
Sob a nova direção criativa de Louise Trotter, a maison reduz a escala de uma das suas famílias mais reconhecíveis — e, no movimento, revela seu primeiro gesto comercial sobre a herança que recebeu.
Quando Matthieu Blazy apresentou a Andiamo em 2023, fez algo raro no mercado de luxo contemporâneo: criou uma bolsa que virou ícone antes de virar tendência. A alça coaxial, o nó em latão escovado, o Intrecciato em fettucce mais largas — tudo ali respondia a uma pergunta silenciosa que a maison vinha fazendo desde a saída de Daniel Lee: o que significa, hoje, traduzir savoir-faire artesanal em desejo imediato. A resposta foi a Andiamo. E agora, em 2026, sob a direção criativa de Louise Trotter — que assumiu a maison em janeiro de 2025, depois da partida de Blazy para a Chanel —, a Bottega Veneta faz o movimento clássico de quem sabe que herdou um clássico: encolhe.

A Mini Andiamo chega em proporções compactas — 15 cm de altura, 20 de largura, 9 de profundidade — preservando integralmente o vocabulário da família original. O couro Intrecciato bonded mantém as fettucce de 1,5 cm, a estrutura firme e o acabamento artesanal que tornaram a linha reconhecível à distância. A construção bonded é o que permite que o trançado apareça por dentro e por fora da peça, eliminando a costura tradicional e revelando o tipo de detalhe que só a Bottega Veneta sustenta sem soar pretensiosa.
A bolsa vem com alça de mão e alça tiracolo removível — uma decisão funcional que reposiciona a Andiamo do território da bolsa-statement para o uso diário. Por dentro, um bolso com zíper e um compartimento plano. Por fora, o mesmo nó em latão que virou assinatura visual da linha.

O lançamento estreia em oito cores. As neutras seguem o repertório que a maison vem construindo — Fondant, Travertine, Sea Salt, Ecru, Black — e há o contraponto do Lava Red para quem quer a peça em registro mais alto. Mas a edição que merece atenção é outra: uma versão exclusiva com franjas, construída com mais de 700 tiras de couro aplicadas manualmente sobre toda a superfície da bolsa. Disponível em Butter Yellow e em três combinações bicolores desenvolvidas especificamente para as Residências Bottega Veneta, essa edição é o tipo de gesto que separa a maison das concorrentes diretas — não pela ideia, mas pela paciência da execução.

Há um subtexto que vale notar. Trotter, conhecida pelo minimalismo ainda mais discreto do que o do antecessor — formada no rigor têxtil de Lacoste, Joseph e Carven —, herdou da Bottega Veneta uma família de bolsas que já era ícone. Reduzir a Andiamo, em vez de tentar substituí-la, é uma escolha estratégica madura: dialoga com o trabalho do Blazy sem competir com ele, e ao mesmo tempo abre espaço para que o cotidiano — não o tapete vermelho — seja o novo território da maison.
O nome da família, Andiamo, traduz-se do italiano como “vamos”. É um imperativo de movimento, e talvez seja a melhor leitura do que a Bottega Veneta está fazendo sob a nova direção. Reduzir a Andiamo não é diminuir o ícone. É garantir que ele caiba em mais lugares — no jantar, no avião, no almoço de quarta-feira em São Paulo. É a Bottega Veneta entendendo que o futuro da bolsa de luxo não está no tamanho, mas na inevitabilidade.
A Mini Andiamo já está disponível nas boutiques Bottega Veneta e no site oficial da maison.