A Brabus construiu reputação transformando carros alemães em declarações de potência visual. Depois de motocicletas, lanchas, uma linha de vestuário e um empreendimento residencial em Abu Dhabi, a extensão para iates de grande porte soa menos como diversificação e mais como consequência natural de um método.
Constantin Buschmann, CEO e proprietário da marca, descreve a Brabus hoje como uma casa de design de luxo em sentido amplo, sustentada por um público que segue a assinatura estética para onde ela for. “A lógica aqui é levar esse público para outra jornada, agora rumo aos iates”, diz. “Mas, no fundo, nós só gostamos de desenhar coisas incríveis, então por que ficar preso a uma única categoria?”


A parceria com a AB Yachts, braço do Next Yacht Group conhecido por métodos construtivos derivados da indústria aeroespacial para otimizar o formato do casco e os sistemas de controle de trim, deu origem a uma linha de três embarcações. O AB95 e o AB110, com cerca de 29 e 33 metros respectivamente, já estão disponíveis; o maior da trinca, de 45 metros, chega ao mercado no próximo ano. Os três modelos compartilham cascos em compósito, velocidade máxima de 48 nós via propulsão a jato d’água direcionável e capacidade para 14 pessoas entre hóspedes e tripulação.



É, porém, a assinatura visual da Brabus que deve concentrar as atenções nessas embarcações de perfil baixo e silhueta tensa. Entre os detalhes estão um spoiler de teto iluminado, luzes de LED embutidas na cobertura, aerofólios dianteiros em fibra de carbono exposta e o mesmo material revestindo as saídas de ar do motor.
A fibra de carbono, elemento recorrente no repertório automotivo da marca, aparece até em duas mesas do deck solar. O estofamento externo traz o característico acolchoado triangular da Brabus, replicado no banco do piloto, enquanto o próprio leme é assinado pela marca e fabricado sob medida conforme as especificações do proprietário.

“A reação definitiva do cliente diante de um dos nossos produtos precisa ser, antes de tudo, visceral: você vê, se apaixona e quer ter, tudo em um segundo”, explica Buschmann. “Quase toda empresa na Alemanha é formada por uma cultura de engenharia. Mas produtos de luxo, e iates certamente são isso, funcionam porque seu apelo é cultural, o que nem sempre é como os engenheiros enxergam as coisas. Eles precisam ter atitude e refletir uma atitude: neste caso, talvez a de quem já viveu tudo, fez tudo e comprou a camiseta, provavelmente há 25 anos.”




Buschmann chama essa linguagem de “dark luxury”, reflexo da predileção histórica da Brabus pelo preto (“o que não significa que tudo precise ser preto, mesmo sendo a melhor cor do mundo”, observa) e também de sua trajetória ligada a veículos de alta performance. “É uma certa vibração que sugere poder, em todos os sentidos da palavra, mas especialmente em presença”, acrescenta. “Um iate Brabus precisa parecer que significa negócio. É sério, algo como um Batmóvel para a água.”



Buschmann observa que, assim como projetos anteriores nasceram de parcerias com especialistas de cada setor, trabalhar com a AB permitiu à Brabus acessar um novo mercado mais rápido e com custo menor, além de testar rapidamente a reação do público aos novos desenhos, “tudo isso custaria milhões se fôssemos fazer sozinhos”, diz. “Mas agora uma oportunidade parece inspirar outras três, o que é uma situação boa de se estar, apesar do momento atual da indústria automotiva alemã.”

Entre carbono exposto, propulsão a jato e uma estética que não disfarça a ambição, a Brabus aposta que o mesmo instinto que vende carros de assinatura forte também convence no mar.

