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Jazz Mansion celebra dez anos no Nacional Club, no Pacaembu

A 30ª edição da Jazz Mansion celebra dez anos nos dias 22 e 23 de agosto, no Nacional Club, casa dos anos 1940 projetada por Jacques Pillon, com jardim de Burle Marx e decoração de Di Cavalcanti.
Jardim de entrada do Nacional Club, no Pacaembu, assinado por Roberto Burle Marx, sede da Jazz Mansion 10 Anos Jardim de entrada do Nacional Club, no Pacaembu, assinado por Roberto Burle Marx, sede da Jazz Mansion 10 Anos
Nacional Club, Pacaembu. Foto divulgação Jazz Mansion

WAYFARER · Cultura

A 30ª edição da Jazz Mansion celebra dez anos nos dias 22 e 23 de agosto, no Nacional Club, casa dos anos 1940 projetada por Jacques Pillon, com jardim de Roberto Burle Marx e decoração de Di Cavalcanti.

Há projetos culturais que dependem do palco. A Jazz Mansion depende da casa.

A primeira edição reuniu cerca de cem pessoas em uma mansão dos anos 1920, e já trazia a premissa que o projeto passaria a década seguinte defendendo: música instrumental autoral dentro de arquitetura residencial histórica, com o público circulando pelos cômodos como quem visita, não como quem assiste. É simples de enunciar e difícil de executar. Dez anos e mais de trinta edições depois, entre São Paulo e Rio de Janeiro, o formato já atravessou mais de quinze casarões.

Para o aniversário, escolheu a casa de maior porte que já ocupou.

A casa: um endereço que foi feito para receber

O Nacional Club ocupa uma mansão erguida na década de 1940, na Rua Angatuba, no Pacaembu. O projeto é do arquiteto francês Jacques Pillon, encomendado pelo banqueiro Orozimbo Roxo Loureiro, dono do Banco Nacional Imobiliário. O jardim leva assinatura de Roberto Burle Marx. A decoração passou pelas mãos de Di Cavalcanti. O clube que hoje ocupa o endereço foi fundado em 1958.

A planta explica por que a casa funciona tão bem para o formato. No térreo, uma biblioteca e um bar em estilo inglês. Do lado de fora, piscina e jardim. No andar superior, seis quartos e salas, e um banheiro social inteiramente revestido de mármore.

Nada ali foi desenhado para um palco. Tudo foi desenhado para receber. O festival apenas devolve à casa sua função de origem, em outra escala.

A programação: dez áreas, dois dias

Jardim Burle Marx, entrada do Nacional Club, no Pacaembu

Jardim Burle Marx, área de entrada da mansão. Foto divulgação Jazz Mansion

A edição divide o imóvel em dez áreas simultâneas, ativas das 12h às 22h nos dois dias, com mais de quarenta artistas nacionais e internacionais.

O Salão concentra o palco principal e abre às 15h nos dois dias, sempre com o DJ Léo Lucas. No sábado, a sequência segue com Nova Malandragem às 17h e Pre7 às 19h, com DJ Luísa Viscardi nos intervalos das 18h e das 20h, e encerra às 21h com Queen Iretta. Iretta Sanders carrega o blues do sul dos Estados Unidos: começou cantando em igreja, se firmou nas juke joints entre Memphis e Clarksdale e é presença frequente no Ground Zero Blues Club, casa que tem Morgan Freeman entre os sócios. No domingo, o desenho se repete: Ebbe Brass às 17h, o carioca Sweet Jazz às 19h, Luísa Viscardi entre eles, e o nova-iorquino Greg Banks no encerramento das 21h.

Em paralelo, a biblioteca vira feira de vinil com curadoria da Show Me Your Case, das 12h às 21h. A Sala de Leitura recebe conversas com artistas e curadores das 13h às 20h. O bar de época tem piano ao vivo das 13h às 16h. O Piso Nobre, onde ficam os cômodos privativos, abriga a Jazz Experience, restrita a assinantes do Jazz Mansion Club.

Os dois jardins, o de entrada assinado por Burle Marx e o da piscina, atribuído a Di Cavalcanti, funcionam como áreas de permanência, não como passagem. A distinção é pequena no papel e decisiva na prática.

A curadoria dos convidados da edição de aniversário é assinada por Van Nobre. Em um festival que acontece dentro de uma casa, essa função pesa tanto quanto a grade musical. Não se trata de preencher ambientes, e sim de decidir quem circula por eles, em que ritmo e a que horas, porque é dessa combinação que nasce a temperatura de cada cômodo. É um trabalho que aparece pouco e se sente o tempo inteiro, e Van Nobre opera exatamente nesse ponto, no encontro entre público, artistas e arquitetura. A lista desta edição carrega essa leitura.

A mesa: comida como parte da planta

O festival é apresentado pelo Fogo de Chão, que assina a operação gastronômica ao lado do iFood. A Vila iFood reúne mais de cinco restaurantes convidados em formato adaptado ao ritmo do festival, com serviço contínuo das 12h às 22h.

A escolha é coerente com a década anterior. A Jazz Mansion nunca tratou comida e bebida como praça de alimentação anexa, e sim como mais um cômodo da casa.

Vale ir

Vale, com um recado prático.

A força do projeto nunca esteve no line-up isolado, e sim na fricção entre a música e a casa que a recebe. Esta é a edição de maior escala da série, dez áreas e mais de quarenta artistas, e o risco natural de uma operação desse porte é diluir a medida doméstica que fundou o projeto.

Quem quiser a melhor versão do festival deve chegar às 12h, quando a Vila, o bar e a biblioteca abrem e o Salão ainda está fechado. São três horas em que a casa se deixa ver: o jardim do Burle Marx sem fila, o piano no bar inglês, os discos na biblioteca, o mármore do banheiro social que quase ninguém repara depois das seis.

Os grandes shows vêm depois, e vêm bem. Mas a arquitetura, essa só se vê cedo.

Dez anos depois, a premissa segue de pé. O palco continua sendo o detalhe. A casa é que faz o programa.


Jazz Mansion 10 Anos
22 e 23 de agosto de 2026, das 12h às 22h
Nacional Club, Rua Angatuba, 703, Pacaembu, São Paulo
Ingresso padrão e ingresso Big Chief, este com área VIP ao lado do palco, bar exclusivo, welcome food do Fogo de Chão e acesso ao camarim
Assinantes do Jazz Mansion Club têm pré-venda, desconto em todos os lotes e acesso à Jazz Experience no Piso Nobre
Vendas pela Fever
Menores de 18 anos acompanhados dos responsáveis, crianças até 10 anos não pagam
Espaço acessível para cadeirantes

WAYFARER · São Paulo

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