Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
Todo carro perde valor ao sair da concessionária. A pergunta que interessa a quem compra no topo do mercado é outra: quanto, e por quê.
Na faixa dos modelos de alto padrão, a depreciação costuma ser mais dura do que nos carros de volume. O preço de partida é alto, o público comprador de usados é menor, e o custo de manter um carro sofisticado fora da garantia assusta quem compra de segunda mão. O resultado aparece na Tabela Fipe, a referência de preço do mercado brasileiro.

O retrato de 2019: sedãs alemães em queda
Quando esta matéria foi publicada, um levantamento da KBB Brasil sobre o primeiro ano de uso colocava a BMW como a marca com mais modelos entre os que mais perdiam valor. O BMW X6 xDrive35i liderava, com queda de 24,8%, seguido pelo Audi A6 3.0, com 23,5%. Na outra ponta, o Mercedes-Benz GLS 500 perdia apenas 5,7%, e a Jaguar ocupava as posições seguintes com o F-Pace e o XF, todos abaixo de 9%.
Boa parte daquelas versões saiu de linha, e os números ficam aqui como registro. O que continua valendo é a lógica por trás deles.
O que mudou: a eletrificação entra na conta
Nos últimos anos, o fator que mais mexeu com a revenda foi a eletrificação. Um estudo da InstaCarro publicado em 2025, com base em 18 meses de negócios, mostrou que elétricos seminovos foram vendidos, em média, a cerca de 57% do valor da Fipe, contra perto de 78% dos híbridos e 74% dos carros a gasolina. A média, porém, esconde exceções: alguns modelos da BYD ficaram próximos de 90% da tabela.
Levantamentos de fim de 2025 com base na Fipe também apontaram elétricos entre os carros que mais perderam valor em doze meses, com quedas acima de 25% em alguns modelos. Entre as razões citadas estão os cortes de preço dos carros novos, a rápida evolução das baterias e a insegurança do comprador de usados quanto ao custo de manutenção e à rede de assistência.
O que segura o valor: cinco sinais
Não existe fórmula, mas alguns sinais se repetem. Primeiro, a demanda: SUVs e modelos de nicho com fila de espera tendem a segurar preço melhor do que sedãs grandes. Segundo, a rede: marcas com assistência ampla e peças acessíveis assustam menos o segundo dono. Terceiro, o ciclo de produto: comprar no fim de uma geração, pouco antes da reestilização, costuma custar caro na revenda. Quarto, a configuração: cores sóbrias e versões equilibradas encontram comprador com mais facilidade do que combinações excêntricas. Quinto, o histórico: revisões em dia na concessionária e documentação completa valem dinheiro.
Há ainda a exceção que confirma a regra. Esportivos de produção limitada e séries especiais de marcas como Porsche e Ferrari podem até se valorizar, mas aí o carro deixa de ser apenas transporte e passa a ser objeto de coleção, com outra lógica de mercado.
Antes de fechar negócio, vale consultar a evolução do modelo na Tabela Fipe nos últimos anos e comparar com o preço efetivo de anúncios de usados. A diferença entre os dois diz muito sobre a liquidez real do carro.
O carro perfeito na vitrine nem sempre é o carro inteligente na garagem. Entre um e outro, a depreciação faz a conta em silêncio, e quem entende de carros aprende a ouvi-la antes de assinar.
Redação WAYFARER

