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O Jaguar sob medida do Hôtel de Crillon

Por uma temporada, o Hôtel de Crillon ofereceu aos hóspedes um Jaguar E-Type com interior desenhado por Tristan Auer. A oferta acabou em 2020; fica o registro de uma ideia de hospitalidade.

Por WAYFARER5 dezembro, 2019

Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026. A encomenda descrita aqui era uma oferta por tempo limitado do Hôtel de Crillon, válida até 2020, e não está mais disponível; este texto fica como registro.

Houve um tempo em que um hotel parisiense oferecia, em vez de serviço de quarto, um carro. Não qualquer carro: um Jaguar E-Type conversível, com o interior desenhado sob medida.

A ideia nasceu no Hôtel de Crillon, na Place de la Concorde, hoje sob a bandeira Rosewood. O hotel reabriu em 2017 depois de quatro anos de obras, e um dos nomes à frente da reforma foi o designer de interiores francês Tristan Auer. Dois anos depois da reabertura, casa e designer voltaram a trabalhar juntos, desta vez fora das paredes do palácio.

A encomenda: um E-Type como apartamento

A proposta, lançada no fim de 2019, era direta. O hóspede trabalharia com Auer para criar um Jaguar E-Type Cabriolet vintage com cabine personalizada, a partir de cerca de US$ 290 mil. O programa valia até 2020 e previa a inscrição dos carros prontos no Chantilly Arts & Elegance de 2021, o concurso de elegância que reúne colecionadores nos jardins do castelo de Chantilly.

Auer chamava esse trabalho de alfaiataria de carros. A lógica, dizia ele, era a mesma de um apartamento feito sob medida: a cabine como extensão do estilo de quem a ocupa. O designer passou a incluir automóveis no portfólio do estúdio em 2017, e um dos primeiros exercícios foi dentro do próprio Crillon.

O Citroën da casa

O carro oficial do hotel era um Citroën DS de 1973. Auer refez o interior com caxemira e couro, buscando referências tão distantes quanto as gargantas do Dadès, no Marrocos, e um par de mocassins franceses. O resultado transformou o sedã num objeto quase doméstico. Pouco depois, o estúdio entregou também a cabine de um Jaguar XK120.

Para os E-Type da encomenda, a parceria previa tecidos da Loro Piana Interiors. O resto dependeria de quem encomendasse: Auer costumava construir cada projeto a partir da história do cliente, de seus hábitos, de sua maneira de viver.

A escolha do E-Type não era casual. Para o designer, era um símbolo de estilo e ofício, e talvez por isso uma tela tão tentadora. O que se vendia ali não era um carro, mas tempo, conversa e uma peça única.

O que ficou

A oferta expirou e não voltou a aparecer entre as experiências do hotel. Ficou o gesto: a ideia de que hospitalidade pode ir além do quarto e alcançar o objeto que o hóspede leva para casa. O Crillon segue na Concorde, com suas suítes e seus salões do século XVIII.

Um hotel que, por uma temporada, oferecia um carro em vez de um cardápio. O Jaguar saiu da vitrine, o Citroën da casa ficou na memória, e a Concorde continua ali, larga e silenciosa, esperando o próximo capricho.

Redação WAYFARER

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