca. Preço não divulgado no lançamento. No Instagram, @prada.
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.
Imagens: Prada / divulgação


