Nota editorial: publicada originalmente em 2020 e atualizada em setembro de 2026.
Um Rolex raramente é só um relógio. Quase sempre é uma história, e são as histórias que definem o preço.
A marca fundada em Londres por Hans Wilsdorf, órfão que fez da precisão um projeto de vida, construiu sua reputação em provas públicas. Em 1927, a nadadora Mercedes Gleitze entrou no Canal da Mancha com um Oyster, o primeiro relógio de pulso hermético da casa, e saiu da água horas depois com ele funcionando. Estava fundada uma mitologia que atravessaria Hollywood, pistas de corrida, expedições e salões de leilão.
Os recordes: quando o dono vale tanto quanto o relógio
No topo da lista está, desde 2017, o Cosmograph Daytona referência 6239 que pertenceu a Paul Newman. Presente de Joanne Woodward, com a inscrição “Drive Carefully Me” no fundo da caixa, foi vendido pela Phillips em Nova York por 17,75 milhões de dólares. Foi, por alguns anos, o relógio de pulso mais caro já leiloado, marca depois superada por um Patek Philippe, mas continua sendo o Rolex mais valioso da história.
Logo abaixo aparecem peças em que raridade e proveniência se somam. O Daytona 6265 em ouro branco conhecido como “The Unicorn”, único exemplar conhecido da referência nesse metal, foi arrematado pela Phillips em Genebra em 2018 por cerca de 5,9 milhões de francos suíços, com a renda destinada à caridade. O 6062 “Bao Dai”, calendário completo com fase da lua em ouro amarelo e mostrador preto, que pertenceu ao último imperador do Vietnã, alcançou 5.066.000 francos suíços na Phillips de Genebra, em 2017. E o Daytona 6263 “Big Red”, outro relógio de uso pessoal de Paul Newman, foi vendido pela Phillips em Nova York em dezembro de 2020 por 5.475.000 dólares.
O padrão se repete: Daytona, ouro, mostradores fora do comum e, acima de tudo, um nome gravado na história do objeto.
As raridades: cinco peças de um acervo londrino
Nem toda raridade passa por leilão. A The Vintage Watch Company, dos londrinos John e David Silver, reuniu uma das maiores coleções de Rolex antigos do mundo, com peças fabricadas entre 1900 e 1990, e a documentou no livro “Vintage Rolex: The Largest Collection in the World”, lançado em 2021 e reeditado em 2025. Cinco exemplares do acervo mostram o que faz um colecionador perder o sono.
O Daytona vendido pela Tiffany & Co. Nos anos em que a joalheria de Nova York revendia relógios da marca, alguns saíram com o nome das duas casas no mostrador. É esse duplo selo que transforma um cronógrafo em peça de coleção.

O Oyster Cosmograph Daytona de 1966. Ouro amarelo 14 quilates, mostrador cor de limão, submostradores pretos, escala taquimétrica gravada na luneta e movimento de corda manual. Um exemplar difícil de encontrar em qualquer estado.

O Oyster GMT-Master de 1956. Aço, mostrador preto com detalhes dourados, ponteiros Mercedes e a luneta giratória de 24 horas em baquelite azul e vermelha, material frágil que poucos exemplares preservaram.

O Oyster Datejust de 1959. Ouro rosé 18 quilates, mostrador creme e data alternando vermelho e preto, com movimento automático. A sobriedade de um clássico, com o detalhe que o separa dos demais.

O Oyster Submariner Date de 1970. Ouro amarelo 18 quilates, luneta giratória azul e um mostrador que o tempo tingiu de roxo, o chamado mostrador tropical, em que a pátina é o que cria o valor.

Gleitze saiu do mar com o relógio funcionando. Quase um século depois, é esse mesmo fio, entre objeto e biografia, que decide quem leva um Rolex para casa: o relógio marca a hora, mas é a história que dá o lance.
Redação WAYFARER
