Em sua única edição paulistana do ano, o BOMA recebe a curadoria do The Moment, projeto do WhoMadeWho, e reúne Denis Sulta, Ashibah, Jackson e Halfcab no Mercado Pago Hall. Mais do que uma sequência de sets, a proposta é construir uma noite em que música, estética, espaço e comunidade formem uma única experiência.

São Paulo tem uma relação particular com pistas de dança. Algumas noites acabam quando as luzes acendem. Outras permanecem na memória porque conseguem fazer algo mais difícil: criar, durante algumas horas, a sensação de que todos naquele espaço estão vivendo exatamente o mesmo momento.
É nesse território que o BOMA retorna à cidade no dia 22 de agosto, para sua única edição paulistana de 2026.
O encontro acontece no Mercado Pago Hall, integrado à Mercado Livre Arena Pacaembu, e chega com uma colaboração que ajuda a explicar a dimensão da noite: a curadoria do The Moment, plataforma criada pelo trio dinamarquês WhoMadeWho para levar sua visão de música eletrônica para além do formato convencional de festa ou festival.
Não se trata apenas de escolher bons nomes para o line-up. A intenção é criar atmosfera.

Quando a pista vira The Moment
Formado por Tomas Høffding, Tomas Barfod e Jeppe Kjellberg, o WhoMadeWho construiu sua trajetória justamente na zona em que música eletrônica, performance ao vivo e emoção se encontram.
O The Moment nasceu como uma extensão dessa linguagem. Tomas Barfod já resumiu a ambição do projeto como algo “imersivo, íntimo e cheio de surpresas”, descrição que diz muito sobre o que o BOMA pretende transportar para São Paulo.
No centro da programação está o próprio WhoMadeWho, em Hybrid DJ Set. É um formato especialmente adequado à proposta: em vez da distância tradicional entre banda e cabine, o trio trabalha uma apresentação fluida, capaz de carregar a energia de uma pista sem abandonar a musicalidade e o componente emocional que transformaram o grupo em uma das referências contemporâneas da eletrônica melódica.
Há groove, house, passagens hipnóticas e momentos quase cinematográficos, mas também uma preocupação evidente com beleza, ritmo e narrativa. A música não entra apenas para preencher o espaço: ela ajuda a desenhá-lo.

Denis Sulta e a euforia sem roteiro
Se o WhoMadeWho representa o lado mais emocional e panorâmico da noite, Denis Sulta adiciona imprevisibilidade.
O escocês é o tipo de DJ capaz de atravessar house, disco, techno e faixas inesperadas sem transformar o set em exercício de virtuosismo. Sua força está na sensação de espontaneidade, a impressão de que pista e artista descobrem juntos para onde a noite vai seguir.
Em uma frase que poderia servir de manifesto para sua presença no BOMA, Sulta já definiu assim sua relação com a pista: “É tudo sobre se deliciar com o momento.”
Em 2026, o artista atravessa uma nova fase criativa, com o selo Silvers e novos trabalhos ampliando um universo que nunca se prendeu a fronteiras de gênero. No Pacaembu, é justamente essa liberdade que importa.
Ashibah: emoção que também se dança
A programação ganha outra camada com Ashibah.
Nascida na Dinamarca, com raízes egípcias e uma relação profunda com a cena brasileira, a artista encontrou no house uma linguagem capaz de aproximar voz, composição e pista. Seu trabalho passa por melodias intensas e vocais que não funcionam como adorno, mas como parte central da narrativa.
Ao falar sobre sua própria música, Ashibah encontrou uma definição precisa: “música emocional que se possa dançar.” É uma frase simples, mas talvez uma das melhores sínteses do espírito desta edição do BOMA.
Seu primeiro álbum, “Human”, lançado em junho de 2026, reforça essa busca por uma eletrônica menos impessoal: música para dançar, mas também para reconhecer algo de si dentro dela.
Jackson e Halfcab completam a narrativa
A noite ainda recebe Jackson e Halfcab, nomes que aproximam a curadoria internacional da identidade construída pelo BOMA no Brasil.
Isso importa porque um bom festival eletrônico não deveria funcionar como uma playlist em escala gigante. Existe uma diferença entre reunir artistas e construir uma noite.
No segundo caso, abertura, transição, intensidade e horário fazem parte da mesma história. A pista precisa ganhar temperatura, respirar, encontrar seus picos e permitir que a experiência tenha ritmo próprio. É esse desenho que transforma line-up em curadoria.

O Pacaembu também participa da experiência
A escolha do Mercado Pago Hall, dentro do novo complexo do Pacaembu, acrescenta outra dimensão à noite.
O BOMA sempre trabalhou com a ideia de que o espaço não é apenas o lugar onde a festa acontece. Arquitetura, circulação, produção visual, luz e relação com a cidade alteram completamente a maneira como a música é percebida.
A edição de São Paulo passou por uma mudança de endereço antes de chegar à configuração atual. Ao anunciar a decisão, a organização resumiu sua prioridade em uma frase: “Preferimos mudar o endereço a mudar aquilo que prometemos.”
A escolha faz sentido dentro da trajetória da plataforma. Nos últimos anos, o BOMA vem aproximando música eletrônica de arte, moda, comportamento e ocupação urbana, tratando seus eventos menos como produtos isolados e mais como encontros de uma comunidade. Nesse contexto, o Pacaembu não aparece apenas como cenário. Ele participa da noite.
Uma experiência que começa antes do primeiro drop
Talvez seja esse o ponto mais interessante sobre o BOMA.
Em um mercado em que festivais disputam atenção aumentando palcos, atrações e dimensões, existe outra possibilidade: fazer a experiência parecer maior sem torná-la mais excessiva.
Aumentar a qualidade da curadoria. Aumentar a atenção ao som. Aumentar a relação entre luz, arquitetura e música. Aumentar a sensação de pertencimento. E diminuir a distância entre quem está atrás da cabine e quem está diante dela.
É justamente aí que parece estar o resultado buscado pelo BOMA x The Moment: criar uma noite bem construída o suficiente para que, durante algumas horas, São Paulo possa esquecer todo o resto.
WhoMadeWho traz emoção e amplitude. Denis Sulta, imprevisibilidade e euforia. Ashibah acrescenta voz e sensibilidade. Jackson e Halfcab conectam essa narrativa à pista e à comunidade local.
No fim, porém, o verdadeiro headliner é aquilo que acontece entre todos eles: o momento em que as luzes mudam, a música certa entra, a pista percebe, e milhares de experiências individuais se transformam, por alguns minutos, em uma só.
Talvez seja por isso que o nome The Moment faça tanto sentido.
BOMA São Paulo 2026
Data: 22 de agosto de 2026, a partir das 17h
Local: Mercado Pago Hall (Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo)
Line-up: WhoMadeWho (Hybrid DJ Set), Denis Sulta, Ashibah, Jackson e Halfcab
Instagram: @weare_boma

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