WAYFARER · Estilo | SPFW N61
Uma concha, uma onda quebrando, a raiz que se espalha pela terra. A natureza já desenha suas formas com a paciência de um ponto atrás do outro. Amanda Felisberto decidiu repetir o gesto com agulha e linha.
No domingo, 18 de outubro, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Ibirapuera, a Ammi fez sua estreia na São Paulo Fashion Week com Forma Viva. Fundada em 2018, a marca tem o crochê como matéria principal, e foi com ele que tentou reproduzir as texturas e os contornos de conchas, ondas, rochas, folhas, corais e raízes, tratando a natureza como uma extensão da silhueta.
O desfile em 30 segundos
- A coleção: Forma Viva, de Amanda Felisberto
- A ocasião: a estreia da Ammi na SPFW
- A matéria: crochê e renda desenhando flores, pétalas e corais sobre o corpo
- A novidade: a primeira linha de sapatos da marca
- O casting: Isabelli Fontana, Vivi Orth e Gianne Albertoni entre as modelos

I. A forma
Pétalas, corais e raízes ponto a ponto
O crochê da Ammi não fica na superfície. Ele constrói as peças, ora fechado e cobrindo o corpo, ora aberto em tramas que deixam a pele aparecer. Sobre essa base entram os bordados, os babados e as franjas, numa coleção bastante ornamentada. As flores e as pétalas se formam em relevo, os corais se espalham em franjas, e as linhas sinuosas lembram o movimento da água.
Os caimentos se dividem entre o solto e o estruturado. Parte das peças tem base corsetada, que firma a cintura e o busto, enquanto outras escorrem em comprimentos longos. Em comum, a silhueta sempre próxima ao corpo. A paleta acompanha a ideia de paisagem: começa nos brancos, areias e dourados, passa pelos azuis e verdes-água e termina nos terrosos e cobres.



II. A água
Do areia ao azul
No meio do desfile, a coleção mergulha. Os azuis entram em vestidos longos e em peças de babados que lembram a espuma das ondas, e o crochê ganha transparências que fazem pensar em rede de pesca e em água rasa. É o bloco em que a ideia de forma viva fica mais evidente: a roupa parece se mover como a paisagem que a inspirou.
As formas orgânicas descem até os pés. A Ammi aproveitou a estreia na semana de moda para apresentar sua linha de sapatos, com franjas, babados e bordados densos que continuam o vocabulário das roupas.



III. O momento
Um ano de estreias
A passarela da SPFW coroa um ano de expansão para a marca. Em agosto, a Ammi fez seu primeiro desfile, em Saint-Tropez, na França. Na semana anterior à semana de moda, abriu sua primeira loja física, na rua Oscar Freire, em São Paulo. E para a estreia no calendário brasileiro, escalou nomes que ajudaram a escrever a história do próprio evento, como Isabelli Fontana, Vivi Orth e Gianne Albertoni.
O crescimento é visível, e com ele vem o desafio de toda marca jovem que chega a esse palco: transformar uma técnica, praticada hoje por várias etiquetas brasileiras, numa assinatura que só ela tenha. Forma Viva mostra um caminho, o da natureza traduzida em ponto, e deixa a próxima temporada com a tarefa de aprofundá-lo. A direção do desfile foi de Ed Benini, o styling de Daniel Ueda, a beleza de Daniel Hernandez e a trilha de Max Blum.





A natureza leva séculos para desenhar uma concha e anos para que uma raiz encontre seu caminho. Amanda Felisberto chegou à principal passarela do país em oito anos, ponto a ponto. A estreia mostrou de onde a Ammi vem. As próximas temporadas vão dizer que forma ela quer ter.

Para ver de perto
A marca está em @ammibrazil e na loja da rua Oscar Freire, em São Paulo. A galeria completa do desfile está no site da SPFW.
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER. São Paulo.
Fotos: Zé Takahashi / @agfotosite / SPFW


