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Rolls-Royce Spectre: o primeiro elétrico da marca, do anúncio à Series II

Anunciado em 2021, o Spectre virou realidade, ganhou uma segunda série em 2026 e sobreviveu ao recuo da Rolls-Royce na promessa de eletrificação total.

Por WAYFARER6 outubro, 2021

Nota editorial: publicada originalmente em 2021 e atualizada em setembro de 2026.

Durante mais de um século, o silêncio foi a assinatura da Rolls-Royce. Com o Spectre, ele deixou de ser metáfora.

Em setembro de 2021, a marca de Goodwood anunciou seu primeiro automóvel elétrico de produção. O carro seria revelado em outubro de 2022, apresentado formalmente em Napa Valley no verão de 2023 e entregue aos primeiros clientes no fim daquele ano. Quase três anos depois, o Spectre já não é promessa: é parte da linha, com uma segunda série recém-lançada.

Uma profecia antiga

A ideia não é tão nova quanto parece. Em abril de 1900, Charles Rolls experimentou um dos primeiros carros elétricos, o Columbia, e deixou registrado seu entusiasmo: “O automóvel elétrico é esplendidamente silencioso e limpo. Não há nenhum odor ou vibração, e ele será muito útil quando estações de recarga forem uma realidade. Mas não acredito que sejam operacionais neste momento, ao menos por muitos anos”. Levou mais de um século.

O nome também foi escolhido com intenção. Na apresentação, a marca explicou ter buscado algo forte e evocativo, na linhagem etérea de Phantom, Ghost e Wraith, e reservado especialmente para aquele momento: Spectre.

O carro: um cupê de duas portas e quase três toneladas

O Spectre é um grande cupê de duas portas e quatro lugares, construído sobre a mesma arquitetura em alumínio de Phantom e Cullinan. Tem 5,45 metros de comprimento e pesa perto de 2.900 quilos, números que ele disfarça com um coeficiente aerodinâmico de 0,25, o mais baixo da história da marca. A Spirit of Ecstasy foi redesenhada, mais baixa, para facilitar a passagem do ar.

Na primeira série, dois motores elétricos e tração integral somavam 577 hp e 900 Nm, com autonomia de até 517 km no ciclo europeu WLTP. A versão Black Badge, mais escura e mais intensa, chegou a 650 hp.

Series II: mais alcance, mesma calma

Em junho de 2026, a Rolls-Royce apresentou o Spectre Series II. A bateria foi reengenheirada, a potência subiu para 593 hp na versão padrão e 670 hp na Black Badge, e a autonomia cresceu cerca de 16% segundo a EPA, a agência americana, que agora estima 308 milhas, perto de 495 km. O tempo de recarga caiu 14%. Nos Estados Unidos, o carro passou a adotar o padrão de recarga NACS, o que abre acesso à rede de Superchargers.

A promessa de 2030 e o recuo

Quando anunciou o Spectre, a Rolls-Royce foi além: prometeu abandonar completamente os motores a combustão até 2030. A promessa não resistiu. Em 2026, o novo CEO, Chris Brownridge, reconheceu que a decisão fazia sentido naquele momento, mas que a demanda mudou: “Para cada cliente que ama um veículo elétrico, há um que não ama”. O V12 seguirá em produção, adaptado às novas normas de emissões, ao lado do Spectre, que continua no catálogo.

A mudança diz menos sobre o carro e mais sobre quem o compra. O Spectre segue sendo a tradução mais literal do silêncio da casa. Só deixou de ser o único caminho.

Charles Rolls imaginou, em 1900, um automóvel sem ruído, sem odor, sem vibração. Cento e vinte e poucos anos depois, ele existe, e convive, sem pressa, com o doze cilindros que a casa decidiu não aposentar.

Redação WAYFARER

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