Nota editorial: publicada originalmente em 2023 e atualizada em setembro de 2026.
Há quem passe o Carnaval atrás de um trio elétrico. E há quem prefira o silêncio de uma noite ártica, a respiração virando vapor e o céu, de repente, se acendendo em verde.
O feriado cai em fevereiro, em plena temporada de auroras no Hemisfério Norte, que vai do fim de agosto a meados de abril. A coincidência transformou os dias de folia numa janela cada vez mais procurada por brasileiros que trocam confete por neve e buscam, pela primeira vez, ver a aurora boreal a olho nu.
O céu: por que os próximos invernos ainda valem a pena
A aurora depende da atividade do Sol, que segue ciclos de cerca de onze anos. O ciclo atual atingiu o pico por volta do fim de 2024, mas isso não encerra a boa fase. Historicamente, os anos logo depois do máximo solar estão entre os melhores para observação, com tempestades geomagnéticas intensas e frequentes. Os invernos de 2026 e 2027 ainda devem oferecer boas oportunidades, antes que a atividade diminua de forma mais clara.
O fator decisivo, no entanto, é outro: nuvens. Nenhuma tempestade solar vence um céu encoberto, e é por isso que mobilidade e paciência contam tanto quanto o calendário.
Os destinos: onde procurar
Os destinos clássicos ficam sob o chamado oval auroral: o norte da Noruega, a Lapônia sueca e finlandesa, a Islândia, a Groenlândia, o Alasca e o norte do Canadá. Cada um tem sua atmosfera. Na Noruega, fiordes e vilas de pescadores; na Lapônia, florestas nevadas e cabanas de vidro; na Islândia, paisagens vulcânicas a poucas horas de carro da capital.
O guia: por que ir com quem conhece
Ver a aurora não é garantido, e ir sozinho aumenta o risco de voltar sem vê-la. É o argumento de guias especializados como Marco Brotto, conhecido como o Caçador de Aurora Boreal, que há anos conduz grupos de brasileiros ao Ártico. “Para quem sonha em ver a aurora boreal de perto, mas não sabe como realizar essa viagem, a principal dica é contar com um guia especializado”, afirmou ele em 2023. “Sem o conhecimento e as ferramentas adequadas, é possível voltar da viagem sem ter visto aurora alguma.”
O trabalho de um bom guia está nos detalhes: ler as previsões de atividade solar e de nuvens, decidir para onde dirigir a cada noite, garantir segurança em estradas congeladas e temperaturas extremas. Hoje, as expedições de Brotto incluem destinos como Islândia, Lapônia, Noruega, Suécia, Finlândia, Groenlândia, Alasca e Canadá.
Para planejar
Temporada de auroras: do fim de agosto a meados de abril, com noites mais longas de outubro a fevereiro
Expedições guiadas em português: auroraboreal.com.br
Enquanto o Brasil dança, alguém está parado na neve, olhando para cima. Sem música, sem fantasia, só o céu em movimento. Para quem já viu, é difícil explicar qual das duas festas foi maior.
Redação WAYFARER


