Dirigimos o Mercedes-Benz GLE Coupé, e ele é um SUV que se recusa a parecer utilitário. À primeira vista, o teto descendente, as superfícies curvas e a silhueta atlética anunciam a intenção esportiva. Mas a proposta vai além da forma: o carro foi pensado para conciliar conforto de viagem e controle ao volante.
A carroceria cupê não é capricho estético. Ela organiza uma linguagem visual coesa, que comunica movimento mesmo com o carro parado. Com o pacote AMG de série, a presença é forte: entradas de ar amplas, grade com acabamento diamantado, faróis MULTIBEAM e rodas de até 22 polegadas.
Por dentro, o requinte aparece pela harmonia, não pelo excesso. Couro Nappa reveste os bancos com costuras precisas, e apliques de madeira escura acompanham o painel. A iluminação ambiente tem 64 cores, e os detalhes cromados das saídas de ar seguem a linguagem do Classe S e do Maybach GLS.


O silêncio da cabine divide a atenção com o som. O sistema Burmester tem 13 alto-falantes e 590 watts, agora com Dolby Atmos, que amplia a sensação de espaço. O perfil acústico pode ser ajustado conforme a música ou o momento.
Sob o capô, a sigla 450 muda de sentido conforme o mercado. Na Europa e nos Estados Unidos, o GLE 450 usa um seis cilindros em linha 3.0 turbo a gasolina, com sistema híbrido leve de 48 volts, 381 cv e 51 kgfm. No Brasil, a Mercedes-Benz vende o GLE Coupé como 450 d 4MATIC, com seis cilindros em linha a diesel, também com híbrido leve de 48 volts: são 367 cv e 76,5 kgfm, mais um reforço elétrico de até 20 cv, administrados pelo câmbio automático 9G-Tronic e pela tração integral 4MATIC. O 0 a 100 km/h é cumprido em 5,6 segundos. Ao volante, o desempenho é suave, porém vigoroso: a entrega é contínua e silenciosa, mais empurrão do que estalo, e impressiona sem atordoar.
A suspensão pneumática adaptativa AIRMATIC alterna entre firmeza e maciez conforme o modo escolhido. Na nossa avaliação, a direção se mostrou responsiva, quase intuitiva, e o raio de giro surpreende para um SUV deste porte. Nas curvas, o cupê se comportou com o equilíbrio de um sedã esportivo, e em velocidade de cruzeiro o isolamento acústico é quase absoluto.
O sistema MBUX responde a comandos de voz e toques, integra Apple CarPlay e Android Auto sem fio e pode projetar informações no para-brisa com realidade aumentada. O piloto automático adaptativo e os assistentes de faixa e de frenagem completam o pacote de assistência e, no nosso uso, atuaram com suavidade, sem tornar a direção artificial.




A escolha do diesel faz sentido para o uso brasileiro: o torque alto aparece cedo, o que favorece viagens longas em rodovia, e o sistema de 48 volts suaviza o liga e desliga do motor no trânsito, a ponto de as partidas serem praticamente imperceptíveis, e ajuda a reduzir o consumo.
Mesmo com o perfil cupê e um porta-malas menor que o do GLE convencional, o carro mantém versatilidade. Leva uma família pequena num fim de semana prolongado, e o engate elétrico retrátil permite transportar bicicletas. A função “capô transparente” da câmera dianteira ajuda em rampas e manobras fora de estrada.

Um SUV que não quer parecer utilitário, afinal. O GLE Coupé guarda o desempenho para quando é chamado e passa o resto do tempo em silêncio, como um terno bem cortado que não precisa de atenção.
Ficha técnica: Mercedes-Benz GLE 450 d 4MATIC Coupé (versão brasileira)
Motor: seis cilindros em linha biturbo a diesel, com sistema híbrido leve de 48 volts
Potência: 367 cv (mais até 20 cv do motor elétrico)
Torque: 76,5 kgfm
Câmbio: automático 9G-Tronic de nove marchas; tração integral 4MATIC
0 a 100 km/h: 5,6 s
Velocidade máxima: 250 km/h

