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A capa da Tiziani que uniu Grace Kelly, Elizabeth Taylor e Kris Jenner

Criada pela Tiziani para Elizabeth Taylor no Baile de Escorpião de Grace Kelly, em 1969, e arrematada por US$ 60 mil na Christie’s em 2011, a capa de escorpiões voltou a Roma nos ombros de Kris Jenner.

ESTILO · Arquivo | Tiziani

Bordada com escorpiões para o baile de 40 anos de Grace Kelly, em 1969, a capa de Elizabeth Taylor reapareceu em Roma nos ombros de Kris Jenner.

Há roupas que sobrevivem aos seus donos originais e seguem circulando como relíquias de um certo tipo de glamour que não se fabrica mais. A capa de veludo preto bordada com escorpiões em strass, criada pela casa romana Tiziani para Elizabeth Taylor em 1969, é uma delas. Neste fim de semana, a peça voltou aos holofotes nos ombros de Kris Jenner, na première romana da nova temporada de All’s Fair.

Monte Carlo, novembro de 1969

A história começa em novembro de 1969, quando a princesa Grace Kelly organizou em Monte Carlo seu célebre Baile de Escorpião, em celebração aos 40 anos. A lista de convidados privilegiava nascidos sob o signo, mas admitia acompanhantes. Richard Burton, escorpiano legítimo, levou a então esposa Elizabeth Taylor, que, mesmo pisciana, encomendou à Tiziani uma capa à altura da ocasião: veludo negro, capuz e escorpiões bordados à mão no peito.

Elizabeth Taylor e Richard Burton no Baile de Escorpião de Grace Kelly em 1969
Elizabeth Taylor no Baile de Escorpião organizado por Grace Kelly em Monte Carlo, 1969.

Roma, 57 anos depois

Cinquenta e sete anos depois, a mesma capa reapareceu diante dos fotógrafos. No sábado, Kris Jenner a usou acompanhada da filha Kim Kardashian e das colegas de elenco Niecy Nash, Naomi Watts e Sarah Paulson, no Festival de Roma, para a estreia da nova temporada da série sobre advogadas de divórcio.

A coincidência não é acidental. Foi justamente em All’s Fair que a peça apareceu pela última vez antes deste fim de semana: Ryan Murphy, criador da série, dedicou um episódio a uma recriação do baile monegasco de 1969, com a personagem de Kardashian no papel de anfitriã. Kim usou a capa na cena e confirmou depois que se tratava do original, emprestado pela própria mãe.

Elenco de All's Fair na première do Festival de Roma com Kris Jenner vestindo a capa
Sarah Paulson, Kris Jenner, Kim Kardashian, Niecy Nash e Naomi Watts na exibição de All’s Fair no Festival de Roma.

A sombra de Lagerfeld

Não se sabe há quanto tempo Jenner, escorpiana como a própria Grace Kelly, é dona da peça. Uma hipótese plausível aponta para o leilão histórico do acervo de Elizabeth Taylor, organizado pela Christie’s em 2011. Segundo os registros da casa, a capa foi arrematada por 60 mil dólares, valor muito superior à estimativa inicial, de 2 a 3 mil dólares, um salto que talvez reflita não apenas a lenda de Taylor, mas também um detalhe curioso do ateliê que a produziu.

De acordo com a Christie’s, no fim dos anos 1960 a Tiziani contava entre seus funcionários com um ainda desconhecido Karl Lagerfeld. A autoria da peça nunca foi confirmada, mas a simples possibilidade pode ter bastado para inflar seu valor e despertar o interesse da matriarca Kardashian, que admite publicamente ser “obcecada” pela maison Chanel.

Retrato de Elizabeth Taylor usando a capa bordada com escorpiões
Elizabeth Taylor com a capa de escorpiões assinada pela Tiziani.

Uma família de arquivos

O fascínio por peças históricas atravessa pelo menos duas gerações da família. No Met Gala de 2022, Kim Kardashian, que neste sábado optou por um vestido vintage de oncinha da Yves Saint Laurent, surgiu com o vestido que Marilyn Monroe usou para cantar parabéns ao presidente John F. Kennedy em 1962, emprestado para a ocasião pelo museu Ripley’s Believe It or Not!

Em sua estreia como modelo da Balenciaga, Kardashian também desfilou com joias de diamante de Lorraine Schwartz que pertenceram a Elizabeth Taylor. E, no fim de semana passado, durante a gala do Academy Museum of Motion Pictures, voltou a homenagear a atriz com um vestido de arquivo Balenciaga de 1951, cuja silhueta evocava diretamente o estilo de Taylor.

Há roupas que sobrevivem a quem as encomendou, e esta é uma delas. Feita para uma noite de astrologia em Mônaco, a capa de escorpiões atravessou um leilão, uma série de televisão e um tapete vermelho em Roma sem perder o que a tornou relíquia: a capacidade de transformar quem a veste em personagem de uma história maior do que a própria noite.

Da redação da WAYFARER.

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