Dark Mode Light Mode

Depreciação no topo do mercado: por que alguns carros perdem mais valor

Do ranking de 2019 à chegada dos elétricos, o que faz um carro de alto padrão perder ou segurar valor na revenda brasileira.
Munich, Germany - 3rd July, 2015: Skoda Superb cars stopped on the parking during the press launch. The first generation of Superb was debut in 2001 on the market. The third generation of luxury liftback from Skoda is powered by diesel or petrol engines (pushing out 110-280 HP). The Superb is the most luxury car in Skoda offer.

Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.

Todo carro perde valor ao sair da concessionária. A pergunta que interessa a quem compra no topo do mercado é outra: quanto, e por quê.

Na faixa dos modelos de alto padrão, a depreciação costuma ser mais dura do que nos carros de volume. O preço de partida é alto, o público comprador de usados é menor, e o custo de manter um carro sofisticado fora da garantia assusta quem compra de segunda mão. O resultado aparece na Tabela Fipe, a referência de preço do mercado brasileiro.

car_depreciation-1475868696818.jpg

O retrato de 2019: sedãs alemães em queda

Quando esta matéria foi publicada, um levantamento da KBB Brasil sobre o primeiro ano de uso colocava a BMW como a marca com mais modelos entre os que mais perdiam valor. O BMW X6 xDrive35i liderava, com queda de 24,8%, seguido pelo Audi A6 3.0, com 23,5%. Na outra ponta, o Mercedes-Benz GLS 500 perdia apenas 5,7%, e a Jaguar ocupava as posições seguintes com o F-Pace e o XF, todos abaixo de 9%.

Boa parte daquelas versões saiu de linha, e os números ficam aqui como registro. O que continua valendo é a lógica por trás deles.

O que mudou: a eletrificação entra na conta

Nos últimos anos, o fator que mais mexeu com a revenda foi a eletrificação. Um estudo da InstaCarro publicado em 2025, com base em 18 meses de negócios, mostrou que elétricos seminovos foram vendidos, em média, a cerca de 57% do valor da Fipe, contra perto de 78% dos híbridos e 74% dos carros a gasolina. A média, porém, esconde exceções: alguns modelos da BYD ficaram próximos de 90% da tabela.

Levantamentos de fim de 2025 com base na Fipe também apontaram elétricos entre os carros que mais perderam valor em doze meses, com quedas acima de 25% em alguns modelos. Entre as razões citadas estão os cortes de preço dos carros novos, a rápida evolução das baterias e a insegurança do comprador de usados quanto ao custo de manutenção e à rede de assistência.

O que segura o valor: cinco sinais

Não existe fórmula, mas alguns sinais se repetem. Primeiro, a demanda: SUVs e modelos de nicho com fila de espera tendem a segurar preço melhor do que sedãs grandes. Segundo, a rede: marcas com assistência ampla e peças acessíveis assustam menos o segundo dono. Terceiro, o ciclo de produto: comprar no fim de uma geração, pouco antes da reestilização, costuma custar caro na revenda. Quarto, a configuração: cores sóbrias e versões equilibradas encontram comprador com mais facilidade do que combinações excêntricas. Quinto, o histórico: revisões em dia na concessionária e documentação completa valem dinheiro.

Há ainda a exceção que confirma a regra. Esportivos de produção limitada e séries especiais de marcas como Porsche e Ferrari podem até se valorizar, mas aí o carro deixa de ser apenas transporte e passa a ser objeto de coleção, com outra lógica de mercado.

Antes de fechar negócio, vale consultar a evolução do modelo na Tabela Fipe nos últimos anos e comparar com o preço efetivo de anúncios de usados. A diferença entre os dois diz muito sobre a liquidez real do carro.

O carro perfeito na vitrine nem sempre é o carro inteligente na garagem. Entre um e outro, a depreciação faz a conta em silêncio, e quem entende de carros aprende a ouvi-la antes de assinar.

Redação WAYFARER

Previous Post

Audi Sport celebra 25 anos dos modelos RS

Next Post

Cartier apresenta a coleção Magnitude, destacando pedras minerais