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Por trás do sucesso da Ferretti, o estaleiro italiano com o mais completo portfólio de iates de alto padrão

Riva, Pershing, Wally, CRN e mais três marcas sob o mesmo teto: como o Ferretti Group construiu o portfólio mais completo da náutica italiana, abriu capital em Hong Kong e Milão e passou a fabricar no Brasil.

Nota editorial: publicada originalmente em 2020 e atualizada em setembro de 2026.

Poucos estaleiros conseguem ser, ao mesmo tempo, indústria e imaginário. O Ferretti Group é um deles.

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Fundado em 1968 pelos irmãos Alessandro e Norberto Ferretti, em Bolonha, e hoje sediado em Forlì, o grupo reúne sob o mesmo teto sete marcas que qualquer frequentador de marina reconhece de longe: Riva, Ferretti Yachts, Pershing, Itama, CRN, Custom Line e Wally. Da lancha de mogno envernizado ao superiate sob medida, do veleiro de linhas radicais ao flybridge de cruzeiro, é difícil encontrar outro portfólio italiano tão completo.

A vitrine: Mônaco, setembro de 2019

Quando esta matéria foi publicada, a imagem mais nítida do grupo vinha do Yacht Club de Mônaco. Em setembro de 2019, na prévia anual que a Ferretti oferecia a convidados antes dos grandes salões náuticos da Riviera, mais de 25 barcos ficaram atracados diante do palco, seis deles em estreia mundial. Lionel Richie cantou “All Night Long” para a plateia e chegou a bordo do novo Custom Line 106. Era a abertura informal da temporada que passa por Cannes e pelo Monaco Yacht Show, e o recado era claro: a indústria náutica também se vende como espetáculo.

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Entre as estreias daquele ano estavam o Pershing 8X, o Riva 110 Dolcevita, o Riva 90 Argo e o Ferretti Yachts 720. Mas o barco que concentrou os olhares foi o 48 Wallytender, releitura do icônico Wallytender de 2001 de Luca Bassani, fundador da Wally. Era o primeiro modelo da marca depois de sua incorporação ao grupo, em 2019.

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A estratégia: superiates, defesa e bolsa

A chegada da Wally foi parte de um movimento maior. O grupo criou uma divisão dedicada a superiates, modernizou o estaleiro de Ancona para construir os maiores cascos de Custom Line, Riva, CRN e Pershing e passou a atuar também em embarcações de patrulha e segurança marítima. Em 2023, comprou ainda o estaleiro San Vitale, em Ravenna.

O capítulo mais relevante desde 2020, porém, foi financeiro. Controlado desde 2012 pelo conglomerado chinês Weichai, o grupo abriu capital na Bolsa de Hong Kong em março de 2022 e voltou à Borsa Italiana em junho de 2023, depois de 23 anos fora de Milão. Em 2025, a receita chegou a cerca de 1,28 bilhão de euros.

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A bolsa trouxe também disputa. Entre 2025 e 2026, a Weichai e o grupo tcheco KKCG, segundo maior acionista, travaram uma queda de braço pelo conselho. Na assembleia de maio de 2026, a chapa apoiada pela Weichai prevaleceu, e Alberto Galassi, que comandava o grupo desde 2014 e foi o rosto da expansão, deixou o cargo. Assumiu como CEO Stassi Anastassov, executivo com três décadas de Procter & Gamble e passagem pelo comando global da Duracell. O estaleiro segue o mesmo; a condução, agora, é outra.

O Brasil: da Ferretti 550 à produção em Santa Catarina

Em 2020, a marca retomava sua presença no país com a Ferretti 550 e o anúncio de que a Okean passaria a fabricar modelos Ferretti Yachts aqui. A promessa virou operação. O Grupo Okean é hoje o único estaleiro fora da Itália autorizado a produzir Ferretti Yachts, com linha de montagem em Itajaí, marcenaria em Rio Negrinho e laminação em Porto Belo, e já constrói no Brasil modelos de grande porte, como o Ferretti Yachts 940 e o 1000, este com pouco mais de 30 metros.

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Em Mônaco, em 2019, o grupo fez da música uma vitrine. Sete anos depois, com nova bolsa, novo comando e casco brasileiro, a canção é outra, mas a marina continua a mesma: fileiras de proas italianas brilhando sob a luz do fim de tarde.

Redação WAYFARER

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