Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
O Continental GT nunca foi um carro para chegar rápido. Foi um carro para chegar longe, e inteiro.
Desde 2003, o cupê da Bentley define o que se espera de um grand tourer moderno: potência abundante entregue com calma, uma cabine feita à mão em Crewe e a capacidade de atravessar um continente sem cansar quem está ao volante. A terceira geração, apresentada em 2018 e que esta matéria descrevia originalmente, levou essa ideia ao ápice do motor a combustão. A quarta, lançada em 2024, a reescreveu com eletricidade.
Design: a linha que atravessa o carro
A terceira geração trouxe proporções clássicas de grand tourer sobre uma carroceria de alumínio superformado e uma plataforma inteiramente nova. A assinatura é a chamada “power line”, o vinco que nasce entre os faróis dianteiros e corre pela lateral até a traseira, sugerindo movimento mesmo com o carro parado. As rodas opcionais de 22 polegadas e os acabamentos em dois tons ampliavam o repertório de personalização.



O W12: o fim de uma era
O coração daquele Continental GT era o W12 de 6,0 litros biturbo, capaz de levar o cupê de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos e a 333 km/h de velocidade máxima. Em uso normal, a tração era traseira; ao menor sinal de perda de aderência, o sistema de tração integral ativa acionava as rodas dianteiras. Completavam o conjunto a transmissão de dupla embreagem de oito marchas, o controle ativo de rolagem em 48 V e a direção elétrica.
Esse motor não existe mais. Em julho de 2024, a Bentley montou à mão, em Crewe, o último W12, encerrando cerca de duas décadas e mais de 100 mil unidades de um dos doze cilindros mais bem-sucedidos da era moderna.



A quarta geração: híbrido e mais rápido
Em seu lugar, o Continental GT Speed de quarta geração adotou o conjunto que a marca chama de Ultra Performance Hybrid: um V8 4.0 biturbo de 600 cv associado a um motor elétrico de 190 cv, para 782 cv e 1.000 Nm combinados. O 0 a 100 km/h cai para 3,2 segundos, a máxima chega a 335 km/h, e a bateria de 25,9 kWh, instalada atrás do eixo traseiro, permite rodar até 81 km só no modo elétrico. Pela primeira vez na história do modelo, a distribuição de peso pende para trás, 49:51, e o chassi ganhou esterçamento nas quatro rodas, vetorização de torque e suspensão a ar de dupla câmara.
Cabine: tecnologia que se esconde
Uma das marcas do Continental GT desde a terceira geração é o painel rotativo: com o carro desligado, ou quando o motorista prefere, a tela central gira e dá lugar a três mostradores analógicos ou a um painel liso de madeira. É a síntese do modelo, a tecnologia disponível quando chamada, invisível quando não.

Couros, madeiras, costuras, cores: a Bentley oferece um leque de opções tão amplo, inclusive pelo programa Mulliner, que dificilmente dois Continental GT saem iguais de Crewe.
O doze cilindros se calou, e o Continental GT seguiu viagem. Mais rápido, mais silencioso quando quer, fiel à mesma promessa: chegar longe, e inteiro.
Redação WAYFARER

