Nota editorial: publicada originalmente em 2021 e atualizada em setembro de 2026.
Café e destilado se entendem há mais tempo do que a coquetelaria moderna admite.
Do carajillo espanhol ao irish coffee, passando pelo espresso martini que tomou os bares nos últimos anos, o café sempre soube dividir o copo com o álcool: traz amargor, tosta e uma secura que equilibra licores doces e vermutes. Cinco receitas mostram as possibilidades dessa parceria, do aperitivo à saideira. Uma observação honesta antes do primeiro gole: a cafeína não reduz os efeitos do álcool. Ela apenas dá a sensação de estar mais alerta, o que pode enganar. Bebe-se pelo sabor, com moderação, e não para ganhar fôlego.

Cold Brew Negroni
A ideia, popularizada pela bartender nova-iorquina Pamela Wiznitzer, é infundir o Campari com café em vez de acrescentar café ao drink. O resultado é um Negroni mais profundo, com a mesma estrutura amarga e um fundo torrado.
- 30 ml de Campari infusionado com café
- 30 ml de gin
- 30 ml de vermute doce
Mexa os três ingredientes com gelo até esfriar bem e coe sobre um cubo grande em copo baixo. Finalize com casca de laranja. Para a infusão: encha um frasco até a metade com café moído, complete com Campari, deixe descansar de dez minutos a uma noite e coe em filtro de papel.

Night Cap
O nome sugere fim de noite, mas o café gelado pede cautela com o horário. É uma espécie de rum tônica reforçada, com maple syrup e laranja, efervescente e aromática.
- 60 ml de rum dourado
- 60 ml de café coado a frio
- 15 ml de maple syrup
- Raspas de 1 laranja
- 1 dash de Angostura
- Água tônica para completar
Bata rum, café, maple, raspas e bitter na coqueteleira com gelo. Coe em copo alto com gelo, complete com a tônica e mexa delicadamente. Finalize com casca de laranja.

Death by Morning
Absinto e Branca Menta formam a base deste drink amargo, mentolado e herbáceo, que recebe licor de café e uma dose inteira de espresso. É estimulante no sabor e elegante na taça.
- 22 ml de absinto
- 15 ml de Branca Menta
- 15 ml de licor de café
- 45 ml de espresso
- 1 colher bailarina de açúcar demerara
- 1 dash de Angostura
- 1 pitada de sal marinho
- 1 casca de laranja
Bata todos os ingredientes líquidos, o açúcar e o sal com gelo. Coe duas vezes em taça Nick & Nora, esprema o óleo da casca de laranja sobre o drink e descarte. Finalize com um raminho de hortelã.

Express Y’a Self
Uma releitura do espresso martini com base de agave: tequila e mezcal no lugar da vodca, baunilha e bitters para arredondar. O glitter comestível é opcional. O sabor se sustenta sozinho.
- 45 ml de tequila prata
- 30 ml de licor de café
- 15 ml de mezcal
- 30 ml de café coado a frio
- 15 ml de néctar de agave
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- 1 colher de chá de bitter de chocolate
- 1 colher de chá de bitter picante
Bata tudo com gelo e coe em taça coupé.

Carajillo 43
O mais simples e talvez o mais clássico dos cinco. De origem espanhola, o carajillo une espresso e Licor 43, o licor de baunilha e cítricos de Cartagena. Dois ingredientes, nenhum atalho.
- 50 ml de Licor 43
- 50 ml de espresso
Em copo baixo com três pedras de gelo, coloque o licor e depois o café. Mexa e complete com gelo. Para a versão batida, agite tudo vigorosamente na coqueteleira e sirva com a espuma.
Café e álcool dividem a mesma mesa há séculos, do balcão de Madri ao bar de hotel de Nova York. Nenhuma dessas receitas promete fôlego para a noite. Prometem o que um bom drink sempre prometeu: sabor, pausa e conversa.
Redação WAYFARER

