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Loro Piana, a Mongólia e a cabra vermelha que voltou a nascer

Há mais de quarenta anos a Loro Piana compra cashmere nas estepes da Mongólia. Com o programa Resilient Threads, apresentado na COP17 em Ulaanbaatar, a maison passou a cuidar também de quem cria a fibra: pastores, pastagens e uma raça rara de cabra que quase desapareceu.
Pastor conduz rebanho de cabras nas estepes da província de Sukhbaatar, na Mongólia Pastor conduz rebanho de cabras nas estepes da província de Sukhbaatar, na Mongólia
Foto: Divulgação / Loro Piana

WAYFARER · Estilo | Savoir-faire

Antes de ser tecido, o cashmere é uma paisagem.

No caso da Loro Piana, essa paisagem tem nome: as estepes do leste da Mongólia, de onde a maison compra cashmere há mais de quarenta anos. Em agosto, em Ulaanbaatar, durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, a casa italiana apresentou os primeiros resultados de “Resilient Threads”, o programa que criou em 2025 para proteger justamente essa paisagem.

Pastor conduz rebanho de cabras nas estepes da província de Sukhbaatar, na Mongólia
ONDE O CASHMERE COMEÇA · Foto: Divulgação / Loro Piana

Uma relação de quatro décadas

Foi nos anos 1980 que Sergio e Pier Luigi Loro Piana decidiram que a excelência no cashmere só seria permanente se fosse construída com quem cria os animais. Desde então, a maison mantém em Ulaanbaatar sua única fábrica fora da Itália, onde a fibra é processada, e trabalha diretamente com cooperativas e pastores. Em 2021, ajudou a certificar os primeiros lotes de cashmere responsável, num padrão desenvolvido com a Sustainable Fibre Alliance.

O desafio cresceu com o clima e seus eventos extremos. O mais temido deles é o dzud, inverno severo em que o frio impede os rebanhos de pastar e de chegar à água. O de 2023 e 2024 foi devastador.

O luxo de uma fibra rara depende, antes de tudo, de quem a cria continuar existindo.

A cabra vermelha de Bayandelger

É aqui que a história fica concreta. A cabra vermelha de Bayandelger é uma raça endêmica, reconhecida como patrimônio nacional, que produz um dos melhores cashmeres naturalmente cinza-claro da Mongólia. No último dzud, o distrito de Bayandelger perdeu cerca de 45% das suas cabras, e aproximadamente 80% delas eram dessa raça. Mais de mil famílias de pastores dependem desses animais.

O programa começou a reconstruir o rebanho reprodutor por inseminação artificial, com os próprios pastores no centro do manejo. No primeiro ano, nasceram mais de 650 filhotes.

Espaço da Loro Piana na COP17 da UNCCD, em Ulaanbaatar
A MAISON EM ULAANBAATAR · Foto: Divulgação / Loro Piana

Saúde de pessoas, animais e terra

“Resilient Threads” trabalha na província de Sukhbaatar com a abordagem One Health, que trata a saúde humana, a animal e a do ambiente como uma coisa só. Em um ano, 30 profissionais de 18 setores foram certificados pelo Royal Veterinary College e pela Universidade de Liège. Um posto móvel funcionou por três dias e atendeu cerca de 75 pastores, reunindo consultas médicas, atendimento veterinário, análises de laboratório e treinamento de tosquia.

Na entrada da província, o novo Centro de Biodiversidade de Munkhkhaan organiza o trabalho de regeneração das pastagens, da produção de sementes à educação ambiental. O projeto se alinha ao LIFE 360, a estratégia ambiental do grupo LVMH, do qual a Loro Piana faz parte desde 2013.

Apresentação do programa Resilient Threads na COP17, em Ulaanbaatar
OS PRIMEIROS RESULTADOS, APRESENTADOS NA COP17 · Foto: Divulgação / Loro Piana

Antes de ser tecido, o cashmere é uma paisagem. E, a partir de agora, também é uma geração de filhotes vermelhos correndo pela estepe, a prova mais silenciosa de que uma maison pode cuidar daquilo que vende.

Serviço

Programa: Resilient Threads, criado pela Loro Piana em 2025.
Onde: província de Sukhbaatar, Mongólia.
Parceiros: Odyssey Conservation Trust, Sustainable Fibre Alliance, Royal Veterinary College e Universidade de Liège.
Mais informações: loropiana.com

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.

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