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Harley-Davidson e os 10 grandes roteiros de aventura sobre duas rodas

Do Atlas marroquino à Estrada do Alasca, dez estradas selecionadas pela Harley-Davidson para uma vida inteira de motociclismo.

Nota editorial: publicada originalmente em 2021 e atualizada em setembro de 2026.

Há viagens que se fazem de carro. E há estradas que pedem duas rodas, capacete e disposição para sentir o vento, o frio e o cheiro da paisagem. A Harley-Davidson reuniu dez delas numa lista que atravessa quatro continentes, e que continua valendo como mapa para uma vida inteira de motociclismo.

Rota das Mil Kasbahs, Marrocos

Ao sul do Alto Atlas, a rota segue antigos caminhos de caravanas entre palmeiras, oásis, aldeias muradas e o início do Saara. O roteiro clássico parte de Marrakech e cruza o Tizi n’Tichka, um dos passos de montanha mais altos do país, rumo a Aït Benhaddou. Ouarzazate, Telouet e as gargantas do Dadès merecem parada, e o deserto pode ser alcançado nas dunas de Erg Chigaga antes do retorno pelo Anti-Atlas.

Estrada Alpina Alemã, Baviera

A Deutsche Alpenstraße percorre cerca de 450 quilômetros entre Lindau, no Lago de Constança, e o Königssee, a leste, atravessando prados, aldeias de cartão-postal e os castelos de Ludwig II, Neuschwanstein e Hohenschwangau. O trecho do Oberjoch, com sua sequência de curvas, é o preferido dos motociclistas. Reserve pelo menos quatro dias.

Costa Amalfitana, Itália

Patrimônio Mundial da Unesco, a costa tem uma estrada esculpida nos penhascos sobre o Tirreno, entre Sorrento e Salerno, com Positano e suas casas em tons pastel no caminho. No verão, o trânsito é intenso; abril, maio, outubro e novembro são os meses mais agradáveis. No sentido Sorrento para Salerno, a moto corre do lado do precipício, com o mar logo abaixo.

North Coast 500, Escócia

Criada em 2015, a rota circular de 516 milhas, cerca de 830 quilômetros, começa e termina no Castelo de Inverness e contorna o litoral e as Terras Altas do norte escocês, entre castelos, vida selvagem e destilarias. O Bealach na Bà, passo de montanha perto de Applecross, e John o’Groats, no extremo norte, são marcos obrigatórios. De abril a setembro o clima colabora; três dias é o mínimo.

Cameron Highlands, Malásia

A cerca de 200 quilômetros ao norte de Kuala Lumpur, o planalto tem clima fresco, plantações de chá, fazendas de morango e florestas envoltas em névoa. Há dois acessos: pela Simpang Pulai, mais tranquila, ou pela antiga estrada de Tapah, mais sinuosa e exigente. Evite o período mais chuvoso do fim do ano.

Do Cairo à Cidade do Cabo, África

A travessia do continente de norte a sul é considerada a mãe das viagens de aventura. O traçado depende dos países escolhidos, do tempo disponível e do nível de coragem, e consultar os alertas de viagem antes de partir é indispensável. Dois a três meses é uma estimativa realista para quem quer ver o caminho, e não apenas percorrê-lo.

White Rim Road, Utah

No Parque Nacional de Canyonlands, a estrada de terra de cerca de 115 quilômetros foi aberta nos anos 1950 para dar acesso a prospectores de urânio. Hoje é um percurso de cânions, arcos de arenito e formações rochosas, sobre areia, cascalho e pedra. Exige moto e piloto preparados, água em abundância, já que não há onde se abastecer no caminho, e consulta prévia ao parque sobre autorizações.

Rodovia Pan-Americana, das Américas

Uma rede de estradas que liga a Baía de Prudhoe, no Alasca, a Ushuaia, na Argentina, atravessando mais de uma dezena de países. O único trecho sem estrada é o Tampão de Darién, entre Panamá e Colômbia, onde motos e viajantes seguem de barco ou avião. O conselho é escolher um trecho de acordo com o tempo, e o orçamento, disponíveis.

Estrada do Alasca, Canadá e Estados Unidos

A Alaska Highway, ou Alcan, liga Dawson Creek, na Colúmbia Britânica, a Delta Junction, no Alasca, em pouco mais de 2.200 quilômetros. Nasceu como estrada de cascalho durante a Segunda Guerra e hoje é asfaltada, mas não menos selvagem. Um bom para-brisa ajuda nos trechos em obras, e os postos de combustível pedem planejamento. Atenção aos alces.

Picos de Europa, Espanha

No norte espanhol, o parque nacional reúne desfiladeiros, rios, vegetação intensa e picos nevados, com estradas sinuosas que dispensam planejamento: basta seguir em direção às montanhas. Para quem quer ir além do asfalto, há trilhas de terra.

Dez estradas, quatro continentes, nenhuma pressa. O que as une não é a distância nem a dificuldade, mas o que só a moto oferece: a paisagem sem vidro, o corpo inteiro na curva, o mundo chegando pelo vento.

Redação WAYFARER

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