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Ferro à mesa: 14 alimentos para quem convive com cansaço e palidez

Cansaço que não passa e pele sem cor podem ter uma causa simples de investigar. Os 14 alimentos mais ricos em ferro, como absorver melhor o mineral e por que suplemento só com orientação médica.

WAYFARER · Wellness

Nem todo cansaço é falta de sono. Às vezes, é falta de ferro. O mineral trabalha em silêncio, levando oxigênio a cada tecido do corpo, e só se faz notar quando começa a faltar: na energia que não volta, na concentração que escapa, numa palidez que nenhuma estação explica.

A deficiência de ferro é a causa mais comum de anemia no mundo. Pelas estimativas da Organização Mundial da Saúde, a anemia atinge cerca de 30% das mulheres entre 15 e 49 anos, 37% das gestantes e 40% das crianças pequenas. Os sinais mais frequentes são conhecidos: fadiga, fraqueza, falta de ar aos esforços, palidez, dor de cabeça, unhas frágeis e queda de cabelo. Nenhum deles, sozinho, confirma o quadro. Quem convive com esses sintomas por semanas deve procurar um médico e fazer exames de sangue, como hemograma e ferritina, antes de qualquer conclusão.

Em 30 segundos

  • Mulheres de 19 a 50 anos precisam de 18 mg de ferro por dia; homens adultos e mulheres acima de 50, de 8 mg; gestantes, de 27 mg
  • O ferro heme, de carnes, vísceras e frutos do mar, é absorvido com mais facilidade que o ferro das plantas
  • Vitamina C na mesma refeição melhora a absorção do ferro vegetal; chá, café e cálcio atrapalham
  • Fígado, ostras e mexilhões estão entre as fontes mais concentradas; entre as plantas, feijão, lentilha, tofu e espinafre
  • Suplemento de ferro só com exame e orientação médica: o excesso também faz mal

Dois tipos de ferro

O ferro chega ao prato em duas formas. O ferro heme está nas carnes, nas aves, nas vísceras e nos frutos do mar, e o organismo o absorve com eficiência, pouco influenciado pelo resto da refeição. O ferro não heme vem das leguminosas, dos vegetais folhosos, das sementes e dos alimentos fortificados, e sua absorção é mais baixa e mais sensível ao que se come junto. Segundo o National Institutes of Health, dos Estados Unidos, uma dieta mista aproveita entre 14% e 18% do ferro ingerido; uma dieta vegetariana, entre 5% e 12%.

Por isso as necessidades mudam conforme o prato. O NIH recomenda 8 mg por dia para homens adultos, 18 mg para mulheres de 19 a 50 anos, 8 mg a partir dos 51, 27 mg na gestação e 9 mg na amamentação. Para quem não come carne, a recomendação é 1,8 vez maior.

Fontes animais: o ferro mais fácil de absorver

1. Fígado de frango. É a fonte mais generosa da lista: cerca de 9,9 mg em 85 g cozidos.

2. Ostras. Uma porção de 85 g de ostras cozidas fornece cerca de 8 mg, além de zinco e vitamina B12.

3. Mexilhões. Cerca de 5,7 mg a cada 85 g cozidos, o que os coloca entre os frutos do mar mais ricos no mineral.

4. Fígado bovino. Cerca de 5 mg em 85 g grelhados. Por ser muito rico em vitamina A, deve aparecer à mesa com moderação, especialmente na gestação.

5. Carne bovina. Uma porção de 85 g de carne magra cozida entrega cerca de 2 mg de ferro heme, e ainda ajuda a absorver o ferro dos vegetais servidos junto.

6. Sardinha. A sardinha em lata oferece cerca de 2 mg a cada 85 g, com a vantagem do ômega-3 e do preço acessível.

Fontes vegetais: generosas, mas exigentes

7. Cereais matinais fortificados. A quantidade depende do rótulo, mas há cereais que chegam a 18 mg por porção, o total diário de uma mulher adulta. Vale conferir a tabela nutricional.

