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Saint-Tropez para além do porto: um roteiro de artesãos, vinhedos e tradição

Diga o nome Saint-Tropez e a imagem que vem à mente é quase sempre a mesma: um porto reluzente, iates ancorados lado a lado, beach clubs povoados por gente bonita. Mas um século atrás, antes dos superiates e da fama, a vila de pescadores era outra coisa: um refúgio de luz e simplicidade que atraiu pintores como Paul Signac, que ali viveu e trabalhou, convidando Henri Matisse a descobrir o mesmo encanto.

Brigitte Bardot e Gunther Sachs em Saint-Tropez em 1962
Brigitte Bardot e Gunther Sachs em Saint-Tropez, agosto de 1962.

“Saint-Tropez certamente evoluiu ao longo dos anos até se tornar um destino reconhecido internacionalmente. Mas acredito que o que sempre fascinou as pessoas não foi apenas a beleza, foi o estilo de vida único”, diz Anne-Victoire Matton, membro da quarta geração à frente do Château Minuty, marca de vinho icônica da Riviera francesa que celebra noventa anos em 2026.

“Por gerações, artistas, escritores e criativos encontraram inspiração aqui, atraídos pela luz extraordinária, pelas paisagens preservadas e pela atmosfera única da península. Existe um equilíbrio raro entre energia vibrante e um modo de vida autêntico que não se encontra em nenhum outro lugar”, acrescenta.

O território era um enclave discreto e artístico até 1956, quando o lançamento de E Deus Criou a Mulher mudou tudo. O filme projetou Brigitte Bardot ao estrelato internacional e transformou Saint-Tropez, cenário da produção, no novo playground sedutor do jet set, reputação que persiste até hoje.

Vinhedos do Château Minuty com o mar ao fundo em Saint-Tropez
Os vinhedos de Château Minuty se estendem rumo ao mar, na península de Saint-Tropez.

Quem se afasta do porto movimentado encontra outro lado da cidade: perfumado de pinheiros e ervas selvagens, com fileiras de videiras que avançam em direção ao mar e tradições provençais que ainda organizam o cotidiano.

“As pessoas costumam associar Saint-Tropez ao glamour, mas antes de tudo é uma terra agrícola, profundamente enraizada na natureza, com uma cultura própria dessa península”, conta Matton. “Meu bisavô, Gabriel Matton, se apaixonou por essa região, e foi por isso que adquiriu a propriedade em 1936. Esse amor pela terra atravessou cada geração e permanece no centro de tudo o que fazemos hoje na Minuty. Nosso papel sempre foi revelar o melhor deste lugar através dos nossos vinhos, preservando seu espírito para as próximas gerações.”

Anne-Victoire Matton com o pai e o tio no Château Minuty
Anne-Victoire Matton, ao lado do pai Jean-Etienne e do tio François, conduz o Château Minuty.

Fundado em Gassin, o Château Minuty acompanhou de perto a transformação da península de Saint-Tropez, e seus rosés se tornaram indissociáveis do estilo de vida da Riviera. A seguir, Matton compartilha seu roteiro pessoal, dos endereços que preservam as raízes artísticas e agrícolas da região às marcas locais que merecem atenção.

Onde comer e beber

Les Salins é o restaurante de praia mais autêntico de Saint-Tropez. Simples, sem música, peixe excepcional e os pés na areia. Os clientes se repetem ano após ano, e a família proprietária conhece cada um deles. Fica também na área mais preservada da cidade: a praia pública ali perto é pouco conhecida e absolutamente bonita.

Moorea é o melhor beach club da famosa praia de Pampelonne, cinco quilômetros de areia que abrigam trinta e cinco clubes diferentes. É um dos mais antigos, pertencente à mesma família desde os anos 1950. A comida é muito boa, as espreguiçadeiras são confortáveis, o bar é ótimo, e há música das quinze às vinte e uma horas, num clima descontraído, perfeito para quem quer festa à beira-mar em Ramatuelle.

Vista da costa e do porto de Saint-Tropez na Riviera francesa
A luz da Riviera francesa continua a encantar quem visita Saint-Tropez.

Senequier é o point definitivo de Saint-Tropez, talvez o bar-restaurante mais popular do porto, famoso por suas cadeiras e mesas vermelhas. Ideal para o café da manhã ou um aperitivo, é um dos poucos endereços da cidade abertos o ano inteiro, com uma atmosfera aconchegante também no inverno.

Le Bar du Sube é o melhor bar de Saint-Tropez, com espírito esportivo. Localizado bem no centro do porto, tem ambientação elegante e autêntica, decorada com modelos antigos de veleiros. É o point certo durante a semana de Les Voiles de Saint-Tropez, no início de outubro, quando as equipes de vela se reúnem ali para um drinque após as regatas.

Onde visitar

Château Minuty fica a apenas dez minutos de carro do centro de Saint-Tropez. É possível organizar visitas à propriedade, degustações ou simplesmente comprar vinhos direto da adega. A vegetação é exuberante e contrasta com o restante da costa.

Propriedade do Château Minuty no outono, com arquitetura provençal
A propriedade do Château Minuty, em Gassin, guarda quase noventa anos de história vitivinícola.

O Sentier du littoral é um caminho à beira-mar de rara beleza, perfeito para caminhar, correr ou nadar ao longo da costa.

Onde comprar

Rondini é o endereço certo para as verdadeiras sandálias tropezianas. A família Rondini desenvolveu o modelo original ao longo de décadas, e é possível ver os artesãos trabalhando à mão direto da pequena loja. Praticamente todas as mulheres do sul da França usam um par.

Marina de Saint-Tropez com o campanário da igreja Notre-Dame de l'Assomption ao fundo
A marina de Saint-Tropez, com o campanário de Notre-Dame de l’Assomption ao longe.

Kiwi Saint-Tropez reúne os melhores maiôs e biquínis da região. A marca tem lojas ao redor do mundo, mas foi na cidade que tudo começou, com preços acessíveis e design contemporâneo.

Marinette Saint-Tropez é a loja de casa provençal por excelência, repleta de cor e referências marítimas, onde se encontra praticamente tudo o que uma casa na região pede.

Entre o porto e os vinhedos, entre a lenda de Bardot e o legado silencioso de uma família de viticultores, Saint-Tropez segue sendo duas cidades ao mesmo tempo: uma que se vê do cais, outra que se sente na terra.

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