Reduzir Monaco a Monte Carlo e à Place du Casino é entender só a superfície do principado. A praça Belle Époque, com seu trio famoso, o Casino de Monte-Carlo, o terraço do Café de Paris Monte-Carlo e o bar de jazz do Hôtel de Paris Monte-Carlo, continua sendo o cartão-postal mais óbvio. Mas há uma Monaco que se revela para quem sabe onde procurar, entre bairros recém-desenhados, clubes de praia com décadas de história e mesas que os próprios moradores frequentam sem pensar duas vezes.
O tamanho engana. Monaco é o segundo menor Estado independente do mundo, menor até que o Central Park de Nova York, mas carrega um peso cultural desproporcional à sua escala. Sede da conferência anual Summit da Forbes Travel Guide e destino de jet-setters desde que o cassino abriu as portas há quase 150 anos, o principado segue exercendo um fascínio que resiste ao tempo.

O novo distrito em movimento
Arquitetos de peso como Renzo Piano ajudaram a modernizar Monaco, revitalizando a orla de Larvotto, a principal praia do principado. Ele dividiu o desenho com nomes como Norman Foster e Tadao Ando na concepção de Mareterra, o novo eco-bairro pedestre que desponta como o capítulo mais recente da cidade. Ali estão a galeria contemporânea 21 Art, obras públicas como uma escultura de Alexander Calder e um dos restaurantes mais comentados do momento, o grego zephyr, cujo terraço se estende até o pequeno porto discreto de Mareterra.
Os retiros de bem-estar do momento
Os monegascos sabem indulgir-se, mas o bem-estar ocupa lugar central no destino. Pode ser um retiro de vários dias no Surrenne Riviera, logo depois da fronteira, ou uma aula de pilates com reformer à beira do Port Hercule, repleto de superiates, na Pilates Fit Club, que também organiza sessões a bordo de iates e em pranchas de paddle na praia de Larvotto.
Outra forma de reiniciar o corpo é o Spa Métropole by Guerlain, revestido em mármore, no Hotel Metropole, na Place du Casino. Depois de alternar entre o hammam e a sauna, um facial sob medida antecede uma parada no terraço da piscina do Zia at Odyssey, assinado por Karl Lagerfeld. Os chefs Manon Santini e Rocco Seminara conduzem uma cozinha mediterrânea refinada, do carpaccio de camarão vermelho com caviar ao tartar de atum com óleo de ‘nduja e emulsão de caponata. As pizzas, dizem os locais, estão entre as melhores da cidade, e a margherita com mozzarella fior di latte é aposta segura.

Os clubes de praia mais concorridos
Espremida entre a Riviera francesa e a italiana, Monaco é mais conhecida por seus momentos de piscina do que por sua faixa de areia, com a exceção notável do lendário Monte-Carlo Beach Club. A joia dos anos 1920 recebe famílias, casais e viajantes solo com clube infantil, esportes aquáticos, um pontão assinado por Jacquemus e uma seleção de restaurantes que vai do elegante Le Deck, à beira da piscina, ao Maona Monte-Carlo, de inspiração mykonense e clima de pista de dança, a resposta do principado aos clubes badalados da Riviera.
O recorte à beira do penhasco de Pointe La Vigie sempre foi um dos cantos mais interessantes da região, e nesta temporada abriga a novidade La Vigie Zanoni Monte-Carlo, com doca privativa acessível de barco. No almoço, o ritmo desacelerado da Riviera toma conta: rosé na taça e pratos como o carpaccio de lagostim ou o paccheri de frutos do mar assinados pelo chef Simone Zanoni.

Do Port Hercule também é possível pegar um barco e contornar a costa até o escalonado La Môme Riviera, onde DJs tocam às sextas e sábados num cenário que evoca Capri, água num tom de turquesa ainda mais intenso incluída. Para uma tarde mais contida, vale reservar uma espreguiçadeira em Larvotto e sentar-se na areia do La Rose des Vents, com tema Gucci, onde ostras e massas chegam direto à toalha.
O Nikki Beach Monte Carlo, instalado no topo do Fairmont Monte Carlo, reivindica uma das melhores piscinas de cobertura do principado. A vista, que se estende pelo horizonte urbano e pelo Mediterrâneo, disputa atenção com os DJs e músicos ao vivo dos fins de semana.

As mesas que não se pode ignorar
A manhã, ou o brunch de fim de semana, começa bem no novo café de Mareterra, Marlow, onde o petit-déjeuner ganha sotaque britânico e as scones dominam o chá da tarde. Para algo mais suntuoso, o terraço emoldurado por palmeiras do Hôtel de Paris recebe o primeiro endereço do consagrado pâtissier Cédric Grolet em Monaco, cujas criações de fruta com mousse convencem até quem não tem paladar para doces.
À noite, um drinque no terraço do Wine Palace, à beira do porto, ou dentro do recém-inaugurado bar de coquetéis do Hôtel Hermitage, o Gustave, sob a cúpula Eiffel, dá o tom certo antes do jantar.

Para um jantar que termina em pista de dança, o rooftop Amazónico é a escolha certa. Já quem prefere uma refeição mais contemplativa, com o pôr do sol como pano de fundo, deve reservar mesa no renomado Blue Bay Marcel Ravin, onde o chef que dá nome à casa tece referências da sua Martinica natal em pratos que destacam os melhores produtores e ingredientes da região.
Se a pergunta é onde os locais mais comem, a resposta costuma ser GAIA Monte-Carlo. Elegante sem excesso, o restaurante de inspiração grega mantém seu próprio mercado de peixe, o que garante frescor ao carpaccio de dourada e ao ceviche de robalo.

Comece pelo carpaccio de olhete, favorito da casa, servido em pedaços esculpidos com molhos como pimenta verde em conserva e aioli. As entradas têm a autenticidade de uma taverna ateniense, então vale dividir taramosalata, fava e tzatziki antes de seguir para pratos principais como o peixe em crosta de sal com raspas de laranja. E reservar espaço para o final: uma torre de iogurte grego batido na casa, com nozes caramelizadas e mel.
Monaco resiste à ideia de destino de passagem. Entre o cassino que a consagrou e o bairro que a reinventa, o principado pede tempo, apetite e disposição para sair da praça central.


