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Nasceu num kibutz no deserto do Negev, fez a segurança da El Al em Paris e construiu uma das maiores operações de casas de temporada do mundo. De Miami, Amir Benesh aposta agora que o bem mais raro de quem viaja não é uma chave, é uma boa apresentação.

Há clubes que se medem pelo endereço. O de Amir Benesh se mede pelas pessoas que ele consegue apresentar umas às outras. É uma régua curiosa para quem passou um quarto de século no negócio das casas, mas é a que explica tudo o que ele construiu, e tudo o que está construindo agora.
Do Negev a Manhattan
Benesh nasceu em 1969 no Kibutz Ein HaShlosha, no deserto do Negev, em Israel, um lugar onde quase tudo se divide e ninguém é estranho por muito tempo. Em 1987 foi a Nova York visitar o irmão, então aluno da NYU, e na prática não voltou. Antes dos imóveis houve Paris, onde trabalhou como oficial de segurança da El Al, um ofício que ensina a ler uma sala em segundos e a confiar em pouca gente.
Chegou à administração de imóveis e, com ela, ao lado menos glamoroso do mercado: sua empresa cuidava de propriedades retomadas para instituições como o Royal Bank of Canada e o Bank Leumi. O primeiro endereço que comprou para si foi uma cobertura no Upper West Side. O conselho que ainda dá a quem está começando cabe num cartão.
“Foque no conceito e seja consistente.”
A casa como produto
A ideia do passo seguinte veio de férias. Benesh alugou uma villa na Europa com amigos e percebeu que o que ficava na memória não era o enxoval, era a casa em si: dividir o espaço, cozinhar, as noites longas. Cofundou a LVH Global em meados da década de 2010 em torno dessa percepção. Em poucos anos a empresa, segundo ela própria, administrava mais de cinco mil casas em cerca de quarenta países, de villas e mansões a iates e ilhas particulares. Em 2020, a Forbes descrevia um portfólio de aproximadamente sete mil casas em quase cem destinos.
O modelo era de mão na massa. Equipes locais vistoriavam cada casa antes de ela entrar no catálogo. Chefs, serviço de bordo para voos privados e acesso às semanas que importam, Coachella e Cannes entre elas, faziam parte da oferta. A propriedade Zenyara, no Coachella Valley, alugada pelas irmãs Hadid na temporada do festival, virou um dos endereços mais conhecidos da casa. “Somos obcecados por personalização”, dizia Benesh na época: saber o que o hóspede gosta de comer, de ouvir, de assistir. Na pandemia, a LVH transformou algumas de suas casas em lotes de leilões beneficentes virtuais, arrecadando fundos ao lado do hospital Mount Sinai.

Um clube sem porta de entrada
O Kimani levou mais de uma década para sair do papel. Benesh o apresentou em 24 de maio de 2024, durante o Festival de Cannes, a um grupo pequeno de convidados, com o nome de Kimani Life. Hoje é Kimani Club, tem sede em Miami e uma rede que passa de cem destinos.
Não há salão com lareira nem lista de espera na recepção. O Kimani funciona como rede. Em cada cidade há embaixadores locais, gente que sabe qual mesa vale a noite, qual casa nunca aparece em plataforma nenhuma e qual barco sai mais cedo quando o porto enche. O membro não pesquisa. Pergunta a quem sabe. Segundo o clube, são hoje mais de noventa anfitriões, cerca de mil embaixadores locais e uns cinco mil prestadores de serviço selecionados.
A entrada é por indicação, e são os embaixadores que abrem a porta. É o modelo mais antigo que existe, a recomendação pessoal, agora organizado numa plataforma digital e num aplicativo que fazem o trabalho que antes cabia numa agenda de telefones muito bem guardada.
“Minha paixão sempre foi conectar pessoas a culturas, lugares e experiências que deixam marca.”
O trabalho recente
Os últimos doze meses foram os mais intensos da curta vida do Kimani. Em outubro de 2025, Benesh assumiu formalmente o posto de CEO e colocou o aplicativo do clube em versão beta, no iOS e no Android. No mesmo mês levou o Kimani à TOKEN2049, no Marina Bay Sands, em Singapura, para apresentar um sistema de identidade e reputação verificada dos membros, a versão digital do que antes era um amigo respondendo por outro.
Em 2026 fez algo que poucos clubes privados considerariam: abriu parte da empresa à própria comunidade, numa rodada de investimento coletivo pela Wefunder, com a LDJ Capital entre os apoiadores. Segundo a campanha, o Kimani reúne mais de sete mil membros verificados em vinte e cinco países. E em maio, como todo ano, recebeu a noite do Kimani numa villa em Cannes, durante o festival. A WAYFARER esteve lá. Uma casa em vez de um salão de hotel, convidados trazidos por membros e embaixadores, e um anfitrião mais interessado em apresentar as pessoas umas às outras do que em ser apresentado.

O mapa
Benesh já morou em Nova York, Miami, Paris, Ibiza, Mykonos e St. Tropez, e o clube segue o mesmo roteiro. St. Barths e Mykonos, Ibiza e St. Tropez, Mônaco e a Suíça, Londres, Paris e Milão, Nova York, Miami, os Hamptons e Los Angeles, Dubai e Tóquio. Em cada um desses lugares, o Kimani reúne casas para a temporada, concierge, uma rede de fornecedores escolhidos um a um e encontros entre membros, dos jantares pequenos às noites maiores das semanas que contam.
O que une endereços tão diferentes não é o padrão de acabamento, é o critério de quem indica. Uma villa em St. Barths e um restaurante em Tóquio chegam ao membro pelo mesmo caminho: alguém do lugar, que já esteve lá, disse que vale.
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Amir Benesh cresceu num lugar onde tudo era dividido e todo mundo conhecia todo mundo. Meio século depois, construiu algo próximo do seu oposto e, ao mesmo tempo, da sua continuação: um kibutz espalhado pelo mundo, onde os membros nunca dividem o mesmo teto, mas dividem a única coisa que não se compra com dois toques na tela. A confiança de uma boa apresentação.
Amir Benesh em números
Um quarto de século construindo a mesma coisa: confiança entre pessoas que ainda não se conhecem.
25
anos de hospitalidade
5 mil
casas na LVH Global
100+
destinos do Kimani
7 mil
membros verificados
Kimani Club · Miami · kimaniclub.com
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER. Cannes e Miami, com gratidão a Amir Benesh.

