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Rolex e Cartier apresentam novidades exclusivas durante feira global

Rolex celebra 100 anos do Oyster e Cartier reinventa o Crash no Watches and Wonders 2026 — luxo, design e status.

No Watches and Wonders 2026 — onde o mercado de alta relojoaria define seus próximos movimentos — o que se viu foi menos sobre lançamentos e mais sobre posicionamento. Em um cenário dominado por releituras seguras, poucas maisons optaram por avançar narrativa. Rolex e Cartier estão entre elas. Não apenas celebram datas — transformam marcos em declarações de poder, repertório e permanência.

Completar 100 anos, neste contexto, não é sobre passado. É sobre relevância contínua. Ao revisitar o Oyster, lançado em 1926, a Rolex retoma um dos momentos mais decisivos da relojoaria moderna: a criação do primeiro relógio de pulso verdadeiramente resistente à água — um avanço que deslocou o relógio do campo ornamental para o território da performance.

Idealizado por Hans Wilsdorf, o modelo rapidamente ultrapassou o produto e se tornou narrativa. Quando Mercedes Gleitze atravessou o Canal da Mancha com um Oyster no pescoço, não se tratava apenas de resistência, mas de construção de mito. Um século depois, o gesto permanece — não como memória, mas como linguagem ativa.

Entre as interpretações apresentadas, o Oyster Perpetual 36 sintetiza o momento atual da marca. Menos ferramenta, mais código. O mostrador laqueado, vibrante e gráfico, introduz um padrão geométrico com repetição do nome Rolex, reinterpretando o motivo Jubilee sob uma lente contemporânea.

Aqui, o relógio deixa de ser apenas instrumento e passa a sinalizar repertório, acesso e leitura de mundo. Construído em Oystersteel, mantém a robustez que sustenta sua legitimidade — com resistência à água de até 100 metros —, mas inserido em uma lógica onde percepção e presença são tão decisivas quanto performance.

Se a Rolex evolui pela consistência, a Cartier opera em outro eixo: forma como linguagem. Celebrando 10 anos da linha Privé, a maison revisita Tank, Tortue e Crash — silhuetas que não apenas marcaram época, mas ajudaram a definir o que é design em relojoaria, com o Crash assumindo o papel central dessa narrativa.

O novo Crash Squelette não busca consenso — e esse é precisamente o ponto. No centro da peça está o calibre 1967 MC, desenvolvido para acompanhar uma das caixas mais desafiadoras da relojoaria contemporânea. Com 142 componentes, o movimento é inteiramente finalizado à mão, esculpido para remover matéria sem comprometer integridade, criando uma transparência que expõe sem fragilizar.

O resultado é uma peça que desafia a lógica visual: leve na aparência, extrema na complexidade. O Watches and Wonders 2026 deixa claro que a alta relojoaria já não compete apenas em precisão, mas em significado — e, enquanto muitos revisitam códigos, Rolex e Cartier transformam produto em discurso, discurso em desejo e desejo em permanência. No fim, o tempo continua sendo medido. Mas, para quem entende, nunca foi só sobre isso.

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