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WAYFARER · WELLNESS

Beach tennis: os cuidados antes, durante e depois das partidas

Quase metade dos praticantes já se machucou, segundo estudo da Santa Casa de São Paulo. O que causa as lesões e o que de fato ajuda a evitá-las.

Por WAYFARER27 fevereiro, 2023

Nota editorial: publicada originalmente em 2023 e atualizada em setembro de 2026.

A areia perdoa a queda, mas não perdoa o excesso. O beach tennis, nascido na Itália e chegado ao Brasil nos anos 2000, virou em poucos anos presença fixa nas arenas das grandes cidades e na agenda de quem troca a academia por algo mais social. A popularidade trouxe junto um efeito menos comentado: a fila nos consultórios de ortopedia.

Os números: quase metade já se machucou

Uma pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, publicada na Revista Brasileira de Ortopedia, ouviu 160 praticantes regulares, com idade média de 40 anos. Quase metade, 48,8%, já havia tido alguma lesão ortopédica ligada ao esporte. Os membros inferiores lideram, com 30% dos casos, seguidos pelos membros superiores, com 25%, e pela coluna, com 11,3%. As lesões foram mais frequentes entre os jogadores mais velhos.

A explicação está no piso. A areia é instável, exige arranques e freadas curtas, e o jogo costuma ser descalço, sem proteção para o pé. Somam-se o gesto repetitivo acima da cabeça e a falta de descanso entre um jogo e outro. Médicos do esporte citam como quadros frequentes a epicondilite, conhecida como cotovelo de tenista, as entorses e lesões ligamentares de tornozelo e joelho, a bursite de quadril e as tendinites de ombro.

Antes: avaliar o ponto de partida

O esporte é acessível, sociável e uma boa porta de saída do sedentarismo, mas é intenso, sobretudo para quem começa depois dos 40. Uma avaliação antes de engrenar na rotina ajuda a identificar limitações e riscos. Dependendo da idade e do histórico, o médico do esporte pode pedir exames de sangue, avaliação cardiológica, teste ergoespirométrico e testes funcionais com fisioterapeuta. Em São Paulo, estruturas como o Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, aberto pelo Hospital Israelita Albert Einstein em 2022, reúnem esse atendimento multidisciplinar num só lugar.

Durante: volume, técnica, equipamento

As recomendações que acompanham o estudo da Santa Casa são simples e valem mais do que qualquer acessório: jogar no máximo duas horas por dia, descansar pelo menos dois dias por semana, alternar com musculação ou corrida, usar raquete adequada ao próprio porte físico e aprender a técnica com um professor qualificado. Fortalecer pernas, core e ombros fora da quadra reduz a sobrecarga dentro dela. Ao primeiro sinal de dor persistente, a indicação é procurar um especialista, e não jogar por cima.

Depois: o que a recuperação faz de fato

Sono, hidratação, alimentação e dias de descanso seguem sendo a base da recuperação. Uma meta-análise publicada na Frontiers in Physiology em 2018 indica que massagem, peças de compressão e imersão em água fria reduzem a dor muscular tardia e a sensação de fadiga depois do esforço, com a massagem à frente. O efeito aparece sobretudo no que o atleta sente, pouco nos marcadores de inflamação. São complementos úteis, não substituem o descanso nem tratam lesões.

A areia perdoa a queda, não o excesso. Quem quer jogar por muitos anos joga menos do que gostaria, descansa mais do que acha necessário e escuta o corpo antes da dor. Técnica, pausa, paciência.

Redação WAYFARER

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