8. Feijão preto. Cerca de 3,6 mg por xícara cozida. O feijão com arroz de todo dia já é, por si, um bom ponto de partida.

9. Lentilha. Meia xícara cozida fornece cerca de 3 mg, com proteína e fibras.

10. Tofu. Meia xícara de tofu firme soma cerca de 3 mg, uma das melhores opções para quem não come carne.

11. Espinafre. Meia xícara cozida tem cerca de 3 mg. A fama é merecida, com uma ressalva: os polifenóis da folha reduzem a absorção, o que torna a vitamina C no mesmo prato ainda mais útil.

12. Chocolate amargo. Uma porção de 28 g de chocolate com 70% a 85% de cacau tem cerca de 3,4 mg. É fonte real, desde que em porção pequena.

13. Sementes de abóbora. Cerca de 2,3 mg em 28 g torradas, fáceis de levar ao iogurte, à salada ou à sopa.

14. Grão-de-bico. Meia xícara cozida oferece cerca de 2 mg, seja no homus, na salada ou no ensopado.

AlimentoPorçãoFerroFonte dos dados
Fígado de frango, cozido85 g9,9 mgUSDA
Ostras, cozidas85 g8 mgNIH
Mexilhões, cozidos85 g5,7 mgUSDA
Fígado bovino, grelhado85 g5 mgNIH
Carne bovina magra, cozida85 g2 mgNIH
Sardinha em lata85 g2 mgNIH
Cereal matinal fortificado1 porçãoaté 18 mgNIH
Feijão preto, cozido1 xícara3,6 mgUSDA
Lentilha, cozida½ xícara3 mgNIH
Tofu firme½ xícara3 mgNIH
Espinafre, cozido½ xícara3 mgNIH
Chocolate 70% a 85% cacau28 g3,4 mgUSDA
Sementes de abóbora, torradas28 g2,3 mgUSDA
Grão-de-bico, cozido½ xícara2 mgNIH
Valores aproximados. Fontes: NIH Office of Dietary Supplements e base de dados do USDA.

Como aproveitar melhor o que está no prato

O ferro vegetal depende da companhia. A vitamina C, presente na laranja, na acerola, no limão, no pimentão e no tomate, melhora sua absorção quando entra na mesma refeição, assim como uma pequena porção de carne, frango ou peixe. Na direção contrária, os fitatos dos grãos e das leguminosas, os polifenóis do chá e do café e o cálcio do leite e dos queijos reduzem o aproveitamento. Na prática, vale deixar o cafezinho e o chá para um intervalo longe do almoço e do jantar, e não somar o queijo ao prato em que o ferro é a prioridade.

O ferro vegetal depende da companhia: um pouco de vitamina C no prato vale mais que uma porção extra de folhas.

Suplemento, só com orientação médica

Menstruação intensa, gestação, dieta sem produtos animais, doação frequente de sangue, cirurgias gastrointestinais e doenças intestinais, como a doença de Crohn, estão entre as causas mais comuns de ferro baixo. Em muitos desses casos, a alimentação sozinha não basta e o médico pode indicar suplementação. A decisão, porém, deve partir de exames, nunca do palpite.

O motivo é simples: ferro em excesso também faz mal. O NIH fixa em 45 mg por dia o limite superior para adultos fora de prescrição médica; acima disso são comuns náusea, prisão de ventre e vômito, e doses altas prejudicam a absorção de zinco. Pessoas com hemocromatose, condição genética que acumula ferro no organismo, devem evitar suplementos. E frascos de ferro precisam ficar longe do alcance das crianças, para as quais a ingestão acidental é perigosa.

O ferro não pede atenção enquanto está presente. Quando falta, cobra em energia, em cor, em foco. Antes de culpar o inverno ou a rotina, vale um exame e um prato bem pensado: feijão com laranja, lentilha com limão, um peixe no meio da semana. O resto é conversa para o consultório.

Fontes: NIH Office of Dietary Supplements, Iron · Organização Mundial da Saúde, Anaemia · USDA FoodData Central. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.
Fotos: Wikimedia Commons

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